Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019
MOEDAS

Comércios de Manaus adotam estratégias para pôr moedas em circulação

Conforme projeção do Banco Central, pelo menos oito bilhões de unidades metálicas estão esquecidas/entesouradas em todo o território nacional



1252048.jpg (Foto: Evandro Seixas)
24/07/2017 às 12:17

Elas estão cotadas em R$ 0,05, R$ 0,10, R$ 0,25, R$ 0,50 e R$ 1, mas o valor não é nada comparado com a falta que fazem no mercado. Uma fortuna de pelo menos R$ 2,26 bilhões em moedas está fora de circulação, perdida dentro das gavetas ou nas carteiras. Conforme projeção do Banco Central, pelo menos oito bilhões de unidades metálicas estão esquecidas/entesouradas em todo o território nacional.

A quantia monetária estimada se baseia na produção do milheiro de R$ 0,05, que é a moeda com o menor custo de fabricação (R$ 282,13/milheiro). Se levasse em conta o estabelecido para o milheiro de R$ 0,25 (R$ 455,10/milheiro), este valor "perdido" no país seria de R$ 3,64 bilhões.

Com intuito de fazer o dinheiro de metal voltar a circular, especialmente para garantir o troco nas transações comerciais, alguns estabelecimentos de Manaus têm adotado uma série de medidas. É o caso do Baratão da Carne. Quem entra em uma das seis filiais da rede de supermercados encontra logo uma placa com o pedido: "Troque suas moedas".

Para incentivar os consumidores, o grupo acrescenta 3% sobre a quantidade trocada, garantindo que o cliente leve produtos ao preço da soma das moedas mais o percentual.

Em outros empreendimentos espalhados por Manaus, o uso da máquina "CataMoeda" é a solução para a falta de troco. O sistema está em operação em quatro unidades do grupo "Santo Remédio".

De acordo com a analista de marketing do grupo Nataly Silveira, os clientes têm avaliado a experiência como positiva. "Torna-se um atrativo para os clientes como forma de ganhar Vale-Compras, além de facilitar o abastecimento de moedas nas lojas solucionando o problema da falta de troco", pontua.

A rede de supermercados DB também faz uso da mesma estratégia. Segundo o gerente de marketing Guto Corbett, embora não resolva o problema de falta de troco de forma integral, já que nem todos os clientes têm conhecimento sobre o método, as máquinas auxiliam bastante o empreendimento. Ao todo, 13 lojas da rede possuem o sistema, entre elas as unidades do Parque Dez, da Djalma Batista, do Campos Elíseos, do Nova Cidade e do Distrito Industrial. "Com a máquina, fica mais fácil descartar este dinheiro. É um jeito das pessoas serem estimuladas a trocar e ainda é bem mais simples que fazer isso nas agências bancárias", assevera.

Avaliação

O designer Lucas Santos, 34, diz que costuma reservar diversas moedas em cofres espalhados pela casa e de vez em quando mexe nas "poupanças". Ele comenta que poderia trocar todas de uma vez só, mas o fato de ter que enfrentar as filas nos bancos já causa "indisposição". Por isso, acredita que quanto mais o comércio utilizar estas estratégias, mais estimulados ficarão os consumidores. "Preciso ir direto ao supermercado, então agora vou começar a levar as moedas para trocar", ressalta.

A comerciante Conceição Silva, 44, afirma que quando pode - sempre prezando pela segurança - leva um saco de moedas para trocar nas máquinas e já pensa até em adotar em seu mercadinho. "É uma estratégia bem divertida e ainda estimula a circulação das moedas, solucionando um problema que todo o setor comercial enfrenta", observa.

Cidade tem 22 máquinas

Pouco mais de um ano da chegada da primeira "CataMoeda" na capital amazonense, mais de R$ 1,03 milhão em moedas retornou ao mercado. Ao todo, 2,35 milhões das peças metálicas foram coletadas. Hoje, estão instaladas 22 máquinas em Manaus. A primeira foi instalada em junho de 2016. Desde lá, mais de 12 mil depósitos foram realizados.


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