Sábado, 15 de Maio de 2021
Pregão eletrônico

Comando Militar da Amazônia inclui chiclete e chantilly em licitação de R$ 18 milhões

Licitação prevê quase R$ 1 milhão para o gasto com barras de cereal. Só de chicletes são mais de 6 mil caixas, além de 2,5 toneladas de chantilly. A lista divulgada inclui 107 itens. Alguns deles foram cotados acima do preço médio encontrado nos supermercados



5544_15F7DDF0-1A85-4982-9DFA-927BF04260F6.jpg Foto: Arquivo AC
03/05/2021 às 07:49

Cerca de 42 mil caixas de barras de cereais, 60 toneladas de alface, 58 toneladas de batatas, três toneladas e meia de tucumã, 6100 caixas de chiclete, mais de 21 mil mantas de jabá, além de 2,5 toneladas de preparo para chantily. Estes são apenas alguns dos 107 itens alimentícios presentes em licitação para aquisição de gêneros alimentícios do Comando Militar da Amazônia, que estima gastar, por um período de oito meses, R$ 18.562.621,34.

A lista contém alguns itens  que são básicos, mas chama atenção a quantidade - e consequentemente os valores investidos. As 60 toneladas de alface por exemplo, somadas, custariam mais de R$ 1 milhão; as batatas sairiam por R$ 449 mil, se compradas na totalidade estipulada. O consumo estimado de barras de cereais supera a marca dos R$ 973 mil.



Entre as grandes quantidades, aparecem ainda 33 toneladas de cenoura, a um custo total de 21 toneladas de R$ 338 mil, e 21 toneladas de beterraba, valendo pouco mais de R$ 140 mil. No total, o edital identifica 191 itens, mas 84 deles aparecem duas vezes - como Cota de Reserva, dedicada a todos aqueles cujos valores previstos ultrapassam R$ 80 mil. Esta cota compreende a, no máximo, 25% da quantidade e só pode ser negociada com micro empresas, segundo explicação do Comando Militar da Amazônia, em nota.

A licitação é do tipo Pregão Eletrônico para Registro de Preços e não obriga necessariamente a compra de todos os valores e quantidades discriminadas no edital. “As aquisições serão de acordo com a demanda e disponibilidade de recurso”, afirmou o CMA, em nota, argumentando que houve 53% no valor previsto para registro de preços.

Além do comando do CMA, outras 12 unidades serão abastecidas pelos produtos adquiridos. São, segundo o Exército, 6807 militares lotados em Manaus - mas distribuídos em 23 organizações militares. “Porém, há, ainda, uma demanda variável ao longo do ano, em virtude das operações que ocorrem no CMA, o qual chega a receber em torno de 3.000 (três mil) militares, vindos de diversos locais do país, aumentando a quantidade de gêneros alimentícios consumidos”, sustenta o CMA.

A quantidade e a diversidade são, definitivamente, itens presentes no edital. Afinal, constam na lista desde itens regionais, como as quase 8 toneladas de tambaqui, as 5,3 toneladas de queijo coalho e as três toneladas e meia de tucumã, a outros produtos nada usuais na cozinha da região, como o alho-poró e a linguiça de carneiro - que deve ser embalada a vácuo e com ausência de peles na composição, conforme as especificações do edital.

O alho-poró e a linguiça de carneiro não são os únicos itens que chegam a surpreender, seja pelo volume de consumo estipulado ou pela própria presença na lista. Somente em salaminho fatiado, o CMA projeta o consumo de 1,6 tonelada - ao preço de referência de R$ 88,72 o quilo, com uma reserva financeira para o item de R$ 146 mil. Segundo o CMA, o salaminho é usado nas confeitarias das cozinhas dos quartéis, em cursos de confeiteiros do do 'Projeto do Soldado Cidadão', "destinado a preparar o soldado para o mercado de trabalho após o término do tempo de serviço obrigatório". O salaminho, no entanto, é muito mais utilizado em preparos de salgados do que de doces - principal objeto de estudo da confeitaria.

