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Urbanismo

Sem planejamento, Manaus caminha para um colapso urbano, dizem especialistas

A cidade tem o segundo maior crescimento demográfico do País. Com esse crescimento e a falta de planejamento, a cidade pode sofrer um colapso com reflexos na área de saúde, educação, mobilidade e saneamento 18/09/2016 às 15:13
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Manaus tem a 62ª maior taxa de crescimento demográfico do mundo todo (Foto: Clóvis Miranda)
Luana Carvalho Manaus (AM)

Especialistas estimam que daqui a 40 anos 70% da população deixará o campo para ocupar os centros urbanos. Manaus, por exemplo, deve ter a 62º maior taxa de crescimento populacional do mundo nos próximos dez anos. No Brasil, ocupa a segunda posição. Com esse crescimento demográfico e a falta de planejamento, a cidade pode sofrer um colapso urbano com reflexos na área de saúde, educação, mobilidade e saneamento. O alerta foi feito durante o seminário “Desafio Urbano de Manaus”, realizado na última sexta-feira (16). 

“O mundo está se tornando urbano, é a tendência. Tem que se preparar pra isso, pois quando muita gente vai morar no centros urbanos, existe uma série de efeitos colaterais negativos”, frisou Cláudio Bernardes, um dos maiores nomes da engenharia e urbanismo do País. 

Com 2 milhões de habitantes, de acordo com a última estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Manaus é a 7ª cidade mais populosa do Brasil, mas quase 90% da população não têm acesso a tratamento de esgoto, as ruas não são arborizadas e a mobilidade urbana é insatisfatória. Com mais pessoas, os problemas podem piorar, alertam especialistas. 
Mobilidade
A questão de mobilidade também preocupa.  Porém, Bernardes explica que existem alguns meios para frear tamanho impacto, mas que as ações devem começar imediatamente. 

“Uma das soluções  é investir pesado em transporte de massa, uma solução demorada e mais cara.  Também é preciso adensar ao longo de eixos de transporte, ou criar pólos de desenvolvimento autosustentáveis, onde tenham escola, habitação, hospital, tudo em uma mesma região para que as pessoas possam circular naquela área”. 

Este adensamento, ainda de acordo com o especialista, funciona melhor de forma vertical. “Tem que ser feito uma mescla entre o crescimento horizontal e vertical, mas o adensamento vertical com coerência se mostra mais eficiente, até os danos ambientais são menores”, apontou.  

Expandir sem desmatar

O urbanista Pedro Paulo Cordeiro explica que o reordenamento de uma cidade deve ser feito de forma integrada, mesclando mobilidade, habitação e questões ambientais. “Está na hora de pegarmos tudo isso e unificarmos. Só vai ocorrer uma melhoria com um planejamento a médio e longo prazo. A cidade se espalhou demais, a infraestrutura está cada vez mais cara”.

De acordo com Cordeiro, a cidade precisa crescer internamente. “Existem projetos, como o Viver Melhor, que apesar do conceito ser bom, tem uma péssima gestão e implantação, colocando o pobre pra longe da cidade. Não precisa ter 9 mil unidades numa área só. Pode ter 500 em um bairro, 500 em outro, e assim sucessivamente. Integrando as pessoas ao tecido urbano”, afirmou. 

Ele cita, por exemplo, o Centro como uma área em potencial  para expansão demográfica. “Nosso centro é muito desocupado, temos só 33 mil habitantes e está cada vez mais vazio. Então está na hora de se repensar Manaus, crescendo para dentro, sem desmatar ou invadir áreas verdes”, apontou.

Invasões

O urbanista ressalta ainda  as invasões como um dos grandes problemas da capital. “Temos que parar com  a ideia de que o curso de água serve pra ocupar. Ele não serve, tem que ter uma área de preservação permanente, de repente colocar uma ciclovia, mobiliário, pracinha, mas não pode ocupar. O programa Prosamim é interessante, mas pecou na questão ambiental: regularizar as margens dos igarapés não é interessante. Hoje as cidades estão fazendo exatamente o contrário de Manaus”, analisou.

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