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Comunidade no bairro São Jorge sofre com o drama da cheia em Manaus

Comunidade ribeirinha localizada nas margens do igarapé da Cachoeira Grande sofre com a chegada das águas nas casas 19/05/2015 às 19:58
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Moradores não aguentam mais viver no meio da água poluída e cobra a realização do Prosamim 3
adália marques ---

Casas tomadas pelas águas, marombas improvisadas e moradores com medo. Esta é a realidade de várias famílias moradoras nas margens do igarapé da Cachoeira Grande, no bairro  São Jorge, Zona Oeste. Elas  passam por sofrimentos diários ocasionados pela enchente do rio Negro, que ontem atingiu a cota de  28m97, nove centímetros mais que na mesma data do ano passado (28m88).

A garçonete Eliane Sena, 32,  sabe muito bem que diferença faz esses centímetros no coração de uma mãe. Ela tem cinco  filhos e nenhum deles sabe nadar. Ela conta que sai cedo para ir ao trabalho, mas passa o dia inteiro com o coração na mão, pois as crianças utilizam as passagens improvisadas e feitas de pau velho para poder ir à escola.  A dona de casa Silvia Soares, 41, mora há 10 anos no local e neste  já ficou sem moradia.

A casa foi tomada pelas águas e sem ter onde ficar, ela construiu um pequeno banheiro com tábuas velhas que serve de abrigo para ela e mais seis pessoas da família. A mulher fala do perigo  dos fios de energia que ficam próximo da água, diz que quando chove, e alguma rabeta, ou motor 15, passa pelo igarapé, o banzeiro quase  derruba tudo e os moradores entram  em contato  com a água poluída.

Segundo a moradora, a Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp) sempre passa no local fazendo a limpeza, mas quando chove a correnteza arrasta o lixo novamente para o igarapé, então é preciso conviver com a poluição. “Ou eles ajudam  com ponte, ou tiram a gente daqui pra um lugar seguro. Caso contrário vamos começar a ocupar essas terras sem moradia”, ameaçou.

O pedreiro Antonio Nascimento,  55, não quer passar pela mesma situação. Faltando um palmo para a água entrar na casa, ele já está arrumando os móveis e à procura de um lugar para aluguel. Já  a dona de casa Jaqueline Rodrigues afirma que  não dá mais para viver nesta situação, a casa dela também já está alagada. De acordo com ela,  a promessa de sair de cima das águas poluídas falhou.

 “São dois anos esperando o Prosamim  e até agora nada”. Jaqueline informou ainda que  houve casos de criança se desequilibrando nos pedaços de pau, que servem como ponte, e caindo  dentro da água. “A gente mora no perigo. Quando tem temporal esses fios deixam a gente  em desespero. A Defesa Civil veio aqui pra construir a ponte, mas não é o suficiente. Ou eles tiram a gente daqui, ou constroem novas pontes. Nós falamos isso, e eles disseram que não vão colocar os funcionários deles dentro da água podre”, indigna-se.

Monitoramento das doenças

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), o período é de observação e monitoramento das doenças de veiculação hídrida. Os levantamentos dos primeiros quatro meses de 2015 mostram que não houve alteração no padrão epidemiológico das doenças de veiculação hídrica e os casos de diarreias, que têm um número máximo esperado de aproximadamente dois  mil casos por mês para o período, atingiram um registro em torno de 1,8 mil casos por mês. Houve redução quanto às hepatites A e E, em que os casos notificados e confirmados da doença caíram em 44,6% e em 46,1%, respectivamente, em relação ao mesmo período do ano anterior. Situação semelhante ocorre com a leptospirose, uma redução de 10,3% nos casos confirmados. A leptospirose é transmitida pelo contato com urina e fezes de ratos.

Crianças

As crianças da comunidade são tratadas na Unidade Básica de Saúde  Doutor  Rayol dos Santos. A Diretora da UBS, Balternilza Santana, 50, informou que os maiores casos registrados nestas áreas são relativos ao contato com a água poluída. São dermatites, doenças ocasionadas por objetos contaminados, muito comum nesse período também é a escabiose, que são coceiras transmissíveis, e diarreia.


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