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Manaus
falta de segurança

Comerciantes reclamam de demora na entrega de obra da Praça Adalberto Valle

Demora na revitalização da praça transformou o local em um refúgio para ladrões, prejudicando o comércio 08/05/2018 às 04:50 - Atualizado em 08/05/2018 às 08:00
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Protesto é a forma de chamar a atenção do poder público
Álik Menezes Manaus (AM)

Patrimônio Cultural Imaterial do Amazonas desde 2015, o bar O Jangadeiro, localizado na rua Marquês de Santa Cruz, no Centro histórico da capital amazonense, que completa sete décadas esse ano, corre o risco de fechar as portas. Além dele, outros quatro estabelecimentos comerciais também amargam prejuízo com as obras de reforma da Praça Adalberto Valle, que estão paralisadas há meses. O local agora virou esconderijo de assaltantes e o movimento nos comércios despencou nos últimos três anos devido aos assaltos frequentes que ocorrem a qualquer hora do dia.

Em 2015, o projeto de requalificação da praça foi aprovado, mas três anos depois o que se vê no local é o descaso. Segundo os comerciantes, criminosos se aproveitam para roubar, esconder ou praticam crimes no estreito corredor que foi feito no ano passado, quando as obras haviam sido reiniciadas. Segundo a Prefeitura de Manaus, a obra custará R$ 284,7 mil reais com recursos do Programa PAC Cidades Históricas, do Governo Federal, e está com 39,07% das obras concluídas.

“A gente não consegue mais pagar os funcionários. Os clientes sumiram porque está muito perigoso andar por aqui desde que colocaram tapumes para a reforma da praça, mas a reforma mesmo nunca aconteceu. O que aumentou nesses últimos anos foi o crime. Pessoas são assaltadas todos os dias. Quem é o cliente que vai querer vir para cá? Nenhum. Minha mãe morreu há dez meses, ela teve um infarto fulminante. Sabe o motivo? Não estamos conseguindo pagar as dívidas. Ela vivia estressada. É desesperador”, lamentou Rafael Vila Cova, atual dono do bar O Jangadeiro.

Segundo ele, se as obras não forem concluídas na Praça Adalberto Valle logo, será obrigado a fechar. Atualmente sete pessoas trabalham no bar, entre parentes e funcionários, mas o faturamento não está sendo suficiente para pagar fornecedores, água, luz e ainda pagar os trabalhadores. “É muito triste. São 70 anos de história, mas vamos ser obrigados a fechar. O movimento caiu em 80%, caiu demais. As pessoas têm medo de vir para essa região da cidade porque podem ser assaltadas e ninguém pode fazer nada”, disse.


Tradicional bar O Jangadeiro corre o risco de fechar as portas por causa dos assaltos e da consequente queda no movimento

Orlando Carmo de Souza, 54, que tem uma loja de confecções há 20 anos, disse que o aumento da criminalidade na área é reflexo da obra inacabada. “Os caras assaltam os clientes à luz do dia, mas a gente não pode fazer nada. Tudo culpa dessa obra que não começa e não termina. Meu faturamento diário era de R$ 5 mil, agora tem dias que não chega nem em 500 reais e eu tive que demitir funcionários”, contou.

A comerciante Liliane de Paula, 46, disse que as clientes estão com medo de andar naquela área. “Outro dia uma senhora entrou nervosa na loja. Ela não foi assaltada, mas se assustou ao ver outra pessoa ser roubada. Demos água e tentamos acalmar; essa tem sido a nossa rotina”, comentou.

José Correa Lima, 61, lamentou sobre o movimento do comércio dele. Em menos de três anos, o faturamento despencou em 60%. “Ninguém quer mais andar por essas bandas, essa obra parada deixa tudo muito perigoso aqui. Essas pessoas já sabem dessa má fama e nem se arriscam. É lamentável essa falta de consideração”, disse.

Abaixo-assinado

Há dois meses, os comerciantes da área fizeram um abaixo-assinado cobrando que as obras fossem retomadas. Foram mais de mil assinaturas, mas de nada adiantou. A obra segue parada. E depende de uma nova licitação para poder, finalmente, ser retomada e concluída. 

Obra depende de nova licitação

Em nota, a Prefeitura de Manaus, por meio da Coordenação Geral do PAC Cidades Históricas, informou que a Praça Adalberto Valle teve suas obras interrompidas em agosto de 2017, em função da construtora vencedora do processo de licitação ter pedido recisão do contrato.

A prefeitura informou ainda que por conta de achados arqueológicos encontrados no piso da rua Marquês de Santa Cruz, trecho compreendido entre a rua Miranda Leão e avenida Floriano Peixoto, o projeto de reforma precisou ser refeito, tendo sido aprovado junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na última sexta-feira (4).

O projeto aprovado seguiu para a Caixa Econômica Federal, onde uma nova planilha orçamentária está sendo feita. A partir daí, o projeto segue para nova licitação, para que sejam retomadas as obras.

Lentidão, entrega parcial e só promessa

Não só a Praça Adalberto Valle segue em compasso de espera no Centro da capital. Outras revitalizações prometidas para a região central da cidade não saíram do papel (como a orla da Manaus Moderna), foram entregues de forma parcial (como a Praça da Matriz)  ou ainda não foram entregues, como a Praça Tenreiro Aranha, cuja entrega foi anunciada para o fim do mês passado aos comerciantes do Centro em reunião.

A Prefeitura de Manaus também ressaltou em nota que não tem medido esforços para minimizar os impactos causados pelas obras que estão sendo realizadas no Centro Histórico de Manaus.
As obras, ressaltou a prefeitura, são “necessárias, neste momento, mas que vêm para melhorar a infraestrutura física dos locais, beneficiando a vida de quem transita ou mora nessas áreas, obedecendo os trâmites legais”.

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