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Comissão Interventora comenta problemas expostos do prédio da Santa Casa de Misericórdia

Segundo Tiago Queiroz, membro da Comissão Interventora, a ideia trabalhada junto com a Susam é de que o prédio seja usado como sede do Centro de Reabilitação Albergue Sá Bandeira 23/12/2015 às 17:46
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Parecendo um cenário de guerra, a instituição serve de casa para muitos moradores de rua e usuários de drogas
Rafael Seixas Manaus (AM)

Fechado há onze anos, o prédio da Santa Casa de Misericórdia está repleto de lixo, infiltrações e com alas completamente devastadas por ação de vândalos que entram na instituição para saqueá-la, levando principalmente telhas de barro e fios de cobre. Localizado na Rua Dez de Julho, no Centro de Manaus, o prédio serve de casa para moradores de rua e usuários de drogas. Como praticamente não existe mais telhado, as chuvas castigam cada vez mais as dependências e, por isso, há muitas salas com água parada (assista ao vídeo), o que pode facilitar o desenvolvimento do mosquito aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika.

O membro da Comissão Interventora da Santa Casa de Misericórdia, Tiago Queiroz, explicou que no prédio tenta-se fazer a segurança patrimonial, porém o número de seguranças é insignificante.

“O que  ocorre é que três vigilantes é um número ínfimo para o tamanho do prédio. São mais de 11 mil metros quadrados no Centro. Por mais que a Polícia Militar e Civil apresentem algumas estratégias para inibir a ação desses meliantes, tudo é muito incipiente e insuficiente. Existem pontos de distribuição de drogas que são adjacentes à Santa Casa, e isso é de conhecimento público, mas infelizmente o Estado de um modo geral não faz nada para coibir esse tipo de atividade ilícita”, explicou o advogado, revelando ainda que os seguranças são disponibilizados pelo Estado do Amazonas por meio de um contrato firmado entre a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam) e a própria empresa de vigilância Visam.

“Recentemente, o secretário da Casa Civil do Amazonas, doutor Raul Zaidan, disse que a Polícia Civil fará uma intervenção mais aguda para conter o avanço do tráfico de entorpecentes e do uso de drogas na área. Então vou esperar para que agora em dezembro ou no começo de janeiro essa ação atinja o nível máximo de eficácia a que ela se dispõe”, complementou.

Sobre a água empossada em vários salões do prédio, Queiroz explicou que o Departamento de Vigilância e Promoção à Saúde é acionado pela Comissão Interventora a cada três meses para fazer uma limpeza e disparar o fumacê que mata a larva dos mosquitos.

“Os canos são reparados sistematicamente por nós. A gente repara, as pessoas entram, depredam, a gente repara e fica nesse círculo vicioso. Nós não temos recursos da Santa Casa parafazer esse tipo de reparo. Sai do meu bolso, do professor Joaquim Loureiro e do Claudivan Ozório [todos integrantes da comissão]”, afirmou.

Sinal vermelho

O advogado informou que o processo de desapropriação do prédio está parado no Ministério Público. De acordo com ele, a atual dívida da instituição é de R$ 8.403.140,05.

“O processo no Ministério Publico está parado. A crise econômica e financeira que assola o País infelizmente retardou o processo de pagamento da indenização derivada dessa desapropriação. Tenho estado constantemente na Casa Civil e na Susam sempre requerendo o pagamento dessa indenização, mas o Estado reforça o discurso que vai honrar o compromisso de desapropriar a área para soerguer uma nova unidade de saúde pública, mas que postergou o pagamento desse compromisso por conta da crise”,declarou.

Ainda de acordo com ele, o que vem sendo feito nos bastidores entre a Susam e a Comissão Interventora é alinhavar o projeto do que funcionará na nova unidade de saúde, mas que ainda carece de aprovação do governador.

“Em nível de Susam isso já foi aprovado, fizemos uma reunião, o secretário [Pedro Elias de Souza] endossou a nossa ideia, todavia carece de ratificação por parte do governador do Estado. Isso deve ser decidido até o início do ano que vem”, revelou.

Nova proposta

A ideia do prédio da Santa Casa de Misericórdia se tornar um hospital do câncer voltado ao público infanto-juvenil já foi deixada de lado. 

“Foi abandonada por conta da inviabilidade de construir um hospital naquele local. Hoje as normas de saúde, por conta das exigências legais e normativas que cuidam da matéria, são gigantescas. Fizemos um estudo e a conclusão desse trabalho foi que seria inviável a implantação de um hospital naquele local. Todavia a ideia que se mostrou mais plausível, viável e econômica, dado o financiamento federal, é a instalação de um centro especializado em reabilitação para cuidar exatamente da última etapa do tratamento médico que é a mais negligenciada no SUS”, disse o integrante da Comissão Interventora.

“O Centro de Reabilitação Albergue Sá Bandeira tem sido a ideia trabalhada tanto pela Susam quanto pela Comissão Interventora para que a Santa Casa de Misericórdia volte a cuidar da população mais carente e ofereça serviço de qualidade nessa área”, finalizou. 

ComissãoInterventora comenta problemas expostos no prédio e revela que Santa Casa deMisericórdia deve virá um centro de reabilitação 

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