Domingo, 19 de Maio de 2019
CASO OSCAR

Com atraso, inicia o julgamento de ‘João Branco’ e outros réus no caso Oscar Cardoso

O narcotraficante “João Branco”, líder da facção Família do Norte (FDN), e outros três réus, são acusados de participação no assassinato do delegado Oscar Cardoso, em março de 2014



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Na foto, o primeiro da fila é Messias Maia Sodré, um dos acusados do crime (Foto: Winnetou Almeida)
13/04/2018 às 10:39

O julgamento do caso Oscar Cardoso iniciou com atraso na manhã desta sexta-feira (13) no Fórum Ministro Henoch Reis, no bairro São Francisco, na Zona Centro-Sul de Manaus. O narcotraficante João Pinto Carioca, “João Branco”, que é um dos líderes da facção criminosa Família do Norte (FDN), e outros réus, são acusados de participação no assassinato do delegado Oscar Cardoso, ocorrido em março de 2014.

Previsto para iniciar às 8h30, o julgamento acabou começando às 10h10, com a seleção dos membros a integrar o júri popular, quatro homens e três mulheres. Ao todo, o julgamento do caso Oscar Cardoso vai contar com 15 testemunhas, sendo que duas delas deverão ser dispensadas. O juiz Rafael Cro vai comandar o Tribunal do Júri – nas outras tentativas, o magistrado Anésio Rocha presidiu a sessão. Os representantes do Ministério Público do Amazonas (MP-AM), que vão fazer a acusação, são quatro promotores: Ednaldo Medeiros, Laís Freitas, Jeber Mafra e Igor Starling.


Delegado Oscar Cardoso (Foto: Arquivo A Crítica)

Antes do início do julgamento, a promotora Laís Freitas falou da atuação em conjunto dos promotores do MP-AM. “Como o julgamento não será apenas de uma pessoa, o Ministério Público atuará em conjunto. O processo tem duas mil páginas. Temos provas necessárias para condenar os quatro réus pelo homicídio do delegado Oscar Cardoso”, disse a promotora.

Outro promotor assistente, Igor Starling, comentou que a acusação não mudou nenhuma das provas. “Como é um processo antigo, não fizemos nenhuma alteração. Todos os quatro réus participaram do crime, temos provas que confirmam isso. O julgamento deve se entender pelo menos até amanhã”, completou.

Delegado assassinado

O delegado Oscar Cardoso foi assassinado com mais de 20 tiros no dia 9 de março de 2014 em frente à casa dele, na rua Negreiros Ferreira, bairro São Francisco, Zona Sul de Manaus. A vítima estava em via pública, com o neto no colo, um menino que na época tinha 1 ano e seis meses de idade, quando foi surpreendido pelos atiradores, que desceram de vários veículos.

Os assassinos agiram de “cara limpa”, na frente vizinhos do delegado e outros transeuntes. No crime, segundo testemunhas, Oscar suplicou pela vida do neto. Os assassinos pediram que populares se afastassem e um deles arrancou a criança do braço de Oscar e a jogou para o lado. Os criminosos fizeram a vítima ficar de joelhos. “Eu não avisei? Eu não te falei?”, teria falado um dos suspeitos antes de atirar no rosto da vítima.


João Pinto Carioca (Foto: Arquivo A Crítica)

Os acusados

O principal réu no caso é João Pinto Carioca, o “João Branco”, líder da FDN e acusado de ser o mentor do crime. Segundo a acusação, no dia do crime “João Branco” saiu do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), onde estava preso, só para matar Oscar, e depois retornou. Atualmente preso no presídio federal de Catanduvas, no Paraná, “Branco” participará do julgamento por vídeoconferência.

Os outros réus são Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará”, que participou como atirador no crime; Messias Maia Sodré, quem dirigiu o veículo usado pelos atiradores e que, segundo testemunhas, também atirou no delegado; e Diego Bruno, que ajudou na fuga após o assassinato.

Condenado

Outro réu no caso, Mário Jorge Nobre de Albuquerque, o “Mário Tabatinga”, foi condenado na primeira sessão do julgamento ocorrido em agosto do ano passado. Ele, acusado de fornecer o veículo usado no crime, pegou 5 anos, 6 meses e 15 dias de pena por associação criminosa e ocultação de bem ilícito. Como já tinha ficado preso por três anos, o restante da pena foi colocado em regime aberto.

Motivo do crime

Segundo investigações da Polícia Civil do Amazonas feitas na época da morte do delegado, a motivação do assassinato dele seria um suposto envolvimento de Oscar Cardoso no sequestro e estupro da esposa do narcotraficante João Pinto Carioca, o “João Branco”, um dos líderes da facção criminosa Família do Norte. Segundo a acusação, “João Branco” deu a ordem para matar Oscar como vingança pelo o que o delegado teria com a esposa dele.


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