Segunda-feira, 21 de Outubro de 2019
Manaus

Com 80 homicídios registrados, janeiro foi considerado mês violento em Manaus

População demonstra preocupação com a onda de insegurança em Manaus, que registrou um número alto de assassinatos e assaltos, além de crimes envolvendo policiais militares como vítimas e acusados



1.jpg Sargento da PM Fredson José Cunha de Oliveira foi vítima de latrocínio no final de janeiro, no conjunto Viver Melhor
02/02/2015 às 16:50

Um mês foi suficiente para registrar em Manaus mais de 80 homicídios, assaltos a repartições públicas, tiroteios, atitudes truculentas de policiais, e até encontrar viaturas que, tecnicamente, deveriam estar circulando nas ruas, mas estavam abandonadas em terrenos particulares. Nem mesmo a polícia escapou da onda de violência que vem tomado conta da capital. Só nas duas últimas semanas dois policiais militares foram alvejados em tentativas de latrocínios. Um deles morreu na hora, o outro permanece internado, em coma.

Nas ruas, a sensação de insegurança aumenta a cada dia. De norte a sul, as reclamações são praticamente as mesmas. “Eu já murei toda a minha casa, coloquei grades e até já tentei vender, para morar no sítio, porque o movimento aqui está grande. Todo dia tem assalto e quase não vemos as viaturas da polícia passarem”, disse um almoxarife que preferiu não ser identificado, que mora na rua Capibaribe, Águas Claras, Novo Aleixo, Zona Norte.



Segundo ele, na semana passada um vizinho foi assaltado por um casal que estava em uma moto, em plena luz do dia. Eles chegaram a chamar uma viatura do Ronda no Bairro, mas só depois de 3h de espera os policiais apareceram.

O Secretário de Segurança pública, Sérgio Fontes, admitiu que a falta de policiamento ostensivo nas ruas e os homicídios em série que vem acontecendo despertam a sensação de insegurança. “A população mensura a insegurança pelo momento. Quando há muitas mortes, é natural que a população fique preocupada, ainda que sejam mortes provocadas por briga de facções. Mas já temos estratégias para atuar e combater o crimes.

De acordo com Sérgio Fontes, o narcotráfico é um dos principais atores para o aumento da criminalidade. Segundo ele, o tráfico financia não só boa parte dos homicídios, já que existe uma disputa pelo poder entre organizações criminosas, mas também financia os assaltos e a chegada de armamento na cidade. Entretanto, ele não admite a possibilidade de existir uma espécie de “guerra urbana”. “O que posso dizer é que são poucos matando muitos”, afirmou Fontes.

Ainda que as autoridades evitem falar em guerra, não é o que se vê nas ruas e se lê nos noticiários. Fatos que pressionam as autoridades a dar respostas mais eficazes do que as que são dadas hoje, até agora ineficazes. Uma das iniciativas para combater o comércio ilegal de entorpecente será a extinção da Delegacia Especializada em Repressão ao Entorpecente (Depre) que será transformada em um Departamento de Narcóticos (Denarc), sinal de que chegou a hora de mudar os procedimentos. O tempo dirá se a estratégia dará certo.



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