Publicidade
Manaus
TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS

Pacientes na fila de transplantes dependem do tratamento fora do Amazonas

A coordenadora de transplantes, Leny Passos, disse que pacientes precisam aderir ao TFD para o transplante de coração 27/09/2017 às 21:09 - Atualizado em 28/09/2017 às 08:20
Show 5151
(Foto: Bruno Kelly - Arquivo/AC)
Danilo Alves Manaus (AM)

Aproximadamente 200 pessoas que precisam realizar transplantes de rim e fígado no Amazonas, onde os procedimentos estão suspensos por impasses administrativos, participam do programa de Tratamento Fora de Domicílio (TFD), da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), conforme dados das associações de apoio a pacientes que realizam tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS).

 O presidente da Associação de Pacientes de Fígado Transplantados, Jairo Freitas, contou que, devido à suspensão de transplantes e tratamento ambulatorial no Amazonas, antes e depois da cirurgia, o doente é pré-cadastrado automaticamente no programa.  “Como nenhum procedimento está sendo realizado no Estado, o procedimento voltou a ser como era antes: lista para transplantar fora do Estado. A diferença é que o TFD é feito através da ajuda de custos do Estado. Só depois que a Susam analisar, o paciente começa a receber o benefício. O processo demora algumas semanas”, disse Jairo.

Ele explicou ainda que 68 membros da associação realizam o tratamento em outros estados. “Hoje temos pacientes que tentam cirurgia no Rio Grande do Sul, São Paulo e Ceará”, contou Rosival, que lamentou o fado de apenas sete transplantes de fígado terem sido realizados no Amazonas, desde 2015. 

Sacrifício

Um dos pacientes que do TFD é Valdo Gomes, 44. Ele trabalhava como advogado, mas desistiu do trabalho quando contraiu hepatite, em 2012. Desde então ele busca alternativas para conseguir o transplante de fígado. “Meu tratamento é em São Paulo. A cada três meses eu vou ao hospital e eles receitam exames. Aqui em Manaus, eu vou até o hospital Adriano Jorge. Lá apenas um médico nos atende e receita os medicamentos”, explicou. “A situação é triste. Não tenho nem previsão de quando vou conseguir”, disse. 

Segundo Rosival Gomes, presidente da Associação dos Transplantados Renais, pouco mais de 100 dos 256 pacientes que estão na fila do transplante de rim realizam tratamento fora do Estado. Ele contou que, na última segunda-feira, o secretário da Susam, Vander Alves, anunciou o retorno de consultas e marcação de exames para pacientes pré e pós-transplantados, no Hospital Adriano Jorge, no bairro Cachoeirinha.  “Ele disse que o tratamento começaria na quarta-feira (ontem), para os pacientes que precisam de acompanhamento. Nós precisamos com urgência desse serviço novamente, caso não aconteça, pacientes podem morrer nas filas”, alertou. 

Reunião cancelada

As consultas e marcação de exames para pacientes pré e pós transplantados ainda não foram retomados, como prometido pelo titular da Susam, Vander Alves,  em reunião com representantes da ATR na segunda-feira. Uma outra reunião, que seria realizada ontem, na sede da Susam, foi cancelada. Segundo Rosivaldo Gomes, presidente da ATR, o secretário da Susam ligou prometeu reativar o serviço. “Mas eu não acredito mais em promessas”, disse.

Nenhum coração transplantado

Apesar do governo ter anunciado desde 2012 o início dos transplantes de coração, até hoje nenhum procedimento foi realizado pela Susam.   A informação é da coordenadora estadual de transplantes, Leny Passos. Na época, o hospital Francisca Mendes havia sido escolhido para fazer as cirurgias. 

“Foi implantado o projeto, mas não houve recurso para contratar a equipe médica que seria responsável pelo procedimento. Já estávamos com as salas do hospital separadas, mas até agora nada. Sem previsão”, explicou. 

Atualmente, os pacientes que precisam de transplantes no coração, assim como outras pessoas que necessitam de tratamento que não é realizado no estado, são cadastrados no Tratamento Fora de Domicílio (TFD), da Susam.  

Benefício aumentou, mas atrasa

Desde julho, o valor  do benefício do Tratamento Fora do Domicílio (TFD), subiu 49%.   O paciente que ganhava R$742,50 passou a receber R$1.1125, conforme publicação do Diário Oficial do Estado. 

O dinheiro deveria ser utilizado para custeio de alimentação e estadia do paciente e acompanhante, mas para a aposentada Maria das Dores, 67, o benefício só trouxe dor de cabeça. 
A aposentada, que ficou na fila de transplante por seis anos, conseguiu um novo rim através do TFD, uma vez que as cirurgias estão paradas no Amazonas. A cirurgia foi em São Paulo, em dezembro de 2016. Durante esse processo, ela denunciou que houve diversos atrasos no benefício. 

“Eles passam até dois meses sem pagar. Quem  tem condições de pagar uma passagem de três em três meses para outra cidade consegue tratamento, mas eu não tenho dinheiro para nada”, lamentou. 

Em 2016, o TFD realizou 2.601 atendimentos, ao custo de R$ 9.354.356,65 com passagens e R$ 3.535.940,00 com ajuda de custo.

TJ suspende paralisação 

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) determinou em caráter liminar que a paralisação dos cirurgiões vasculares dos hospitais públicos do Estado seja suspensa. A decisão também estipula uma multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento.

A ação civil pública foi movida pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE) contra o Estado do Amazonas e a União Vascular de Serviços Médicos (Univasc), sobre a paralisação das cirurgias. A preocupação era que pelo menos 134 pacientes, a maioria diabéticos, ficassem sem assistência nos próximos dias.

No documento divulgado ontem, a juíza Naira afirma que os médicos suspenderam suas atividades em razão do término do contrato com a Secretaria de Estado de Saúde (Susam), o que põe em risco a vida dos pacientes internados junto aos hospitais 28 de Agosto, João Lúcio, Hospital e Pronto Socorro da Criança da Zona Leste (Joãozinho) e Hospital e Pronto Socorro Platão  Araújo.

A magistrada ressalta ainda que o serviço público não pode parar suas atividades, pois sua paralisação total, ou até mesmo parcial, poderá acarretar prejuízos para a população e até mesmo indenizações. No fim do documento, Naira determinou que o Estado do Amazonas garanta a continuidade da prestação de serviços da cirurgia vascular. 

Pediatria

Os cirurgiões da Sociedade Amazonense de Patologias Pediátricas (Sapp), que prestam serviço ao Estado e estão com os repasses do pagamento dos últimos três meses atrasados, seguem paralisados por tempo indeterminado. A categoria atende o Hospital Infantil Doutor Fajardo e o Instituto de Saúde da Criança do Amazonas (Icam). Mais 72 duas cirugias neonatais e pediátricas foram suspensas desde o início da paralisação.

*Colaborou Alik Menezes
 

Publicidade
Publicidade