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Com menos de 10% do prometido, ciclovia em Manaus ainda não é realidade e obras estão paradas

O projeto inicial da Prefeitura era concluir pelo menos 30 quilômetros de faixa exclusiva aos ciclistas em 2004. Com obras orçadas em R$ 20 milhões, a Seminf diz ter entregue apenas seis quilômetros de ciclofaixa e a rota que ligaria o Boulevard à Ponta Negra parece abandonada 20/10/2014 às 18:24
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Projeto da ciclovia ligando o Boulevard à Ponta Negra ainda não está utilizável
Denir Simplício Manaus (AM)

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Menos de 10% dos 80 quilômetros de ciclovia prometidas pela Prefeitura de Manaus foram concluídas até o momento. A obra na área do Boulevard Álvaro Maia, na Zona Sul da capital, que seria a primeira destes espaços e teve sua construção iniciada em março deste ano, continua paralisada, mas a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) garante concluir a difícil missão de entregar 30 quilômetros até o fim do ano.

De acordo com a própria Seminf, Manaus conta com somente seis quilômetros de ciclofaixas, no trecho entre as avenidas Nathan Xavier até a Governador José Lindoso (a das Torres), sendo que a estrutura corresponde a três quilômetros de ida e outros na volta. 

A obra de maior impacto nesse sentido é a ciclovia Boulevard-Ponta Negra, que liga o Boulevard Álvaro Maia até a Marina do Davi, na Zona Oeste de Manaus. O trecho passaria pela avenida Kako Caminha, seguiria pela avenida Brasil e tendo continuidade pela avenida Coronel Teixeira, completando 14 quilômetros de extensão. Inicialmente, um dos motivos alegados pela pasta para o atraso nas obras seria o período de chuvas em Manaus, que compreende os meses de novembro à abril - e está para começar de novo.

As obras foram interrompidas agora devido às adequações de projeto e definição de novos materiais. Somente após a Seminf e o Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb) – que é responsável pela idealização do projeto - realizarem testes ao longo da avenida Brasil sobre aplicações de materiais e transposição de esquinas, é que as obras serão retomadas, sem data certa definida.

Em relação ao piso, a Seminf afirma que apenas executa o projeto desenvolvido pelo Implurb, "mas não há piso padrão", disse a assessoria de imprensa do órgão. Como consta no projeto, a ciclovia contará com pisos em concreto e asfalto com nível regularizado e esquinas rampeadas. Quanto à sinalização e placas indicativas, a obra ainda segue em execução, também sem prazo para ser entregue. 

O trecho em obra está concentrado na avenida Boulevard e fazia parte do pacote de obras da Copa do Mundo em Manaus.  Os outros trechos ainda serão licitados, informou a Seminf. Na avenida Coronel Teixeira, o responsável pela execução da obra será o Exército Brasileiro, que fechou parceria com a Prefeitura municipal.

Fórum não teve presença da Prefeitura

Em agosto deste ano, a capital recebeu o 3º Fórum de Bicicletas Manaus. O encontro discutiu, entre outros assuntos, a utilização das bicicletas como meio de locomoção num cenário urbano e foi consenso que a criação das ciclovias seria uma solução para a melhoria na mobilidade urbana em Manaus. O movimento convidou representantes da Prefeitura para o evento, no entanto nem Seminf ou Implurb compareceram e apenas  a Secretaria de Meio Ambiente (Semas) contribuiu com o evento.   

“Nós convidamos todas as secretarias envolvidas no projeto, então sentimos falta do poder público no evento. Na verdade a participação da Prefeitura no fórum foi nula, não houve interesse algum, mesmo o assunto sendo de grande relevância para a sociedade”, disse o presidente do movimento Pedala Manaus, Paulo Aguiar, de 47 anos.

Projeto “Bike Manaus”

Mesmo sem as ciclovias prontas, a Prefeitura lançou no dia 22 de setembro o projeto “Bike Manaus”, visando garantir a segurança dos ciclistas nas ruas da cidade. O programa é coordenado pelo Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização no Trânsito de Manaus (Manaustrans), que promove campanhas de informação sobre ciclismo. Inicialmente o trecho que receberá sinalização como ciclorrota vai da avenida das Torres até o Parque do Mindú, na Zona Centro-Sul da capital.

Porém, o projeto de sinalização do trajeto ainda está em fase de planejamento. Esta etapa inclui a identificação das áreas que receberão as sinalizações e somente após esta fase é que as placas serão confeccionadas e implantadas. Somente depois de um estudo detalhado por parte dos engenheiros do Manaustrans e da instalação dos sinais é que a via poderá ser considerada uma ciclorrota, com suas devidas sinalizações.

Ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas   

No entender do presidente do Pedala Manaus, Paulo Aguiar, nada do que foi prometido pela atual gestão saiu do papel. Segundo um dos líderes do grupo de defende o uso da bicicleta com meio de transporte, lazer e esporte na capital, existem grandes diferenças entre ciclovia, ciclofaixa e ciclorrota. As ciclovias são as estruturas exclusivas para ciclistas que são demarcadas fisicamente que separam as bikes dos veículos, e não são prioridade para o governo municipal nem estadual.

As ciclofaixas são rotas, geralmente, no mesmo sentido e do lado direito da via, que têm pinturas no asfalto indicando o tráfego de ciclistas no local. O espaço é compartilhado entre automóveis e bicicletas não havendo uma delimitação que proteja o usuário das bikes. As ciclorrotas são ruas sinalizadas por onde existe maior movimento de ciclistas e maior facilidade de trafegar.

Ainda segundo Aguiar, que usa a bicicleta para se locomover até o trabalho, o projeto "Bike Manaus" é bom, mas duvida que a promessa de entregar os 30 KM de ciclovias até o fim de 2014 seja cumprida. “Até hoje a Seminf não conseguiu entregar a ciclovia no Boulevard, que está paralisada já faz muito tempo, acho muito difícil que consigam completar o trecho que vai até a Marina do Davi”, comentou.


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