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Com população maior que muitos municípios do AM, Viver Melhor sofre as dores do crescimento

Demandas se acumulam residencial e vão desde esgoto escorrendo nas ruas e calçadas foram tomadas pelo comércio informal 29/07/2015 às 08:37
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O aposentado Emerson Ferreira consegue driblar as dificuldades da mobilidade dentro do residencial, o maior do Brasil financiado pelo programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal.
Luana Carvalho Manaus (AM)

Com uma população estimada em 55 mil moradores, segundo a Associação dos Síndicos do Conjunto  Viver Melhor, no bairro Santa Etelvina, Zona Norte, o residencial  sofre com os velhos problemas de uma cidade em transição. Em apenas três anos, as ruas estão esburacadas, a população reclama do vazamento do sistema de esgoto e calçadas são invadidas pelo comércio informal.

O número de moradores é maior até que os habitantes dos municípios de Manicoré e Humaitá, no Sul do Amazonas, e pouco menor que a população de Maués, no Baixo Amazonas, que possui 58 mil habitantes.

“Consideramos o conjunto um outro município, que está em expansão e  sofre com os problemas de toda cidade”, comenta a dona de casa Jussara Castro, 40.

O aposentado Emerson Ferreira, 32, está morando no local há dois anos, o mesmo tempo em que as unidades da 2º etapa foram entregues. Apesar de agora ter uma casa própria e não viver mais em situação de risco, como a maioria das famílias de baixa renda vivia, o cadeirante sofre com as ruas esburacadas.

“Se não fosse minha habilidade para subir calçada, passar pelos buracos e chegar onde quero, seria muito mais difícil”, conta, enquanto atravessava a rua Águia Branca para fazer compras em uma mercearia.

Por ser localizado em uma área distante do Centro, muitos moradores resolveram construir comércios, como meio de lucrar. Alguns de forma irregular. No ano passado, aproximadamente 50 barracas foram retiradas em reintegração de posse. No entanto, muitos já retornaram para o local. Outros fixaram as barracas em outras áreas da 2º etapa.

Para conseguir energia elétrica, os vendedores fazem ligação clandestina, os famosos ‘gatos’. “Quando nos cadastramos, colocamos que nosso trabalho era com venda informal, autônomos, e não pensaram em todo mundo. Todos os moradores são de baixa renda, vivem de Bolsa Família, e muitos só tem essa opção para conseguir se sustentar”, comenta Rejane Lopes, 48, que montou um brechó na calçada, dividindo o espaço com vendedores de mídias piratas e frutas.

Os moradores pagam entre R$ 25 e 70 reais de prestação e a maioria das famílias são constituídas por mulheres. Os moradores também reivindicam  um boxe policial na área, por conta dos frequentes assaltos nos ônibus.

Feira regular já em atividade

A Superintendência Estadual de Habitação (Suhab) informou que  existe uma feira com 110 boxes entre as duas etapas do conjunto e que o projeto não prevê construção de novos boxes para comerciantes.

Os moradores também reclamam do entulho deixado no terreno onde funcionava o canteiro de obras do conjunto. Eles afirmaram, ainda, que foi prometido um Centro de Convivência no local. A Suhab ratificou que os entulhos são da reintegração. E que “foi feita uma parceria com a Prefeitura na época, mas não foi cumprida. A Suhab está retirando aos poucos”.

Em relação ao vazamento do sistema de esgoto do conjunto, cujo moradores pagam taxa de 100%,  a Manaus Ambiental não se manifestou até o fechamento desta edição.   

À disposição

A Manaus Ambiental informou que faz regularmente os serviços de limpeza, manutenção e desobstrução nos  sistemas do residencial, mas os clientes podem solicitar os serviços por meio do SAC: 0800 – 092 – 0195 ou no 3627-8360.

Falha nos esgotos sanitários

Ruas estão tomadas por água de esgoto. Os moradores reclamam do odor e temem contágio com doenças. Eles afirmam que pagam taxa para bancar o sistema  de esgoto, sem receberam manutenção.


Área de lazer é um pedido

Um terreno baldio, que segundo os moradores poderia servir como um centro de convivência, está tomado por entulho. Suhab diz não ter conhecimento de área de lazer no projeto.

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