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Comerciantes irregulares do conjunto Viver Melhor voltam ao local como ambulantes

Retirados de espaços públicos após ação da Polícia Militar, invasores passaram a ocupar a calçada do conjunto Viver Melhor, na Zona Norte de Manaus 20/12/2014 às 10:45
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Quem perdeu o ponto comercial tentou salvar as vendas como ambulante
Perla Soares Manaus (AM)

No primeiro dia após a reintegração de posse realizada no Conjunto Residencial Viver Melhor 1 e 2, no Santa Etelvina, Zona Norte, comerciantes que haviam sido retirados, um dia antes, de bancas irregulares montadas em área pública, deixaram os pontos fixos para se transformarem em vendedores ambulantes, ocupando, agora, as calçadas do residencial com a oferta de todo tipo de serviço.

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Luiz Fernandes Ferreira Freitas, 27, que vendia pão em um ponto comercial demolido durante a reintegração, na segunda etapa do conjunto, ontem continuava vendendo pão, mas em uma caixa de isopor na calçada. E desafiou o poder público ao avisar que vai continuar comercializando os produtos, única fonte de renda da família. “Hoje, quando acordei, olhei para o meu pequeno comércio no chão e deu um nó na garganta. Depois olhei para as pessoas procurando um local onde pudessem encontrar alguma coisa para comprar e não encontravam. Decidi vender mesmo sem um ponto”, disse.

E Luiz não foi o único a ter essa ideia. Na manhã de ontem, muitas pessoas que tiveram os comércios destruídos montaram bancas nas calçadas para vender o que não perderam durante a ação policial, como verduras e outros produtos. Aurineia Lima de Freitas, 30,  colocou as verduras que restaram em uma banca improvisada. “Tenho que vender  o que sobrou, e aviso: vou vender aqui na rua. Agora virei ambulante e não precisa nem quebrar tudo, eu mesmo desmonto, só não  posso  parar de vender”.

Carência

 A única feira que existe no conjunto fica na primeira etapa e, ontem, não supriu a necessidade dos moradores. Os produtos se esgotaram cedo e os preços aumentaram absurdamente, afirmou o comerciante José Rodrigo Costa Pessoa, 35. “Como soube que hoje (ontem) seria impossível encontrar alguma coisa aqui dentro, fui cedo na feira da etapa 1 e fiquei assustado com os preços. O tomate está custando R$ 2 a unidade”, reclamou.

Não  ter onde comprar produtos de necessidade básica é apenas  uma das dificuldades enfrentadas pelos moradores do residencial Viver Melhor, agora agravada pela falta de oferta. Para se ter uma ideia, o quilo do frango estava custando R$ 15 ontem.

A alta nos preços e a falta de oferta fez com que muitos moradores fossem até as casas dos comerciantes retirados pela polícia, à procura de alimentos. Núbia Vieira Gato, 34, foi uma das que foi “bater na porta” de um comerciante para preparar o almoço. “Tá difícil. O que  agente encontra ou está caro ou estragado”, reclamou. 

Sem opção nem dinheiro, muitas famílias, como a da moradora Marina Silva, 24, resolveram fazer um café da manhã coletivo, em que  cada um levou o que tinha em casa, do café a bolachas. “Foi o jeito que encontramos de não ficar sem café da manhã”.


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