Publicidade
Manaus
Juma

Comitê Olímpico admite erro na exibição de onça-pintada em cerimônia do Cigs

Onça-pintada morreu após ao ser baleada durante fuga da jaula. Processo foi aberto para investigar o caso. Segundo o Ipaam, órgão não autorizou participação de onça no evento da tocha olímpica 21/06/2016 às 16:27 - Atualizado em 21/06/2016 às 16:35
Show onca juma que foi morta apos participar do revezamento da tocha 1466520667415 v2 900x506
Onça participou de cerimônia da Tocha Olímpica no Cigs, mas foi abatida após ter tentado atacar militar (Foto: Ivo Lima/ME)
acrítica.com Manaus (AM)

O Comitê dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 se pronunciou na tarde desta terça-feira (21) sobre o caso envolvendo a onça-pintada Juma, que morreu após ser baleada no Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs) . O conselho afirma que “errou ao permitir que a tocha fosse exibida ao lado de um animal selvagem”. Um processo administrativo deve ser aberto para apurar o caso.

O comunicado foi emitido na página oficial do comitê no Facebook por volta das 15h. Na nota, a representação afirma que errou ao permitir a utilização da onça Juma na cerimônia. “Erramos ao permitir que a Tocha Olímpica, símbolo da paz e da união entre os povos, fosse exibida ao lado de um animal selvagem acorrentado. Essa cena contraria nossas crenças e valores”.

O conselho também lamentou sobre o abate do felino. “Estamos muito tristes com o desfecho que se deu após a passagem da tocha. Garantimos que não veremos mais situações assim nos Jogos Rio 2016”. Confira o post: 

Morte de Juma

A onça-pintada Juma, mascote do 1º Batalhão de Infantaria de Seva (1º BIS), que escapou da sua jaula no zoológico localizado dentro do Cigs na manhã de ontem, morreu após ser baleada com tiro de pistola. A informação foi confirmada pelo Comando Militar da Amazônia (CMA) durante a tarde. Segundo o CMA, o animal teria avançado em um militar após ser resgatado e precisou ser abatido. A onça participou da cerimônia de apresentação da Tocha Olímpica no Cigs na segunda-feira.

De acordo com o coronel Evelyn, chefe da 5ª Seção de Comunicação do Comando Militar da Amazônia, do Exército Brasileiro, o felino fugiu no momento em que era recolocado na jaula. "Ela fugiu de fato. Ela fazia parte da apresentação (da Tocha Olímpica), mas escapou muito depois (da passagem) da Tocha”, disse Evelyn.

Segundo nota emitida pelo CMA no final da tarde, uma equipe de militares composta de veterinários especializados no trato com o animal foi resgatá-lo. 

“O procedimento de captura foi realizado com o disparo de tranquilizantes. O animal, mesmo atingido, deslocou-se na direção de um militar que estava no local. Como procedimento de segurança, visando a proteger a integridade física do militar e da equipe de tratadores, foi realizado um tiro de pistola no animal, que veio a falecer”, informou a nota do Comando.

Estresse pode ter sido causa

Para o pesquisador Emiliano Ramalho, do Instituto Mamirauá, o alto grau de estresse provocado pelo evento pode ter sido a causa da reação de ataque do animal. “Sou contra. Por mais que sejam dóceis, eles são animais selvagens e não têm controle sobre eles. A onça é um animal de topo de cadeia alimentar. Esse tipo de ataque é uma péssima repercussão para a espécie porque onças não atacam pessoas”, declarou.

Ipaam aguarda posicionamento do CMA

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), órgão responsável pela investigação da morte da onça Juma informou ontem que aguarda um posicionamento oficial do CMA. O órgão salientou que autorização da onça Juma não foi solicitada para participar do evento da passagem da tocha olímpica. O Ipaam informou, ainda, que o CIGS está em processo de licenciamento após o repasse do processo pelo IBAMA e foi vistoriado em novembro de 2015. O CMA possui licença vigente de mantenedor de fauna silvestre com a vistoria realizada em dezembro de 2015.

Publicidade
Publicidade