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Manaus
Terror e violência

Comunidade árabe no Amazonas repudia ação de suspeito de planejar ato terrorista

Representante do Centro Islâmico do Amazonas, Walid Saleh, condenou a atitude do homem preso em Manaus pela Polícia Federal por agir em favor do Estado Islâmico e preparando ataques para o Rio 2016 22/07/2016 às 16:08 - Atualizado em 22/07/2016 às 20:06
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Presidente do Centro Islâmico do Amazonas, Walid Ali Musa Saleh (Foto: Evandro Seixas)
Juliana Geraldo Manaus (AM)

Surpresa e tristeza. Esses foram os principais sentimentos expressados pelo diretor do Centro Islâmico do Amazonas, Walid Saleh, em relação ao suspeito de participar de organização ligada ao Estado Islâmico e que se preparava para promover atos terroristas durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Ali Oziris Lundi residia em Manaus e chegou a trabalhar no Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops).

Em nome da comunidade árabe, ele informou que o Centro repudia qualquer atitude relacionada a atos de terror e violência, e afirmou que a atitude do suspeito não representa os princípios da religião muçulmana. “Foi com surpresa que tomei conhecimento do assunto hoje - ontem - por meio da imprensa. A situação nos causa tristeza e repúdio por se tratar de  uma pessoa que se denomina muçulmano e que  tenha tomado tais atitudes, tentando se ligar a uma entidade terrorista que não representa em nenhum momento a religião islâmica”,  declarou.

Saleh explicou que o suspeito detido ontem pela Polícia Federal, na “Operação Hashtag”, não frequenta a mesquita localizada no Centro da cidade - única da Região Norte - há aproximadamente três anos. “Realmente, ele já tinha se convertido ao islamismo há anos atrás e passou um tempo fazendo as orações dele lá no centro islâmico, mas há quase três anos não comparecia com a regularidade que todo seguidor que pratica a religião da maneira correta, faz”, contou.

Princípios

Ele reforçou que o Centro é focado na profusão dos ensinamentos  islâmicos  para aqueles que procuram o local e que não são tratados assuntos de cunho político ou de qualquer outra natureza. Disse ainda que pessoas com propensão a causar instabilidade na região não receberão abrigo ou apoio do Centro.  “Nunca vamos compactuar ou estimular atos de violência. Temos nossas raízes e famílias fincadas aqui. Não vamos fomentar nada que possa gerar prejuízos para nós mesmos e nossas famílias”, esclareceu.

A expectativa do diretor é que não haja confusão entre o ato do indivíduo e os fundamentos da religião. “Afastar a religião do ato da pessoa.  É isso que eu peço que a nossa sociedade consiga compreender. E enquanto isso, vamos aguardar  os encaminhamentos das autoridades e desejar  que a situação seja resolvida o mais breve possível e dentro da lei”.

Quatro anos

A primeira mesquita de Manaus, e a única de toda a região Norte e de parte do litoral brasileiro, foi inaugurada em setembro de 2012. Nela são realizadas atividades de cunho religioso onde se reúnem aproximadamente 400 seguidores do islamismo. Em Manaus, a comunidade árabe está concentrada principalmente na atividade comercial, mas possui representantes ilustres na política e em áreas diversas como a medicina e o segmento industrial.

O diretor do Centro Islâmico do Amazonas, Walid Saleh, explicou que a mesquita foi construída com donativos dos próprios muçulmanos radicados no Amazonas - em sua maioria sírios, libaneses, palestinos e seus descendentes, com uma coleta que iniciou ainda na década de 1960. “O Centro Islâmico é uma retribuição para um País,  um Estado e um município que nos receberam de braços abertos e sem nenhum preconceito. Nosso ‘ pagamento’ é em forma de repassar nossos ensinamentos para os que tiverem interesse na cultura árabe e na religião”.

Comunidade

O islamismo tem hoje, em Manaus, aproximadamente 400 seguidores que frequentam a mesquita e cumprem suas atividades religiosas. Mas a comunidade árabe na cidade, entre 1ª, 2ª e 3ª geração, chega há 5 mil pessoas.

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