Publicidade
Manaus
MANAUS MODERNA

Com fiscalização deficiente, todo mundo faz o que quer em avenida de Manaus

Engarrafamentos diários formam um cenário de 'inferno' na Lourenço da Silva Braga, no Centro 10/05/2017 às 05:00
Show transito0111
Os pedestres também contribuem para a confusão na região dividindo a pista de rolamento com os demais carros. Foto: Gilson Mello
Álik Menezes Manaus

Operações de carga e descarga de mercadorias em fila dupla, carros trafegando na contramão e engarrafamentos diários formam um cenário de “inferno” na avenida Lourenço da Silva Braga, a Manaus Moderna, no Centro, e são um teste de paciência para motoristas e pedestres que circulam naquela área.

O inferno, como é classificado pela população o trânsito na região, começa no início da manhã, por volta de 5h, e se estende por todo o dia. “Ninguém respeita ninguém nisso aqui, isso é um inferno, pedestre não pode cruzar a pista na faixa porque os motoristas não param e os motoristas não conseguem, sequer, parar para deixar pessoas aqui na beira-rio  porque os caminhões param em fila dupla”, desabafa o comerciante Guilherme Souza, 29.

Além dos veículos que estacionam em fila dupla para deixar ou esperar por outras pessoas, a população que frequenta aquela área também reclama dos caminhões que estacionam até em  filas triplas, para desembarcar ou embarcar mercadorias nos barcos que fazem o transporte para o interior.

 “Todo dia é assim e a gente não pode abrir a boca porque corre o risco de apanhar. Os caminhões param aí, enquanto funcionários trazem ou levam mercadorias para os barcos. É muita falta de consciência. Parar em fila dupla é proibido, esses caras estão desrespeitando leis e atrapalhando a vida de outras pessoas”, afirma o comerciante Carlos Dantas, 35.

Um advogado, que pediu para não ser identificado, afirmou que o trânsito é caótico na Manaus Moderna há anos e não acredita que um dia mudará porque não há interesse dos órgãos públicos fiscalizadores. “Estou aqui diariamente e poucas vezes presenciei um carro do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização de Trânsito (Manaustrans) fazendo o trabalho dele, multando ou mandando os motoristas saírem. Não acredito que um dia a situação mudará, não vejo interesse”, disse.

A CRÍTICA  esteve na Manaus Moderna de 9h30 até 10h45 e não viu nenhuma equipe  Manaustrans atuando naquela área, comprovando o que disse o advogado.

Em nota, o  Manaustrans informou que diariamente 15 agentes de trânsito atuam na Manaus Moderna  para monitorar o fluxo dos veículos em pontos fixos e em viaturas. “A avenida está devidamente sinalizada e os condutores que desobedecem as leis de trânsito são autuados”, garante a nota.

Operação empurra pedestres para a pista
A ocupação irregular das calçadas também colabora para o engarrafamento da pista e coloca em risco a vida de pedestres que precisam andar entre os carros. A calçada é ocupada por vendedores de passagens de barco, “restaurantes” e lanchonetes improvisados e vendedores de frutas e verduras. 

“Nós somos obrigados a andar entre os carros, colocando nossa vida em risco, porque esses comerciantes acham que são donos das calçadas e ocupam tudo”, disse a professora Ana Carolina Freitas.

A vendedora Bárbara Lúcia Souza, 29, disse que o Centro de Manaus está abandonado. “É uma vergonha a situação disso aqui, tudo abandonado pela prefeitura e pelo Estado. A gente entende que todo mundo tem que ter sua ocupação, ter uma renda para sustentar a família, mas outra coisa bem diferente é se achar donos da rua e da calçada”, disse.

Sobre a ocupação irregular das calçadas, a Subsecretaria Municipal de Abastecimento, Feiras e Mercados (Subsempab) informou que tem realizado operação em toda Manaus Moderna para retirar vendedores irregulares que atuam nas calçadas atrapalhando o ir e vir dos pedestres.

“Todos os vendedores são  notificados é orientados a deixarem o espaço publico, para não terem suas mercadorias apreendidas pela equipe da Subsempab”.

Circulação restrita
Desde 2013, o decreto  2.100 do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) definiu as restrições de horários e cargas. Quem trabalha no Centro, contudo, afirma que o decreto é cumprido quando há a presença de agentes do trânsito, fora isso, motoristas de caminhões e até carretas desrespeitam a norma.

Publicidade
Publicidade