Quinta-feira, 25 de Abril de 2019
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Quem mora muito próximo à área destruída pelo fogo espera ser remanejado para uma área mais segura, em todos os sentidos Foto: Euzivaldo Queiroz
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NEGLIGÊNCIA

Incêndio no Educandos: Manaus tem 734 pontos de risco similares a comunidade

Mapeamento é da Defesa Civil do Município e reflete a falta de políticas públicas para moradia na capital amazonense


21/12/2018 às 21:41

Um dos mais antigos da capital, o aglomerado de palafitas e casas mistas “Bodozal” do bairro Educandos, que foi devastado por um incêndio no último dia 17, é apenas um dos 734 pontos de risco mapeados pela Defesa Civil do Município, onde moradores têm de lidar tanto com os riscos de incêndios por conta da fiação clandestina, pontes precárias e exposição a doenças.

A falta de políticas públicas voltadas à população que mora nessas localidades se torna também uma brecha escancarada para criminosos, que se aproveitam da vulnerabilidade dos que ali moram, assim como das dificuldades de acesso a esses locais, para praticar violências e movimentar o tráfico de drogas.

A dona de casa Sânzia Gomes, 28, que tem um bebê de dois anos, divide a residência com a irmã, que é industriária, e o filho dela de três anos. As irmãs pagam R$ 300 reais de aluguel.

A casa onde elas vivem há três anos no “Bodozal” por pouco não foi atingida pelas chamas, tanto que a moradia vizinha acabou tendo que ser demolida na hora do fogo, para que as chamas não pegassem em outras. Após o incêndio, que reduziu a cinzas cerca de 600 casas, a mãe delas resolveu vir do interior para dar suporte com as crianças e ficar de “olho” na residência. Agora a família espera ser remanejada para outro local.

“Minha mãe veio de uma comunidade perto de Iranduba para nos ajudar com os bebês e também reparar a casa, pois além de ter que ir atrás das doações lá em cima, ainda temos que nos preocupar com gente invadindo as casas para levar o pouco que a gente tem. No dia do incêndio, enquanto ajudávamos quem estava sendo atingido e até mesmo para nos proteger, teve gente que invadiu e levaram até os mantimentos das casas que estavam vazias”, afirmou Sânzia.

Uma senhora de 61 anos, que preferiu não se identificar, mora há 25 anos em uma casa mista – de alvenaria e madeira – em um dos becos que dão vazão à região onde ocorreu o sinistro. Ela afirma que com o tempo aprendeu a conviver com a insegurança e precariedade na prestação de serviços públicos na comunidade.

“Como sou moradora antiga, conheço alguns desses meninos (do tráfico de drogas) desde pequenos, então, meio que a gente fica protegido e, com o tempo, também nos acostumamos a lidar. Tenho muitos conhecidos que perderam suas coisas no incêndio, mas foi preciso acontecer uma tragédia dessas para que o pessoal olhasse por nós”, disse a idosa.

Em julho deste ano, A Crítica mostrou que a Defesa Civil municipal contabilizava 734 áreas de risco na cidade, onde há 28.668 residências. Entre os riscos avaliados, além do fogo e da subida das águas, estão os de desabamento. Já o levantamento Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) contabiliza 13.782 casas nessas áreas e 55 mil pessoas vivendo expostas às situações de risco.

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Outros acidentes parecidos

O emaranhado de fios com as ligações irregulares na rede elétrica e falta de atenção ao manusear fogo são ingredientes que já provocaram acidentes semelhantes ao de Educandos em outros locais parecidos. Um total de 40 palafitas, instaladas às margens do Igarapé do Quarenta foram destruídas por um incêndio  em outubro de 2009. Na ocasião, 100 famílias ficaram desabrigadas.

Em junho do ano passado, dez casas da comunidade “Meu Bem, Meu Mal”, situada na Compensa, na Zona Oeste, viraram cinzas. Desabrigados ou impossibilitados de voltar para o mesmo teto, por questões estruturais, doze famílias foram cadastradas pela Semasc para receberem o auxílio-aluguel de R$ 300.

Até então considerado o maior sinistro do tipo envolvendo casas de madeira em áreas de risco, um incêndio em 2012 deixou 543 moradores da comunidade Arthur Bernardes, situada no igarapé Cachoeira Grande, no bairro São Jorge, Zona Oeste. As famílias que perderam suas moradias foram indenizadas pelo governo cinco anos depois.

Preocupação só com a água

Questionada sobre que tipo de ações para amenizar os riscos identificados nestes locais, a Defesa Civil do Município se limitou a falar da problemática das chuvas, informando que instalou pluviômetros automáticos em 13 bairros da capital amazonense.

Conforme o órgão, a medição pluviométrica confere uma resposta mais rápida para evitar desastres durante fortes chuvas. São os bairros: Mauazinho, Cidade Nova, Tarumã, Jorge Teixeira, Aleixo, Educandos, Santa Etelvina, Nossa Senhora das Graças, Redenção e Cidade de Deus. Os igarapés do Mindu e do Quarenta receberam três plataformas de Coleta de Dados (PCD’s). 

Planos quanto à prevenção de incêndios nesses locais não foram informados.

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