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Com regulamentação parada, 'pipódromos’ improvisados são montados na cidade de Manaus

Sem local próprio para a prática de empinar pipas e sem áreas estabelecidas pelo poder público, ‘pipódromos’ são montados em bairros da capital 02/11/2015 às 17:54
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Centenas de jovens e adultos se reúnem todos os finais de semana para ‘soltar papagaio’ num pipódromo improvisado no Lírio do Vale, Zona Oeste, enquanto os locais não são regulamentados
Luana Carvalho Manaus (AM)

A tradicional brincadeira de empinar pipas – ou papagaio, como a prática também é conhecida – ainda atrai centenas de crianças e adultos, apesar dos riscos que atividade proporciona se não forem tomadas medidas de segurança. A atividade divide opiniões de quem pratica e dos que temem acidentes. No bairro Lírio do Vale, na Zona Oeste, um “pipódromo” improvisado incomoda a vizinhança ao mesmo tempo em que atrai centenas de praticantes aos fins de semana.

Uma lei municipal sancionada em março deste ano “proíbe a venda, o armazenamento, o transporte e a distribuição de cerol (mistura de cola e vidro moído), da linha chilena de óxido de alumínio e silício ou de qualquer material cortante usado para empinar/soltar pipas, papagaios ou similares, salvo nas áreas específicas que o Poder Público Municipal poderá vir a estabelecer para esses fins”.

O problema é que, oito meses depois, esses locais que poderão servir de pipódromos ainda não foram regulamentados e, por isso, os praticantes continuam empinando pipas sem regras estabelecidas. “Todo domingo, a partir das 15h, não temos mais descanso. Essas pessoas fazem muito barulho. Já fiz diversas denúncias para a Secretária Municipal de Meio Ambiente (Semmas), para a polícia, e nada acontece”, reclama um vizinho que mora próximo ao campo do Vermelhão, área onde os praticantes empinam pipas no Lírio do Vale.

A área é particular, e segundo o secretário da Associação Pipa Manaus, Gabriel Pipa, foi cedida pelo proprietário para a brincadeira. Só no último domingo, por volta das 15h30, pelo menos 400 pessoas, entre adultos e menores de idade desacompanhados, ‘soltavam papagaio’ no local. “Tem dias que vem mais de mil pessoas brincar”, comentou Gabriel.

Regras serão cumpridas

Com varas, os jovens tentam pegar as pipas que são cortadas. Aparentemente, a brincadeira é muito perigosa, mas Gabriel garante que após a regulamentação, regras terão de ser seguidas. “Essa espaço é grande e livre para a prática do esporte. Até porque empinar pipas exige uma área maior para fazer as manobras e também para nos movimentar para cortar as pipas”, explica.

Segundo ele, dez áreas em potencial já foram identificadas pela associação. “Só estamos aguardando a votação na Câmara Municipal de Manaus. É importante que tenhamos esses locais até para tirar as crianças das ruas. É nas ruas que o perigo acontece”, completa, reconhecendo o perigo do uso do cerol e da linha chilena.

 Mesmo com a proibição do uso da  venda e armazenamento  de cerol e linhas chilenas, ainda são comuns encontrar esses produtos (Foto: Antônio Lima)

“Não vou mentir. Nós sabemos que o cerol é perigoso, uma arma branca, e que a linha chilena é muito mais cortante. Por isso estamos correndo atrás de espaços para praticar o esporte com segurança, em áreas que não tenha acesso de motocicletas ou automóveis. Aqui nosso limite para empinar é de 200 metros”.

Os espaços públicos identificados pela associação estão localizados nos bairros de Alvorada, Zona Centro-Oeste;  Lírio do Vale, na Zona Oeste; Novo Aleixo, Braga Mendes e Residencial Viver Melhor, na Zona Norte; avenida Sete de Setembro, no Centro e na Cachoeirinha, Zona Sul;  entre outros. Nestes locais, a prática é exercida quase que diariamente, mesmo sem autorização do poder público municipal.

Paixão por pipas desde criança

Fabiano Oliveira, 35, largou o emprego de segurança e resolveu se dedicar e trabalhar com a venda pipas. “É uma paixão desde criança, tenho fotos empinando pipas com dois anos”, conta o vendedor.

Ele também participa de campeonatos e já chegou a cortar 3 mil pipas em um campeonato que reuniu 35 mil pessoas em Osasco (SP). “Usei mais de 12 mil metros de linha”, comenta.

Fagner dos Santos, 27, é morador do bairro Parque 10, na Zona Centro-Sul, e vai todos os domingos para o ‘pipódromo’ do Lírio do Vale, na Zona Oeste. Ele  participou de 20 campeonatos e é um dos que torcem pela regulamentação dos espaços.  “Esse espaço é muito bom porque nos permite empirar com mais agilidade”, revela.

Wellington Alex,  15, brinca de pipas desde os nove. Ele já sofreu um acidente e cortou o braço brincando na rua. “Penso em empinar pipas e levar isso como meu esporte. Esse espaço é bom porque nos tirou da rua”, finaliza. 

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