Os cursos de confeiteiros do Exército também são, segundo o CMA, o destino das 2,5 toneladas de preparo para chantily, que estão sendo cotadas, no total, a R$ 53.049,52. Mas há outros itens doces na lista, como o pé de moleque, cuja estimativa de consumo é de 14,9 toneladas conforme o edital. Caso tudo venha a ser adquirido, seriam mais de R$ 200 mil no item, que segundo o CMA integra os catanhos, que são os "lanches rápidos oferecidos em substituição a refeição, quando não há possibilidade de preparo da mesma, uma fonte de energia durante as missões realizadas pela tropa". No mesmo catanho, segundo o CMA, estão as barras de cerais, com consumo estipulado em 42 mil caixas por oito meses, cada uma com 24 unidades."(...) é um alimento prático, que fornece saciedade por conta do teor alto de fibras", sustenta o órgão.

Itens mais baratos que o previsto em edital

O Comando Militar da Amazônia informou que a fase externa do referido pregão ainda não começou e que pretende homologar o resultado em junho, com os serviços tendo validade por oito meses, podendo ser prorrogáveis por mais quatro meses, completando, então, um ano. "A vigência é contada à partir da data da Assinatura da Ata de Registro de Preços, com previsão de utilização em 2021 e alguns meses de 2022", afirma o CMA.

O critério, conforme o edital, é por menor preço. Portanto, caso algum fornecedor resolva cobrar abaixo do valor de referência divulgado no edital, ele está permitido, desde garanta a capacidade de entregar o produto. "A licitação, em linhas gerais, busca garantir a observância do princípio constitucional da isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa para a administração e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável. Portanto, as empresas que atenderem ao edital e ofertarem o menor preço, cumprindo os demais requisitos previstos, será a vencedora. Sendo assim, poderá haver várias empresas vencedoras, pois a disputa é item a item", afirmou o CMA, em nota.

Tendo como base o valor de mercado, alguns itens, em tese, poderiam custar bem menos e reduzir o assustador montante financeiro a ser utilizado pelo Exército. O alho, por exemplo, que está com o valor estimado de R$ 38,63 o quilo, pode ser encontrado em supermercados a R$ 22,90. A cebola comum, estimada em R$ 6,58, custa R$ 3,99 em uma rede da cidade. A cenoura, cotada pelo CMA a R$ 10,08, é facilmente comprada por R$ 4,49 pelos consumidores que pesquisam rapidamente em Manaus.

1º BIS terá maior parte dos recursos

Os itens alimentícios objetos da licitação serão distribuídos para o órgão gerenciador - no caso, o comando do CMA, e mais outros 12 órgãos ligados ao comando. Dentre os 12, o campeão nos recursos é o 1º Batalhão de Infantaria da Selva (1º BIS), responsável por R$ 5,489 milhões do total de recursos previstos para serem empregados.

Entre os itens 'campeões' no batalhão estão mais de R$ 400 mil em sucos, R$ 345 mil em barras de cereais e outros cerca de R$ 300 mil em alfaces. Em queijos, de três tipos, estão estimados R$ 274 mil em compras, segundo a tabela anexa ao edital.

Depois do 1º BIS, o local com maior emprego previsto de recursos é o Comando do CMA, com R$ 2,5 milhões. Além das barras de cereal - responsáveis por R$ 144 mil em recursos programados - os itens com maior reserva financeira foram a farinha de trigo (R$ 88 mil), o jabá (R$ 79 mil) e o feijão (R$ 78 mil), além dos pimentões - amarelos e vermelhos, com recursos previstos de R$ 77 mil.

Mais quatro órgãos ficaram acima de R$ 1 milhão em verbas para aquisição de itens alimentícios: o Hospital Militar de Manaus (R$ 1,8 milhão), o Comando da 12ª Região Militar (R$ 1,5 milhão), o 12º Batalhão de Suprimentos (R$ 1,3 milhão) e o Colégio Militar de Manaus (R$ 1 milhão).

Clique e acesse o pregão eletrônico na íntegra

 

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