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Colorau: protagonista na culinária regional e no box de um potiguar que escolheu Manaus para viver

O vermelho do colorau  é o ‘pano de fundo’ da vida do potiguar Luís Araújo, que se mudou para a capital amazonense em 1972, aos 13 anos de idade 23/10/2015 às 14:36
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O colorau é uma das especiarias mais vendidas no ‘Box do Tempero’, de Luís, na Manaus Moderna
Omar Gusmão ---

Quem quer experimentar riqueza de cores, texturas, sabores e cheiros, tem na feira seu paraíso. E, nesses locais, onde se compra e vende muito do que compõe o cardápio de famílias e restaurantes, é também onde se pode encontrar muitos personagens pitorescos da cidade. Dedicado às cores dos temperos, e em especial ao vermelho do colorau, Luís Araújo, 57, é uma dessas figuras, que têm como habitat diário a feira Coronel Teixeira, a Manaus Moderna.

O que mais chama a atenção em seu “Box do Tempero” é uma pilha (quase uma parede) de sacos de colorau, uma de suas especiarias mais vendidas. Potiguar, Luís veio do Rio Grande do Norte em 1972, aos 13 anos de idade, com pai, mãe e 13 irmãos. Todos em busca de melhoras nessa Manaus acolhedora, acostumada a receber bem os visitantes e, como dizia o saudoso poeta Anibal Beça, passar a morar neles.

Como boa parte dos retirantes da época, Luís Araújo foi operário no Distrito Industrial. Afinal, eram os primeiros anos da Zona Franca de Manaus e as oportunidades de emprego no Polo Industrial em expansão eram as mais promissoras. “Trabalhei durante 18 anos na Caloi. Saí de lá e vim trabalhar na feira”, conta.

Já como feirante, Luís passou por algumas feiras, como a da Banana, até conseguir um boxe na feira da Manaus Moderna. “Passei por vários lugares até conseguir essa banquinha aqui”, resume.

‘Mais procurado’

No Box do Tempero, segundo seu Luís, as principais estrelas são o colorau e a farinha. O vermelho do colorau vem das sementes de urucu. Os amazônidas podem até nem saber, mas em outras paragens, o colorau pode ser obtido a partir do pó de pimentão e se assemelha ao que chamamos por aqui de páprica.

Utilizado para modificar a cor e também para dar mais textura e sabor aos alimentos, o colorau é um velho conhecido da culinária amazônica. O que nossas avós não sabiam, apesar de sempre terem usado o tempero para dar uma aparência mais corada a seus pratos, é que o colorau contém cálcio, potássio, ferro, fósforo, vitaminas A, B2 e C.

Estudos recentes também apontam que as sementes de urucu possuem propriedades que potencializam a absorção de insulina pelo corpo, estimulando a redução de gordura periférica e favorecendo o emagrecimento.

Sobrevida

Além de tudo isso, o vermelho do colorau é um importante aliado do dia a dia de Luís Araújo. Enquanto fizer parte dos ingredientes das receitas preparadas pelas donas de casa manauaras, o Box do Tempero tem sobrevida garantida. Funcionando de domingo a sexta – no sábado, o adventista Luís fecha para ir à igreja –, o comércio ainda vai vender muito colorau, se depender do feirante. “Vou ficar aqui até o dia que Deus quiser”, planeja.

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