Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
Manaus

Comissão de Minas e Energia, da Câmara Federal, e TCU fiscalizarão concessionária por causa de apagões

Será realizada uma auditoria na Eletrobras Amazonas Energia para verificar a qualidade dos serviços prestados e a eficácia das medidas fiscalizadoras adotadas pel ANEEL



1.jpg Em um dos últimos blecautes, no dia 12 de julho, o sistema da Eletrobras Amazonas Energia desligou preventivamente três usinas termoelétricas em Manaus
31/08/2013 às 08:23

Por causa dos recorrentes apagões, que tem deixado Manaus e as cidades da região metropolitana às escuras, a Comissão de Minas e Energia, da Câmara dos Deputados, com auxílio do Tribunal de Contas da União (TCU), vai realizar uma auditoria na Eletrobras Amazonas Energia para verificar a qualidade dos serviços prestados, o nível de investimentos feitos pela concessionária de energia elétrica e a eficácia das medidas fiscalizadoras adotadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Aprovada no último dia 22 de agosto, na CME, a Proposta de Fiscalização e Controle (PFC) a ser realizada na Eletrobras Amazonas Energia, de autoria do deputado federal Carlos Souza (PSD-AM), também vai fazer um levantamento dos custos e da execução de toda a obra da linha de transmissão Tucuruí-Macapá-Manaus, conectada, em caráter experimental, desde 9 de julho de 2013 e integrando a capital do Amazonas e os municípios de Iranduba, Manacapuru e Presidente Figueiredo ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Ao justificar o pedido de fiscalização e controle, por meio de auditoria operacional, Carlos Souza afirma que a falta de energia tornou-se rotina na vida da população da cidade de Manaus, que deixou de ser o principal centro financeiro e econômico da Região Norte para ser a capital do apagão. “Os seguidos blecautes têm levado o caos à vida dos cidadãos/contribuintes, que são submetidos a todos os dissabores. Os agastamentos vão desde a simples escuridão no interior de suas residências, às vias engarrafadas devido à falta de sinalização, ou mesmo à interrupção fornecimento de água”, alega o parlamentar.

Na opinião de Souza, os problemas ocorrem em razão da ausência de investimentos na rede de distribuição de energia, que não acompanharam a crescente demanda. O deputado afirma ainda que as contínuas interrupções têm provocado perdas a todos os segmentos da economia, principalmente às empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) sejam os fabricantes de aparelhos elétricos, eletrônicos e termoplásticos às demais dos ramos de metalurgia, siderurgia, da cadeia petroquímica, e as fabricantes de cerâmica e vidro.

“É oportuno e conveniente que o TCU promova essa auditoria para verificar se as obrigações assumidas e os serviços prestados pela Eletrobrás Amazonas Energia para com a população amazonense vêm sendo cumpridos”, argumenta o deputado Carlos Souza.

Foram cinco casos ao longo de 2012

Na Proposta de Fiscalização e Controle (PFC), aprovada pela Comissão de Minas e Energia, da Câmara dos Deputados, constam que em 2012 Manaus sofreu com cinco apagões. No dia 6 de janeiro, a capital ficou às escuras por três horas durante um temporal. Em março, um rompimento do cabo de para-raios em uma das estruturas de transmissão de energia interrompeu o fornecimento de energia elétrica por duas vezes em menos de 24 horas. Em setembro, a falta de energia elétrica atingiu toda Manaus à noite. Os municípios de Presidente Figueiredo, Iranduba e Manacapuru também enfrentaram um apagão. No final de outubro, um forte temporal com ventania fez com que 25% da capital ficasse sem energia. Em alguns pontos da cidade, o blecaute durou até três dias. A tempestade rendeu à Amazonas Energia registro recorde de cinco mil ocorrências. Na tarde de 27 de novembro de 2012, o fornecimento de energia elétrica foi interrompido e prejudicou o trânsito das cinco zonas de Manaus. Houve também aumento da insegurança.

Manaus interligada ao ‘ONS’

O relatório do Operador Nacional do Sistema (ONS) registrou a interligação de Manaus e os municípios de Iranduba, Manacapuru e Presidente Figueiredo ao Sistema Interligado Nacional (SIN) em caráter experimental.

A Eletrobras Amazonas Energia informa que as obras necessárias para a realização da interligação foram concluídas e a conexão ao SIN foi efetivada. Mas, ainda há obras que estão em execução para complementar o novo sistema de transmissão de energia elétrica de Manaus e estas deverão ser concluídas até dezembro deste ano.

De acordo com a direção da concessionária amazonense, serão desligadas algumas unidades geradoras menos eficiente nos próximos anos. “Porém, outras unidades geradoras que operam por meio de óleo combustível e outras que operam utilizando o gás natural, como fonte de energia elétrica, devem seguir operando para a complementação do parque gerador de energia da região, mesmo porque, todo e qualquer sistema elétrico não é composto por apenas uma única fonte geradora”. Segundo a Eletrobras Amazonas Energia, cabe ao ONS determinar quais as fontes de energia que serão utilizadas em cada região do SIN.

A construção da nova Usina Termelétrica (UTE) Mauá 3, em 580 MW, deverá substituir algumas usinas a óleo em Manaus até 2015. “Nos dias atuais, cerca de 11 mil MW operam com geração térmica em todo o Brasil. Do total desta energia, em média, podemos dizer que são gerados em Manaus aproximadamente 550 MW a gás natural e 200 MW com óleo diesel”, informa a direção da empresa.

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