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Coleta de pilhas e baterias em Manaus não é suficiente para acabar com o descarte incorreto

Em Manaus, a Associação Brasileira de Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) tem registrados 14 pontos de coleta de pilhas e baterias usadas, sem contar os estabelecimentos comerciais  10/11/2015 às 08:54
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De acordo com informações da Abinee, Manaus conta com 14 postos de coleta de pilhas e baterias usadas, além dos estabelecimentos comerciais, como o da foto acima, que fazem a própria coleta
Isabelle Valois ---

Cádmio, chumbo e mercúrio são extremamente danosos à saúde humana. E todos esses componentes são encontrado dentro de uma única pilha. Dentre os males provocados pela contaminação com esses metais pesados estão o câncer e as mutações genéticas. As pilhas, apontam os especialistas, não provocam esse risco quando estão sendo utilizadas. O problema surge no fim da vida útil delas, quando são descartadas de forma irregular e os metais vazam, entrando em contato com o solo.

Em Manaus, a Associação Brasileira de Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) tem registrados 14 pontos de coleta de pilhas e baterias usadas, sem contar os estabelecimentos comerciais e programas que fazem o serviço por conta própria e repassam o material para a associação. Mas eles não são suficientes para evitar que parte dos materiais usados sejam descartados incorretamente. É comum pilhas ou baterias serem descartados no lixo doméstico e irem parar no aterro ou serem jogadas nos igarapés ou terrenos baldios.

Como não é biodegradável - quando o material é decomposto com o passar do tempo - a contaminação atinge o solo e chega aos lençóis freáticos, comprometendo, muitas vezes, a captação de água, a agricultura e a própria hidrografia por períodos que podem se estender por até cinco décadas, alertam especialistas.

Ameaças como essa levaram à previsão, pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), no artigo 33, da responsabilização do fabricante, importador e comerciante a realizar a coleta, em seus estabelecimentos, das pilhas e baterias usadas pelos consumidores. Ou seja, independente da existência de serviço público de limpeza, os fabricantes são responsáveis pelo descarte ambiental correto desde 2010, quando a PNRS foi sancionada.

Desperdício

Mas, de acordo com dados da Associação Brasileira de Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), boa parte das pilhas usadas ainda é descartada incorretamente no Brasil, e no Amazonas não é diferente. Conforme dados do Controle Ambiental na Indústria Textil, no Brasil, a cada ano, são desperdiçados, em média, mais de R$ 4,6 bilhões por não aproveitarmos nosso potencial de reciclagem, e as pilhas respondem por parte desse “desperdício”. É que, segundo a Abinee, o Brasil produz cerca de 800 milhões de pilhas comuns por ano, com um consumo médio de seis unidades por habitante, por ano.

Isso sem falar na produção anual de baterias de celular, que chega a 10 milhões, e das mais de 12 milhões de baterias automotivas e 200 mil baterias industriais que chegam ao mercado todos os anos.

O titular da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semusp), Paulo Farias, informou que, em Manaus, a coleta é de total responsabilidade da Abinee, e nada é repassado para secretaria. “A associação recolhe as pilhas e baterias dos pontos de coletas e envia para São Paulo e, de lá, vai para a reciclagem ou descarte, tudo conforme a lei”, disse.

Postos de coleta implantados

Desde o dia 27 de outubro, acadêmicos do curso do 5º período de administração do Centro Universitário do Norte (Uninorte) estão realizando a implantação de um projeto interdisciplinar chamado “Vida Urbana e Rural”. A acadêmica Luciana Verçosa é da equipe que ficou responsável pela coleta de pilhas.

“É uma forma de ajudar. Normalmente vemos divulgação de outros tipos de coleta seletiva, e a de pilhas é pouco divulgada. Então pretendemos fazer uma campanha massiva para recolhermos um bom volume”, informou.

Os acadêmicos estão instalando pontos de coletas nas escolas estaduais dos bairros de São Raimundo, Santo Antônio, Glória e nas proximidades da Uninorte, no Centro. Além dos pontos de coleta, os universitários realizarão palestras e entrega de planfetos pela comunidade para incentivar o descarte correto. Nessas inciativas, os universitários terão a participação de alunos e professores das escolas públicas, como também de diretores e pedagogos.

“Pretendemos buscar parcerias para a logística. Por enquanto, os membros da equipe ficaram responsáveis pela coleta nos pontos implantados neste projeto”, detalhou a universitária.

Reciclagem

Segundo os estudantes da Uninorte, todo o material coletado será repassado para uma empresa de reciclagem enviar a São Paulo. “A nossa ideia é conscientizar a sociedade, atingindo desde as crianças até aos adultos”, disse Luciana Verçosa.

Responsabilidade

A rede de lojas Bemol é uma das que possui pontos de coleta de pilhas. De acordo com a gerente de manutenção da loja, Jacenira Barroso, após um período de coleta, a Bemol repassa todo o material coletado para a empresa Manaus Limpa, responsável por reciclagens. “Eles cobram pelo valor do quilo e são responsáveis pelo envio do material para São Paulo”, disse.


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