Quinta-feira, 29 de Julho de 2021
REFLEXOS DA PANDEMIA

Com mais de 5 mil empresas, setor de estética e beleza do AM sofre com pandemia

Representantes do setor defendem a volta dos atendimentos nos salões. Segundo eles, atendimentos em domicílio são ainda mais perigosos por não terem fiscalização



show_cabeleira_41699881-8FF5-4BD6-B4DE-D75117A81B95.jpg Foto: Arquivo/AC
02/03/2021 às 14:57

Profissionais de beleza e estética estão entre os trabalhadores mais impactados pela pandemia do coronavírus. Em todo o país, salões de beleza foram obrigados a fechar suas portas e os cabelereiros, barbeiros, manicures e demais profissionais do ramo viram suas fontes fontes de renda cada vez mais escassas.

O setor de beleza no Amazonas possui 5.729 empresas abertas, sendo 2.422 no CNAE 9602501 (cabelereiros, manicures e pedicure) e 3.307 no CNAE 9602502 (atividades de estética e outros serviços de cuidados com a beleza), de acordo com dados da Junta Comercial do Estad do Amazonas (Jucea).



Segundo a Associação dos Salões de Beleza do Brasil (ASBB), foi registrada redução média de 42% no faturamento dos salões de beleza, e consequentemente na renda dos profissionais autônomos. Este é o caso do cabelereiro e microempresário Renato Rios, que chegou a vender seus materiais de trabalho para conseguir se manter durante o período em que os salões estão fechados.

"Vários salões em Manaus fecharam, pois não tivemos apoio financeiro. Não temos direito a auxílio assistencial. Muitas pessoas que trabalham com pontos alugados, tiveram que fechar os empreendimentos. Muitos profissionais, assim como eu, tiveram que vender até seus materiais de trabalho para não passar fome", afirmou Rios.

De acordo com o último decreto estadual, os serviços de beleza e estética estão permitidas apenas em atendimento em domicílio. Entretanto, segundo Renato Rios, o risco de contágio pode ser considerado maior.

"Eu não concordei com a decisão de não adicionar os salões de beleza como serviços essenciais. Porque os salões não aglomeram, como aglomeram os supermercados e outras lojas. A respeito do atendimento em domicílio, o risco de contaminação pode ser maior. Pois no salão, teremos todos os utensílios e protocolos sanitários adequados para conter o vírus. Na casa dos clientes, não teremos um ambiente preparado para esse atendimento. Além do mais, no salão só é permitido a entrada do cliente sem acompanhante. No atendimento a domicílio, além do cliente há o resto de seus familiares que podem estar suscetíveis a contaminação também", contou o empresário.

Defesa do retorno presencial

O Sindicato dos Salões de Barbeiros, Cabeleireiros, Institutos de Beleza e Similares de Manaus (Sisbisim), ressalta que com o atendimento nas residências, ainda não será possível a fiscalização dos órgão reguladores. O Sisbisim defende ainda o retorno do atendimento nos salões.

"Os salões de beleza e similares tem toda capacidade de abrir com segurança. Inclusive com garantias maiores de proteção aos clientes e profissionais, do que o atendimento delivery. Precisamos que esse segmento voltar a trabalhar. A prestação de serviços na modalidade delivery tem também risco elevado para propagação da Covid-19, já que os profissionais transitarão pela cidade e estarão em ambientes que o poder público não pode fiscalizar", afirmou.

O sindicato destaca ainda que a categoria merece ser valorizada neste período de pandemia, pois os serviços de beleza são essenciais para a higiene pessoal da população.

"Todos precisam, mas ninguém se importa. Cortar cabelo, colorir os fios brancos, realizar manicure, pedicure, podologia e depilação, são serviços essenciais. Todos nós fazemos. Alguns conseguem realizar em si mesmos. A maioria precisa de ajuda de outra pessoa para fazer pelo menos um deles. E aí nasce a base de todo mercado de prestação de serviços da beleza", destacou o sindicato.

Assistência

O Sisbisim argumenta que os profissionais da beleza também devem receber auxílio assistencial dos órgãos públicos pois a maioria dos profissionais são Microempreendedores Individuais (MEIs).

"Primeiro argumentamos que deveríamos ter apenas restrições de atendimento, mas não deveríamos fechar. Não foi aceito. Depois defendemos que os profissionais desse segmento precisam de ajuda assistencial. Porém nem a ajuda do Governo e nem da Prefeitura alcançou os profissionais da beleza, porque a maioria é MEI. Acreditamos que iríamos abrir juntos o comércio em 22/02. Não abrimos. Fizemos uma reunião com o governo em 23/02 e apresentamos uma sugestão de abertura gradual e os protocolos para abrimos em 01/03. E mais uma vez ninguém se importou. Até onde isso vai? Sabemos que parte da culpa disto está ocorrendo é a falta de união dos profissionais e empresas deste setor, o que enfraquece a representatividade junto aos órgãos legais. Que todos nós da área da beleza primeiro nos importemos verdadeiramente com os interesses coletivos do nosso segmento, e em seguida, passaremos a importar as demais pessoas", concluiu a categoria.

Discussão na Aleam

Nesta terça-feira (2), a reabertura de salões de beleza e barbearia foi tema de discussão no plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam). A pauta foi suscitada pelo deputado estadual João Luiz (Republicanos), que defendeu o fim da suspensão dos serviços ofertados pelos estabelecimentos do setor, seguindo todos os protocolos sanitários e medidas de prevenção contra o novo coronavírus.   

Diante da necessidade de se manter empregos de mais de 50 mil profissionais do setor, o parlamentar informou que propôs ao Governo do Estado, por meio de indicação, a reabertura imediata dos, aproximadamente, 5 mil estabelecimentos de beleza, entre salões, barbearias e incluindo clínicas estéticas, no Estado do Amazonas. O documento também foi subscrito pelo deputado estadual Saullo Vianna (PTB).    

“Esses estabelecimentos querem, apenas, uma oportunidade para oferecer seus serviços de forma segura e continuar gerando emprego e renda. Afinal de contas, o setor absorve mais de 50 mil profissionais diretamente e gera mais 150 mil empregos, indiretamente. Mas, neste momento, precisa reabrir suas portas para se manter no mercado”, afirmou João Luiz.

Na avaliação do parlamentar, os salões, as barbearias e as clínicas estéticas são bem estruturadas e têm capacidade e compromisso para reabrir as portas seguindo todos os protocolos de segurança sanitária e de prevenção de combate à Covid-19.

“Se pararmos para analisar, as pessoas passam mais tempo em uma viagem de ônibus que em um salão de beleza. O trajeto, por meio de transporte público, de quem mora no Santa Etelvina para chegar ao Centro da cidade é de, no mínimo, uma hora. Soma-se a isso, o fato de o veículo estar lotado. Enquanto que, em um salão, o tempo médio de permanência é de meia hora a 50 minutos, levando em consideração o distanciamento e o uso devido de proteção”, comparou o parlamentar.

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Repórter de A Crítica
Amazonense, nascido e criado em Manaus. Graduado em Jornalismo e mestrando em Antropologia Social, ambos pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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