Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
PERIGO

Comerciantes vivem 'atrás das grades' para fugir da violência

Comércios e mercadinhos da capital investem pesado em câmeras e grades para evitar os assaltos constantes



1089021.jpg Comércio no Hiléia investiu em segurança e só autoriza a entrada de pessoas no estabelecimento após identificar as mesmas (Aguilar Abecassis)
30/05/2016 às 13:53

“Mesmo com câmeras e grades, temos mesmo que entregar nas mãos de Deus”. A frase é de uma comerciante de 53 anos. Ela descreve, para a reportagem de A CRÍTICA, o que precisou fazer para evitar que seu estabelecimento continuasse no alvo dos criminosos no bairro Hiléia, na Zona Centro-Oeste de Manaus. Ela é apenas mais uma profissional que com o crescimento da criminalidade, precisa literalmente “viver atrás das grades”, para conseguir trabalhar com um pouco mais de paz na capital amazonense.

Conforme a comerciante, que terá seu nome preservado, os assaltos eram constantes em seu estabelecimento. Foi então que há cinco anos, a família investiu em torno de R$ 5 mil para gradear o seu mercadinho e também colocar 16 câmeras no local. “As portas só são abertas se acionarmos o botão. Aí, o cliente pode entrar e fazer suas compras. Quando é desconhecido ou pessoas com capacetes, não atendemos”, disse o filho da comerciante, Paulo Faleiros, de 23 anos. Ele também explicou que após o investimento, ação dos criminosos diminuiu drasticamente. O comércio da família chegava a ser assaltado em média de uma vez por mês. “Mesmo com toda essa segurança, entrego nas mãos de Deus e peço a proteção. Eles assaltam ao redor, mas não entram mais por aqui. Era sempre do mesmo jeito. Eram dois homens e uma moto. Eram agressivos e não se importavam com clientes”, descreveu a proprietária do mercadinho.

Tem que rezar

Para quem não tem condições ainda em poder gradear seu estabelecimento, o que resta mesmo é pedir a Deus para que nada aconteça. Este é o caso de outro comércio, também no bairro Hiléia, que já foi alvo diversas vezes da ação dos bandidos. Os proprietários contaram para o MH, que por conta do local ser todo aberto, a alternativa é abrir mais cedo para fechar mais cedo. No bairro Alvorada, na Zona Oeste, não é diferente. O MH visitou alguns mercadinhos e os comerciantes que pediram para não ter o nome revelado, disseram que temem que algo ruim aconteça. “Meu mercadinho é gradeado, porém durante o dia ele fica todo aberto. Quando chega 18h30 eu fecho e atendo somente por trás das grades”, disse um comerciante.  O que resta para os trabalhadores é contar sempre com a polícia e também a sorte.

Reincidência em alta

A capitã que cuida da área da 17° Companhia Interativa Comunitária (CICOM), Marcilene Moraes, relatou que a maioria dos crimes de assaltos, furtos e roubos são cometidos por reincidentes.

“Na maioria das vezes os crimes são cometidos por suspeitos que saíram há pouco tempo da cadeia. Porém eles vão lá e fazem tudo de novo”, disse. A capitã acrescentou também que a maioria dos casos não são registrados na Delegacia de Polícia Civil. Ela alegou que o policiamento é constante e que também pede a colaboração da população para que os casos sejam denunciados.

“Mesmo que os mercadinhos tenham grades ou não, o cuidado tem que ser redobrado. Mercadinho é um ponto vulnerável e o bandido sabe que ali sempre vai ter dinheiro”, alertou.

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