Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2019
SALÁRIOS ATRASADOS

Médicos do Hospital Francisca Mendes prometem paralisação a partir do dia 14

Ao menos 20 profissionais devem cruzar os braços por conta da falta de pagamentos. Hospital é referência no atendimento de cirurgias cardíacas na região Norte



francisca_mendes.JPG Hospital é referência no atendimento de cirurgias cardíacas (Foto: Arquivo/Luiz Vasconcelos)
07/08/2017 às 22:27

Dezenas de cirurgias cardíacas marcadas para este mês no Hospital Francisca Mendes, localizado no bairro Cidade Nova, Zona Norte, poderão ser canceladas devido à paralisação de pelo menos 20 profissionais, prevista para começar no dia 14 de agosto. Os médicos cobram salários atrasados e afirmam que estão há seis meses sem receber por parte do Governo.

Segundo médicos, o atraso é relativo aos profissionais da UTI Pós-Cirúrgica e cirurgiões cardíacos. Todos eles fazem parte do quadro do Hospital Francisca Mendes, referência na Região Norte neste tipo de cirurgia do Amazonas. Atualmente, o Francisca Mendes recebe até pacientes de outros estados como o Acre, Rondônia e Amapá.



Médicos que pediram para não serem identificados contaram que os atrasos acontecem desde fevereiro deste ano. Um profissional da UTI Pós-Cirúrgica disse que um documento foi assinado em conjunto para que a paralisação comece dia 14 de agosto, sem previsão de término até que o grupo tenha uma resposta por parte da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam).

“Sou médico há quatro anos do hospital e nunca passei por isso. Preciso de dinheiro para pagar minhas contas”, disse ele.

Ainda segundo o profissional, os médicos continuarão realizando cirurgias de urgência e emergência, além de cuidar dos pacientes que estão no hospital, no entanto, cirurgias eletivas – procedimentos com datas marcadas – não serão realizados até que o Governo se posicione sobre o pagamento dos salários.

Ele conta que a situação se agrava pelo fato de que a maioria dos profissionais do hospital terem contrato firmado apenas até o final de agosto. “Outras pessoas podem até substituir, mas existe uma experiência de trabalho. Vidas podem ser perdidas porque outras pessoas não têm a experiência necessária para realizar o trabalho”.

O médico disse que o grupo aguardará uma resposta da Susam. “O hospital tem quase a totalidade de cirurgiões cardíacos do Amazonas. Quem recebe salário não tem como fazer plantões em outro lugar. É frustrante pra nós passarmos de 10 a 11 anos estudante, realizar um trabalho de alta complexidade e ser tratado dessa forma. Queremos que o governo sinalize e nos dê uma segurança sobre esse assunto”, disse o médico.

A reportagem solicitou resposta da Susam a respeito da possível paralisação e reivindicação dos profissionais, mas até o momento não obteve retorno da secretaria. 


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