Publicidade
Manaus
Manaus

Classes C e D têm aderido mais aos cursinhos preparatórios

O desejo de um futuro melhor com a formação profissional e a melhoria da renda têm sido a causa do aumento do número de matrículas de pessoas das classes C e D nos cursinhos, segundo especialistas 16/03/2013 às 11:22
Show 1
Bianca Larissa é estudante do primeiro período e decidiu fazer o cursinho preparatório
Ana Célia Ossame Manaus

Entrar para a Faculdade de Medicina é o sonho de Bianca Larissa Lesca, 16, estudante do 1º ano do ensino médio da Escola Estadual Ruy Araújo, na Cachoeirinha, Zona Centro-Sul. Para realizar o sonho, ela está matriculada em cursinho pré-vestibular direcionado para a área. O objetivo dela é conseguir a vaga pelo Processo Seletivo Contínuo (PSC), por isso já está se preparando para enfrentar a alta concorrência para o curso, já que estudar somente na escola não vai lhe dar conhecimento suficiente para concorrer .

Casos como de Larissa não são mais exceção. O desejo de um futuro melhor com a formação profissional e a melhoria da renda têm sido a causa do aumento do número de matrículas de pessoas das classes C e D nos cursinhos, segundo especialistas. É um investimento considerado elevado, que pode chegar a R$ 170 mensais. “Mas, se não fizer, não tem como passar”, afirma Bianca, que pela manhã estuda no Colégio Ruy Araújo, na Cachoeirinha, e à tarde, vai para as aulas do cursinho.

Outro estudante de cursinho, Dheison Afonso Brandão, 17, concluiu o ensino médio em Maués (a 260 quilômetros de Manaus) e veio para a capital se preparar para o vestibular para o curso de Medicina da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que ainda mantém o concurso, e também para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “Sem uma boa formação, não é fácil conseguir, por isso já estou matriculado”, justificou.

A funcionária pública Fátima Brasil, 46, fez questão de matricular o filho Mateus Nícolas, 18, estudante do Idaam, no cursinho com a mesma preocupação. “A concorrência é muito elevada e desde o primeiro ano do ensino médio ele faz cursinho”, disse.

O diretor Cláudio Barbosa Bezerra, 41, do cursinho Pré-Uni, atesta que nos últimos dois anos vem aumentando a frequência dos alunos do ensino médio de escolas públicas nos cursinhos porque ser aprovado para cursos como Medicina e Direito no Enem não é fácil para os estudantes do Estado. As alternativas são os processos como o PSC da Ufam e Sistema de Ingresso Seriado (SIS) da UEA.

Professor de História do Brasil e há sete anos com o cursinho, que tem aulas em três turnos e nos finais de semana, Cláudio diz que os cursinhos têm despertado o interesse dos estudantes, especialmente daqueles que sentem a deficiência do conteúdo do que é oferecido nas escolas e o que é exigido nos exames.

O valor cobrado pelos cursinhos, que exigem matrícula e mensalidades, significa sacrifícios para muitos, mas não há alternativa. “Temos que buscar todos os recursos que temos para investir nos nossos filhos para que tenham um futuro melhor”, disse a mãe de aluno, Fátima Brasil.

O índice de crescimento do acesso às universidades de jovens negros e pardos, com idade entre 18 e 24 anos, nos últimos dez anos, segundo o IBGE, foi de 38,5%. O aumento da procura também se deve aos programas criados pelo Governo Federal, que visam à democratização do Ensino Superior, como o Enem e o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que apontam aos jovens a possibilidade de cursar uma faculdade gratuita.Bianca está no Ensino Médio em escola pública e procurou cursinho para aumentar as chances no PSC.

Demanda maior na classe média baixa

O diretor do cursinho Pré-Médico, há 18 anos funcionando em Manaus, Geraldo Fróes, 66, confirmou o aumento da procura de estudantes de classe média baixa por cursinhos, que se dá pela divulgação maior dos exames na mídia e pelo fato de alguns exames, como o PSC e SIS, serem o caminho mais curto para o acesso à universidade pública e gratuita.

Há 40 anos lecionando Química, Fróes costuma fazer palestras em escolas para informar sobre os exames como o PSC, que permite a entrada na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e o SIS, para a UEA. “O Enem tem concorrência nacional, o que tem contribuído para o ingresso de alunos de fora do Estado, por isso a melhor oportunidade são esses exames”, afirma ele, justificando com isso o “sacrifício” dos pais em pagar um cursinho para preparar melhor os filhos para esses exames com aulas, exames simulados, aulas no final de semana e até acompanhamento dos alunos em dia de prova.


Publicidade
Publicidade