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Manaus
ÁGUA E EMPREGOS

Com venda de água no Centro de Manaus, comerciante conseguiu criar quatro filhas

É possível encontrar na capital amazonense diversas pessoas comercializando o tão importante recurso natural 21/03/2017 às 09:15
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Foto: Clovis Miranda
Isabelle Valois Manaus (AM)

O Dia Mundial da Água será celebrado amanhã, quarta-feira (22). O tema deste ano definido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para reflexão é “Água e Empregos”. Em Manaus, é possível encontrar em diversas esquinas pessoas vendendo o recurso natural, um dos mais importantes para a sobrevivência humana.

Um dos exemplos é Edson dos Santos Prisco, de 41 anos. Há 15 anos, ele sustenta a família com a venda de água. Desse tempo, seis são dedicados à venda de água no semáforo que fica entre as avenidas Sete de Setembro e Getúlio Vargas, no Centro da cidade.

Natural de Tabatinga (a 1.105 quilômetros de Manaus), Edson Prisco veio para capital acompanhar a mãe, que fazia tratamento contra um câncer no útero, e, desde então, nunca mais retornou para cidade natal. Como precisava colaborar no sustento da família, logo cedo ele foi procurar emprego, período no qual chegou a trabalhar como carregador em uma distribuidora. 

Após constituir sua própria família, Edson ficou desempregado. Nesse momento, ele, por ter a responsabilidade de sustentar a esposa e os  filhos, se  viu na obrigação de buscar uma solução para aquela situação. “Não pensei duas vezes e disse a minha esposa: ‘ vou a partir de hoje vender água nas ruas centrais de Manaus’. A água é minha esperança para este momento. Ninguém vive sem água. A cidade é quente e freguês não faltará, ainda mais andando nas ruas do  Centro”, ressaltou.

Até hoje a única fonte de renda da família de Edson é a venda de água. “Nunca vendi outra coisa a não ser as garrafinhas de água mineral. São 15 anos nesta missão e com essa venda criei e continuo a criar minhas quarto filhas. Agora, tenho mais um neto e um genro que também sobrevivem com a renda desta venda. Tenho muito orgulho por ter conseguido sustentar minha família com a venda de águas. Hoje a água é tudo em minha vida, até me emociono quando preciso falar algo sobre a importância dela em minha vida, pois foi na venda diária das garrafas que criei minhas filhas, isso é o meu maior orgulho ”, comentou.

Vendas ao longo do ano

No período do “inverno amazônico”, Edson conta que sempre há uma queda nas vendas. Como de costume, nesse período, ele consegue vender em média 50 caixas de água por dia. Cada caixa contém 12 unidades de garrafinhas de água. Por mês, o vendedor consegue ganhar um total de R$ 400. Conforme ele, no período do verão a situação é totalmente diferente. As 50 caixas por dia passam a ser 150 e a renda passa para R$ 1.5 mil.

“No meu caso, sempre guardo uma parte desse dinheiro para o período do inverno, pois todos os meses temos contas a pagar e a turma para dar o de comer. Se for depender dos R$ 400 não dará pra nada”, informou Edson. Morador do Grande Vitória, Zona Leste, o vendedor todos os dias chega ao centro por volta das 7h. Solicita as caixas e por volta das 8h começa a venda no sinal. Se a venda estiver boa, alonga o serviço para as 20h, mas caso esteja fraca até 19h termina o serviço e segue pra casa.

ONU propõe dia para refletir

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que, mesmo o planeta Terra sendo constituído aproximadamente 70% de água, apenas 0,7% de toda a água do mundo é potável, ou seja, adequada para o consumo humano.  O Dia Mundial da Água foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), através da resolução A/RES/47/193 de 21 de fevereiro de 1993, a qual determinou que o dia 22 de março seria a data oficial para comemorar e realizar atividades de reflexão sobre o significado da água para a vida na Terra.

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