Sexta-feira, 22 de Novembro de 2019
Manaus

Comerciantes da Manaus Moderna já amargam prejuízos com a cheia do rio Negro

Se as águas do rio Negro vierem a subir aos níveis alcançados há dois anos (29,97m), o prejuízo dos comerciantes amazonenses certamente será bem maior



1.gif Na cheia de 2012, as águas do rio Negro invadiram boa parte da avenida Eduardo Ribeiro, após transporem barreira da Manaus Moderna, o que prejudicou o comércio da área
09/04/2014 às 10:05

Quem tem comércio na área da Manaus Moderna fica preocupado quando chega essa época do ano, pois a enchente afugenta o consumidor do interior do Estado. Porém, se as águas do rio Negro vierem a subir aos níveis alcançados há dois anos (29,97m), o prejuízo certamente será bem maior. Por isso, alguns deles, já escolados com essa situação estabeleceram alguns “truques” para contornar as dificuldades que o período pode oferecer.

O empresário José Manarte (foto recortada), por exemplo, possui uma caderneta onde anota o nível do rio, semanalmente, para evitar surpresas desagradáveis. Ele é proprietário da tradicional Casa Manarte, localizada na Rua Barão de São Domingos, bem próxima à feira da Manaus Moderna. Por conta da proximidade com a orla do rio, a água invadiu a loja durante os picos da cheia, gerando uma queda de 50% nas vendas.



“Aquela cheia foi uma grande surpresa, mas não posso mais me permitir ficar desavisado. Por isso, ligo para o Porto toda semana e pergunto o nível da água, para tentar me precaver quando começar a aumentar. Como é um fenômeno natural, é uma das únicas coisas que posso fazer para evitar maiores prejuízos”, afirma.

Sidney Oliveira, conferente da Distribuidora Maceió, localizada na rua Joaquim Nabuco, revela que já está tendo prejuízos com a cheia deste ano. Como a maioria dos clientes dele residem em municípios afastados da capital, todos os estragos causados no interior do Estado estão refletido nas vendas da empresa.

“Já estamos tendo prejuízo, porque 90% dos nossos clientes são do interior, ou seja, se eles são afetados, se perdem dinheiro, nós também somos afetados e também perdemos dinheiro. Porém, os estragos poderiam ser maiores se não fossem os cuidados que temos durante essa época do ano. Desde a cheia de 2009, antes mesmo da grande cheia de 2012, a gente sempre compra menos produtos, porque já sabe que as vendas vão cair”.

Fé e economia

Já a cozinheira e proprietária do lanche Varejão do Peu, Rute Silva, confessa que não tem nenhum método para driblar a cheia, apenas reza, todo ano, para o nível da água ser menor que em 2012.

“A água invadiu metade do lanche naquela época, não tinha como trabalhar. Fiquei dois meses em casa, apenas acumulando dívidas. A única coisa que faço, desde lá, é não fazer nenhuma dívida e reservar dinheiro, para não ficar no vermelho caso tenha que fechar as portas novamente”.

De acordo com a previsão do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), divulgada no dia 31 de março, O nível do rio Negro este ano pode atingir a cota máxima de 29,49 metros.

Lojas já ‘desenham’ Dia das Mães

Faltam 11 dias para a Páscoa e o comércio de Manaus já está se preparando para uma data comemorativa do mês que vem: o Dia das Mães. De acordo com o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL), Ralph Assayag, as lojas mais distantes dos segmentos de doces, que são o grande forte da Páscoa, já estão “desenhando” a campanha para a data comemorativa de maio, considerada uma das mais importantes do ano para os lojistas. A previsão da sigla é de que as vendas subam 4% durante a semana do Dia das Mães, entre os dias 6 e 12 de maio. Ainda de acordo com Assayag, 400 funcionários devem ser contratados em maio para suprir a demanda do mês.Preço altoO comércio passou por maus momentos nos últimos dias. Ontem, por causa da greve dos ônibus, houve uma queda de 15% nas vendas, que chegou a atingir 25% no período da manhã.

Antes disso, por conta da greve de 46 dias dos servidores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Manaus), o comércio de Manaus teve cerca de R$ 170 milhões em produtos retidos em portos privados que cobram diárias pelo armazenamento de produtos. Todo esse prejuízo Será refletido nas compras do consumidor em forma de preços mais altos. A CDL estima que, dependendo da locação a mais paga, o preço de alguns produtos podem subir em até 10%.


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