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Manaus
Negócios sustentáveis

Empresários de Manaus propõem negócios que são ‘amigos do meio ambiente’

As ideias que já estão  sendo  colocadas em prática vão desde transformar paletes - caixotes de madeira usados em transporte -  em novos móveis até desenhar projetos arquitetônicos 19/06/2016 às 14:40
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Rodolfo Bruno (à esqueda) e Diego Melo criaram a ‘Dois Rios’ para atender um demanda de clientes por móveis mais naturais. (Evandro Seixas)
Juliana Geraldo Manaus (AM)

Usar o que já existe para transformar em algo novo. Além de  impedir que materiais sejam rotulados precocemente de ‘lixo’ e resguardar o meio ambiente, a prática sustentável tem movimentado a economia e impulsionado  negócios.

As ideias que já estão  sendo  colocadas em prática vão desde transformar paletes - caixotes de madeira usados em transporte -  em novos móveis até desenhar projetos arquitetônicos que visem economia para o cliente e reutilização de recursos como água e energia solar. 

Em Manaus, apesar do apelo sustentável que a região transmite, os empreendimentos que se alicerçam na sustentabilidade começam a tomar fôlego e ganhar destaque agora. A Crítica conferiu,  algumas ideias de  negócios locais que têm florescido, sem prejuízo ao mundo em que vivemos.    

Renovação

Um desses negócios é o de movelaria em paletes  - ou pallets - da ‘Dois rios - Móveis sustentáveis’. Comandado pelo engenheiro civil Rodolfo Bruno, do Rio de Janeiro, e o engenheiro de pesca, Diego Melo, do Rio Grande do Norte, o empreendimento vem dando  certo depois de não começar tão bem.

“Meu pai é engenheiro, então, desde os 12 anos,  eu vivo  nesse mundo da construção. Sempre gostei de projetar coisas, fazer móveis e reutilizar. Quando vim para Manaus e abri um hostel, comecei, eu mesmo, a fazer o mobiliário do local - mesas, sofás e adegas”, lembra Rodolfo.

Mas o primeiro empreendimento não teve tanto sucesso e ele precisou se desfazer de tudo, inclusive dos móveis. “Anunciei um móvel feito de palete em um site  e vendeu muito rápido. Então anunciei os outros e as pessoas começaram a fazer encomendas. Nessa época, conheci o Diego - sócio - que me ajudou a organizar as coisas”, conta.

Para os dois, apostar em materiais sustentáveis é mais do que um marketing para os negócios.  “Estamos criando produtos únicos que não agridem o meio ambiente. Damos uso para o que seria incinerado”, defende Diego.  

O futuro

Quem também aposta no bom marketing que a sustentabilidade confere ao negócio é a arquiteta Daniela Arbex. Proprietária da Vert Arquitetura & Sustentabilidade, ela buscou um diferencial em sua  carreira, optando por se especializar e levar para seus clientes soluções de construções mais “limpas” e que possibilitem economia e reutilização de recursos.

“A sustentabilidade é o futuro. Creio que começar a pensar a nossa própria vida e negócios de forma a sujar menos e reaproveitar  mais é o melhor caminho que podemos seguir. Já vemos que existe demanda, mas falta ainda firmar melhor essa cultura por aqui”, destaca.

A arquiteta desenvolve tanto projetos isolados como de captação de energia solar e reaproveitamento de água da chuva até plantas completas de casas e áreas comerciais que decidam considerar o meio ambiente  em sua execução. 

Um dos projetos desenvolvidos por Daniela é a nova unidade do Local Hostel Manaus que traz movelaria em paletes na decoração e itens de sustentabilidade no projeto. “Eles reformaram uma casa de 500 metros quadrados e apresentamos um projeto para eles que trazia sugestões de materiais “mais limpos”, que diminuiam a quebradeira e geravam menos resíduos, de reaproveitamento dos próprios resíduos gerados na obra, além de incentivar a construção de uma horta e uso de paletes na mobília. Nós ficamos felizes com o resultado”, detalha.

Da movelaria sustentável  ao ‘Fuá’

A arquiteta e designer, Laelia Nogueira e a designer, Sissy Mendes, uniram seus amores pela movelaria à paixão pelo rea proveitamento de materiais e criaram a ‘CasaCinco’, que oferece mesas, cabeceiras de camas, cadeiras e muitos outros móveis feitos a partir de madeiras que iriam para o lixo.

“Quando nós começamos a produzir nossas peças, no início deste ano, percebemos com bastante surpresa o sucesso que esse tipo de produto podia ter. Acreditamos que não se trata só de uma “modinha”, mas de uma tendência ainda inicial do amazonense em dar valor à objetos mais naturais e autorais.

Entretanto, além de produzir, elas foram  além. Com o sucesso que seu guarda-roupa e mesa de centro feitos de paletes fizeram em uma feira da cidade (Feira Arte & Movimento), elas montaram, com a ajuda de amigos e em parceria com a Fundação Amazonas Sustentável (Fas), a Feira Urbana de Alternativas (Fuá) para divulgar além do produto delas, o de outros artistas e fazer do local u m espaço de encontro com música, bate-papo e apresentação do que as pessoas da cidade têm feito.

“Sabemos que não somos as únicas  a produzir itens de movelaria em palete e muito menos na área de economia criativa. Foi  dessa percepção que sentimos a  necessidade de compartilhar e que nasceu o ‘Fuá’, uma feira urbana para apresentar novidades na cidade, em termos de arte, novos negócios   e iniciativas criativas ”, comemora Laelia, que junto com a sócia e parceiros já realizou duas edições do evento.            

  

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