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Comércio varejista de Manaus faz sucesso mesmo em tempos de crise econômica

Embora os números sejam pequenos, o setor conseguiu fechar o primeiro semestre com um saldo positivo  03/08/2015 às 09:40
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O resultado, ainda que positivo, é considerado empate técnico, uma vez que há mais lojas este ano do que na mesma temporada do ano passado
SILANE SOUZA ---

Apesar do ano difícil para a economia brasileira, o comércio varejista de Manaus conseguiu fechar em alta de 0,58% o primeiro semestre de 2015 frente à igual período de 2014. O resultado, ainda que positivo, é considerado empate técnico, uma vez que há mais lojas este ano do que na mesma temporada do ano passado, de acordo com a Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL Manaus).

Segundo o presidente da entidade comercial, Ralph Assayag, foram inauguradas mais de 600 lojas em Manaus do último trimestre de 2014 ao primeiro de 2015. Esses novos empreendimentos fizeram com que o setor se mantivesse estável mesmo em meio à crise. “Não foi um crescimento, só não conseguimos ser negativos. A abertura das novas lojas resultou no número maior de pessoas contratadas e no resultado das vendas”, afirma.

Já as vendas do comércio varejista do Amazonas, no acumulado de janeiro a maio deste ano, apresentou retração de 5,2% em relação ao mesmo período de 2014, de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), apresentada no dia 14 de julho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Porém, a receita nominal do setor cresceu 1% no mesmo período. O órgão ainda não divulgou o levantamento do mês de junho.

O vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas (Fecomércio-AM), Aderson Frota, confirmou a queda nas vendas do setor no Estado. Segundo ele, entre os fatores que comprometeram o crescimento do comércio está a alta do desemprego, a diminuição de renda dos trabalhadores e o encarecimento do dinheiro, que em julho de 2014 custava 7,25% (taxa Selic) e hoje custa 14,25%, ou seja, o dobro.

O efeito disso tudo, conforme Frota, é que, quem não estava devendo passa a dever, quem já devia passa a ser inadimplente e quem é inadimplente fica negativado, não tem acesso ao mercado de consumo. Nesse caso, a inadimplência dos consumidores impacta diretamente nas vendas do comércio. “O setor é mais prejudicado porque o consumidor está inadimplente. Só no mês passado, 65% das famílias brasileiras estavam inadimplentes em todo o País”, aponta.

Para Frota, a economia automaticamente teve redução em sua trajetória desde o final de 2013, mas se o Governo conseguir fazer suas tarefas, a iniciativa privada com certeza dará resposta positiva em termos de arrecadação. “Estamos esperado que 2016 seja um ano, não de recuperação total, mas melhor que 2015”, observa.

Setor de alimentos vai muito bem

Alguns segmentos estão com as vendas estáveis, como de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas, e de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos. Já outros sofrem mais com a crise, como as atividades de móveis, eletrodomésticos, livros, jornais, revistas e papelaria. Essa variação, segundo a presidente da Associação dos Lojistas do Amazonas Shopping (Alasc), Mercedes Braz, levou o centro comercial a ter uma queda de quase 10% nas vendas deste ano.

A crise também chegou a afetar as vendas da Tropical Multiloja. Mas segundo o gerente de marketing do Grupo, Thiago Grillo, a empresa trabalha da melhor forma possível para minimizar os impactos. Negocia melhor com o fornecedor, trabalha na questão da publicidade, busca oferecer o diferencial aos clientes. “É preciso mudar a cada ano para poder sobreviver ao mercado”, diz. O Grupo tenta superar em 10% as vendas do Dia dos Pais.

Destaque

O vice-presidente da Fecomércio-AM, Aderson Frota, relatou que há um fator animador para o comércio. A melhora do Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec), que apresentou aumento de 1,8% de junho para julho.


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