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Manaus
SAÚDE

Com cinco meses sem salários, terceirizados da Saúde do AM protestam na sede do MPT

Usando cartazes e vestidos de palhaços, os trabalhadores dos hospitais de Manaus cobram pagamento dos atrasados e também benefícios como 13º 22/01/2019 às 10:46 - Atualizado em 22/01/2019 às 12:29
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Foto: Junio Matos
acritica.com Manaus (AM)

Com até cinco meses sem receber salários, servidores terceirizados da Saúde do Amazonas protestaram na manhã desta terça-feira (22) na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT), na avenida Mario Ypiranga, Zona Centro-Sul de Manaus. Usando cartazes e vestidos de palhaços, eles cobraram o pagamento dos atrasados e também benefícios como 13º salário. Durante o ato, os manifestantes fecharam a via em frente ao MPT.

De acordo com os manifestantes, até décimos de 2017 e 2018 não foram quitados. “Trabalhar é um dever, receber é um direito” e “Bolsonaro SOS Amazonas” são alguns dos dizeres escritos em cartazes dos manifestantes. Eles também carregavam bandeiras do Brasil e do Amazonas. Participam do ato enfermeiros, técnicos de enfermagem e outros profissionais.

A técnica em enfermagem tercerizada Maria de Fátima, que trabalha no Hospital e Pronto Socorro Platão Araújo, afirma que a cooperativa dela fez o último pagamento no mês de dezembro, referente à metade do salário de setembro. "Recebemos a metade apenas de setembro. Somos nós que seguramos a saúde do Estado, nem reajuste do teto salarial temos", afirmou.

“Desde de outubro estamos sem receber, muitos não receberam férias. Passamos dezembro sem dinheiro, nem cesta básica recebemos. Cumprimos toda a carga horária, não há queixa dos nossos trabalhos, quem segura a saúde nesse estado somos nós, terceirizados. Estamos trabalhando sem motivações, e os nossos pacientes não tem culpa”, ressaltou a técnica em enfermagem, Luzia Dias, que atua no Instituto da Mulher.

Protesto questionado 

A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) informou, por meio de nota, que está “tomando providências para resolver os pagamentos”. “O novo governo já vem tomando as providências para resolver a questão dos atrasos de salários e dívidas com as empresas, herdadas da gestão passada". Entretanto, o secretário estadual de Saúde e vice-governador Carlos Almeida questionou a realização da manifestação, organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviço de Saúde do Estado do Amazonas (Sindpriv-AM), “uma vez que recebeu a demanda do sindicato em reunião com a diretoria há exatos oito dias e encaminhou todas para a tomada de providências”

“Seguimos com o compromisso do governador Wilson Lima de que os trabalhadores da Saúde possam ter seus salários e seus direitos trabalhistas assegurados. Esse compromisso não é somente com o sindicato, mas com todos os trabalhadores e queremos dizer que existe um atendimento técnico sendo feito nesse sentido junto à Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) e outras instâncias”.

Através da assessoria da Susam, também foi informado que o secretário Carlos Almeida “está dando prioridade à questão, tanto que logo que assumiu, recebeu o Sindipriv”. “No dia 3 de janeiro, um dia após nossa posse, eles protocolaram o pedido de reunião, que aconteceu dia 14, acolhemos as demandas e nos comprometemos em tomar as providencias com os encaminhamentos técnicos necessários. Tudo registrado em ata e assinado pela presidente do Sindpriv, Graciete Mouzinho e outros membros da diretoria. Além disso, tornamos público esse compromisso, com a divulgação na imprensa e nas nossas redes sociais. Portanto, eu entendo que, se há uma demanda em atendimento, não há motivo para iriem à rua”.

Compromissos assumidos

Conforme a Susam, entre os compromissos assumidos pela pasta na reunião com o Sindipriv está a discussão da questão dos atrasos de pagamentos dos terceirizados da saúde com o MPT, onde o Sindipriv realizou a manifestação. “A reunião está marcada para o próximo dia 24 de janeiro. Com a Sefaz, está sendo feita a análise financeira e orçamentária para os pagamentos de dívidas herdadas pela atual gestão. Anotamos as providências, dissemos que íamos fazer a análise financeira com a Fazenda e a reunião com o MPT, que já está marcada. Por isso, não se compreende o motivo do protesto”.

O secretário de Saúde disse ainda que gestão dele não irá se eximir das responsabilidades, mas existe um tempo para resolver. “Somos responsáveis, mas não podemos ser culpados por atos de gestões anteriores. O compromisso com o pagamento de salários e direitos trabalhistas dos terceirizados é das empresas contratadas. Temos uma dívida herdada com as empresas, que alegam não ter caixa para pagar seus funcionários. Todas essas questões estão sendo tratadas com seriedade pelo nosso governo”, concluiu o secretário.

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