Segunda-feira, 20 de Maio de 2019
PÂNICO

Com medo após fugas de presídios, população ‘se tranca’ dentro de casa em Manaus

Muitas pessoas têm optado por não sair de casa durante a noite e até o comércio foi prejudicado



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Comerciante do Santa Etelvina fecha cedo, fica de olho na rua e tem vontade de ficar em casa de tanto medo dos bandidos. Foto: Jander Róbson
06/01/2017 às 05:00

Cinco dias após a fuga de 184 presos do sistema prisional do Amazonas - 112 do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) e 72 do Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat), a população segue alarmada com a quantidade de fugitivos à solta pela cidade. Por causa do medo, muitas pessoas têm optado por não sair de casa durante à noite e até o comércio foi prejudicado.

O comerciante Doraci Medeiros, 44, que é proprietário de uma loja de auto peças na avenida Sete de Maio, no bairro Santa Etelvina, zona Norte, relatou que a Polícia Militar instruiu os comerciantes da área a fecharem as portas às 18h para evitar que sejam abordados por fugitivos. Ele contou ainda que está seguindo a recomendação à risca e fica em alerta a movimentações estranhas na via.

"Eu estou aqui dentro porque vim atender uma senhora, mas fico ali na frente olhando para os lados, com medo. Eu fecho a loja 17h logo, estou louco pra ir embora pra casa, muito inseguro", disse.

Na Pizzaria Manuela, também no bairro Santa Etelvina, as mesas estão vazias e as vendas caíram essa semana. A proprietária, Francisca das Chagas, 43, disse que o movimento está bem fraco porque as pessoas estão com medo de sair. Vendas só através do delivery. "Na verdade por aqui só está abrindo o comércio quem confia em Deus. Até os funcionários nós estamos deixando em casa todo dia", contou.

Nas áreas residenciais, o medo é grande entre os moradores. No conjunto João Paulo, que faz fronteira com a mata da BR 174, as casas e pequenos comércios ficam trancados. Uma moradora que não quis se identificar disse que fugitivos já foram vistos passando pelas ruas. "Passaram dois fugitivos aqui, sujos de barro e machucados, perguntando se tinham chinelo pra vender na mercearia. Hoje (ontem) passou mais um, comprou uma calabresa e foi embora", relatou.

Suene Costa, 31, também é moradora do conjunto e disse que por lá todos estão fechando as portas cedo. "A gente nem fica aqui pela frente, umas 19h já entramos e trancamos tudo. Uma amiga nossa que mora na invasão disse que está dormindo no chão com medo dos tiros", disse.

No conjunto Cidadão 5, no bairro Nova Cidade, a população está em alerta. Um homem que não quis se identificar disse que não vê policiamento na área, o que deixa os moradores mais apreensivos. "Quando uma pessoa estranha passa na rua já ficamos com medo porque não vemos nem polícia passar aqui”.

Moradora do conjunto Nova Cidade, a dona de casa Juliany Lopes, 48, disse que se tranca em casa com a família por medo. “Quando dá 19h fechamos a casa e não saímos mais, os outros vizinhos fazem a mesma coisa”, concluiu.


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