PAISAGEM MODIFICADA

Clínica Samel constrói passarela em plena avenida Joaquim Nabuco

Por fazer parte do perímetro de tombamento do Centro Histórico da capital, pelo Iphan, a área não poderia sofrer modificações estruturais

Kelly Melo
07/07/2017 às 02:56.
Atualizado em 11/03/2022 às 16:23

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A construção de uma passarela para interligar dois prédios da clínica Samel Serviços de Assistência Médica, na avenida Joaquim Nabuco, no Centro, tem chamado a atenção de quem passa pelo local.  A obra modifica o visual da rua e impede a visibilidade das outras fachadas de prédios.

Os dois prédios ficam um de frente para o outro e a passarela, que ainda está em construção, cruza a avenida.  Ao que tudo indica, após a conclusão,  o “passeio” servirá apenas para facilitar a passagem de pacientes da Samel de uma unidade para outra.

A obra foi licenciada pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) e validade do licenciamento é até o dia 30 de setembro. Conforme arquitetos e urbanistas procurados por  A CRÍTICA,  a construção da passarela está na área tombada e precisaria da autorização do Iphan para ser realizada.

No entanto, o próprio Iphan informou que a obra se encontra fora da região de tombamento, bem como de sua área de entorno definidas na notificação de Tombamento do Centro Histórico de Manaus, publicada do Diário Oficial da União nº 222,  em novembro de 2010. A CRÍTICA tentou contato com a empresa responsável pela área, mas não conseguiu até o fechamento da edição.

Obras que descaracterizam o Centro Histórico de Manaus estão cada vez mais comuns. No ano passado, a loja Marisa foi multada por arrancar a marquise centenária da fachada do prédio, também no Centro.

Espaço público

O Imlpurb informou que  a passarela tem também alvará de construção válido até dezembro e que o processo cumpriu a legislação urbanística em vigor. O pedido foi analisado na Procuradoria Geral do Município (PGM) e pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano (CMDU). Nas redes sociais, o arquiteto Bepi  Cyrino comentou que  a construção é um dos maiores absurdos que já viu. “A Samel invadiu o espaço, agrediu a paisagem de nosso Centro, cruzando uma passarela de um lado para o outro, privatizando o espaço público”, disse.

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