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Comércio irregular de peixes ao lado do Mercado Adolpho Lisboa prejudica permissionários

Subida do rio Negro facilita a venda de peixes na travessa Tabelião Bessa, incomodando os permissionários do mercadão Adolpho Lisboa 01/06/2015 às 10:38
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Canoeiros aproveitam subida do rio Negro para comercializar o pescado, apesar da proibição
Luana Carvalho ---

Dois meses depois de A CRÍTICA ter denunciado o comércio irregular de peixes na travessa Tabelião Lessa, ao lado do Mercado Municipal Adolpho Lisboa, no Centro, a situação piorou. Agora com a subida do rio Negro vários vendedores ambulantes de frutas e verduras também instalaram seus carrinhos de mão no local, concorrendo com os permissionários do mercado.

Dentro do mercado, onde os feirantes foram capacitados e treinados para atender o público, a clientela é quase imperceptível. Um ou outro cliente prefere comprar no Mercadão e não se arriscar ao consumir peixes de procedência duvidosa. Mas o movimento forte é mesmo do lado de fora, onde canoeiros expõem o pescado ao sol, lavam  o pescado nas águas do rio Negro e pechincham com os clientes enquanto consomem bebida alcoólica.

“Nós passamos por pelo menos cinco cursos para atender o público. Somos peixeiros profissionais. Pagamos para trabalhar neste local e higienizamos nossos balcões. Prezamos pela saúde e bem estar dos clientes”, relatou o feirante Altenir Alves, 52,  que trabalha no mercado há 40 anos.

“Não é justo que essas pessoas, que só vendem peixe para comprar cachaça, enganem os clientes. Eles falam que são peixes frescos, mas não são. Vendem mais barato porque compram o pescado que já está quase estragado, colocando em risco a saúde da população”, complementou.

Além da falta de higiene, quem compra peixe do lado de fora do mercado também fica a mercê da falta de segurança. “Pagamos nossos impostos, temos vigilantes no mercado, que por sinal, custou caríssimo para ser reformado. Foi um trabalho muito bonito, mas que estamos vendo ir por água abaixo. Isso sem falar que constantemente esses canoeiros brigam e se esfaqueiam”, relatou o feirante Orlando Rodrigues, 67.

Lei municipal não é cumprida

O presidente do Sindicato dos Feirantes de Manaus, Davi Lima, informou que há vários anos tenta alertar as autoridades sobre essas pessoas que vendem produtos estragados.  “O Prefeito Arthur Neto fez um  investimento tão grande com dinheiro público,  mas hoje os feirantes não têm para quem vender seus peixes, frutas e verduras.  Estamos dispostos a entrar com uma ação civil pública, pois além da concorrência injusta, eles comercializam produtos impróprios para o consumo humano”, enfatizou Lima, ao acrescentar que os ambulantes atrapalham os feirantes da Manaus Moderna e do Mercado Municipal  Adolfo Lisboa.

Davi destacou a lei municipal 123/2004, que diz que em um raio de 200 metros de uma feira não pode haver o comércio de ambulantes.

A Secretaria Municipal de Trabalho, Empreendedorismo, Abastecimento, Feiras e Mercados (Semtef), David Valente Reis, informou que irá intensificar a fiscalização na Travessa Tabelião Lessa para coibir a presença de vendedores de verduras e fruta no local. Para a instalação do outro portão, será necessário aguardar o rio secar pois ele será instalação debaixo da ponte. O Secretário da Semtef irá fazer uma fazer um reunião com a Capitania dos Portos para discutirem sobre a situação dos canoeiros que vendem peixes irregularmente naquela área.

No ano passado, a prefeitura instalou um portão e informou que câmeras também seriam instaladas na travessa Tabelião Lessa e nos arredores do Mercadão para que o local fosse monitorado, no entanto, o comércio irregular continua funcionando todos os dias.

Cheia ajuda os canoeiros

Com a subida das águas, as canoas são atracadas ainda mais perto da rua. Os vendedores irregulares  também jogam as sacolas de peixes pelo muro. Os peixes são manuseados sem nenhuma higiene e vendidos a preços muito inferiores aos encontrados nas feiras e mercados licenciados. A espécie de peixe pirapitinga, por exemplo, é vendida por até R$ 20 no comércio irregular.

Mas há quem prefira não optar pelo barato, que muitas vezes pode sair caro. “Devemos valorizar e incentivar quem trabalha da forma correta. Aqui no mercado a gente não sente nem cheiro ruim. É tudo bem limpo e os peixes são de qualidade. Prefiro comprar aqui do que me arriscar e pegar uma doença ao consumir um peixe que eu nem sei de onde veio”, comentou o universitário Jonathan Alencar, 24, que vai à feira todos os domingos com o pai.

Números

Em números, 17 milhões de reais foi o custo da reforma do Mercado Adolpho Lisboa, que ficou sete anos e seis meses entre obras e embargos para passar pela revitalização. A obra foi entregue no dia do aniversário de Manaus, em 24 outubro de 2013.

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