Domingo, 21 de Julho de 2019
Cotação do crime

Com revistas mais rigorosas, celulares passaram a custar R$ 15 mil nas cadeias

Fiscalização está dificultando a entrada de aparelhos no sistema prisional, onde passaram ser ‘artigos de luxo’



clular_E27E648F-E788-4F2B-B571-424E4EC54BA5.JPG Celulares apreendidos durante revista em presídio de Manaus. Foto: Winnetou Almeida - 31/jan/2017
22/06/2019 às 15:25

Enquanto um smartphone padrão  custa, em média, entre R$ 2 mil e R$ 3 mil nas lojas de Manaus, os detentos de presídios da capital estão pagando até R$ 15 mil por qualquer tipo de telefone celular que chegar dentro das cadeias. Depois que equipamentos como scanners e raio-x corporal passaram a ser utilizados para monitorar as visitas, ficou muito mais difícil colocar um aparelho para dentro, segundo informa a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).

A escassez tornou o celular o objeto mais cobiçado entre os presos. A oferta de pagamento à vista por um preço muito além do que é praticado no mercado tem despertado o interesse de quem pretende ganhar um bom dinheiro de forma rápida, mesmo que arrisque a liberdade ou  a própria vida por isso.

No último dia 13, por exemplo, o detento Ewerton Freitas da Silva foi flagrado pelos seguranças da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), na Zona Leste da cidade,  com um smartphone Samsung modelo J7 escondido em seu ânus.

 Raio-x revelou que celular estava dentro do corpo de um detento. Foto: Seap/divulgação

O aparelho foi detectado quando Ewerton passava pelo raio-x corporal. Na ocasião, ele iria trocar de pavilhão e a revista é procedimento padrão nesses casos. A retirada do telefone  celular – que mede 15,25 cm x 7,73 cm, e pesa 155 gramas – do corpo do visitante só foi possível mediante intervenção cirúrgica, realizada no Hospital e Pronto-Socorro Doutor Platão Araújo. 

Apreensões 

Conforme os dados da Seap, ano passado foram apreendidos 1.185 aparelhos pelas equipes de segurança das unidades prisionais. Destes, 948 foram retirados de dentro das prisões durante as revistas nas celas e 237 durante a revista em visitantes na entrada, e também em arremessos por cima das muralhas.

No primeiro semestre de 2019, foram 272 apreensões. Destes, 261 foram apreendidos durante as revistas nas celas e 34 em revistas de visitantes e na tentativa de arremesso.
Para os criminosos presos, principalmente líderes de facções, ter um telefone celular dentro da cadeia é muito importante para manter a comunicação de dentro para fora da unidade. É por meio do telefone que chegam as ordens dos comandos, os chamados de “salves”.

A comunicação entre os criminosos presos e soltos  piorou ainda mais depois do massacre dos dias 26 e 27 do mês passado, quando 55 pessoas foram assassinadas em quatro  unidades prisionais da capital. 

As principais lideranças da matança foram encaminhadas para presídios federais fora do Estado, ao todo 17, e os que ficaram (18) estão no isolamento, em celas separadas até completar os 30 dias das mortes.

Buscas minuciosas

O alto preço dos celulares dentro das cadeias deve-se a dificuldade imposta pela administração das unidades, diz a Seap. Primeiramente, as cadeias são revistadas uma vez por semana, quando os agentes penitenciários com a ajuda da PM fazem buscas minuciosas à procura dos aparelhos.

Os aparelhos eletrônicos de revistas também tem ajudado a impedir a entrada não só de celulares, mas também drogas e  outros materiais.  

No caso do regime fechado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), onde acontecem as maiores rebeliões e fugas, a desativação do regime semiaberto, que funcionava ao lado, também favoreceu a não entrada de celulares. Era de lá que eram feitos os arremessos por cima da muralha. 

 Até drones já foram usados por criminosos para colocar drogas e celulares para dentro das cadeias.

Tecnologia

Equipamentos eletrônicos  auxiliam nas revistas de visitas de presos. Pelo raio-x passam todos os alimentos, materiais e equipamentos. As pessoas passam por outro aparelho semelhante aos que há nos aeroportos. Também há os detectores de metais manuais utilizados durante inspeções nas entradas.

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