Quarta-feira, 18 de Setembro de 2019
Manaus

Comunidade quilombola da Praça 14, em Manaus, sente orgulho de suas raízes negras na Amazônia

Para os descendentes de escravos residentes na Comunidade do Barranco, Zona Sul, não faltam motivos para comemorar o Dia da Consciência Negra



1.jpg Desdendentes dos afrodescendentes que criaram a Comunidade do Barranco, o segundo quilombo urbano do Brasil
20/11/2014 às 10:48

Reconhecido recentemente como o segundo quilombo urbano do Brasil, a Comunidade do Barranco, no bairro Praça 14, Zona Sul, reúne cerca de 120 descendentes de escravos. Membros da quinta geração da família comentaram sobre as histórias e marcas deixadas pela matriarca Severa Fonseca, que chegou no Amazonas em 1890, depois de ser alforriada no Maranhão.

“Ela tinha marcas das algemas nas pernas e nas mãos. Era uma pessoa muito boa. Tive  sorte de conhecê-la quando casei com o neto dela, em 1950. Mas infelizmente ela faleceu em seguida”, conta a aposentada Creuza da Silva Fonseca, de 79 anos.

Creuza se emociona sempre que fala dos antepassados. Durante a reportagem, a aposentada derramou algumas lágrimas ao lembrar da data que se comemora hoje. “O dia da Consciência Negra é muito importante. Lembro de todos que já se foram, entre eles meu marido. Foram pessoas que me receberam muito bem. Me deram amor e carinho. Não sou preta, mas me considero. Casei com um descendente de escravo e me orgulho muito disso”.

Todos os anos a comunidade realiza a tradicional festa de São Benedito, que entrou no calendário cultural do Estado neste ano. Creuza é devota do santo e contou como a imagem chegou a Manaus. “Quando a vovó Severa foi libertada, os seus senhores, sabendo que ela era devota, deram-lhe a imagem de presente. Dizem que é uma das únicas do Brasil”. A imagem, feita de pau de angola, está guardada em uma das casas do quilombo. Os “Fonsecas” garantem que ela já fez muitos milagres.

Vice-presidente do Movimento Negro e primo do saudoso Nestor Nascimento, considerado o maior líder negro da história do Amazonas, Cássio Fonseca comentou sobre a luta em preservar a história da família. “Estamos no bairro há mais de 125 anos, vindos da cidade de Alcântara, no Maranhão. Diziam que no Amazonas não tinha negros, mas agora somos o segundo quilombo urbano do Brasil, reconhecido pela Fundação Cultural Palmares”.

Hoje, a comunidade oferecerá uma grande feijoada, como de costume. “Todos os anos fazemos essa festa regada a feijoada e samba. É um festejo, uma celebração do nosso povo”, comentou Cássio.

Comunidades quilombolas

De acordo com o pesquisador do projeto Nova Cartografia Social da Amazônia, Emmanuel de Almeida Farias, existem sete  comunidades quilombolas no Estado: Comunidade do Tambor, em Novo Airão; Comunidade Santa Tereza do Matupiri, São Pedro, Trindade, Ituaquara e Boa Fé, em Barreirinha e a do Barranco, na capital do Amazonas.

“Muitas dessas comunidades quilombolas reconhecidas e já certificadas enfrentam problemas graves para manter seus territórios. Em Barreirinha, os quilombolas de Santa Tereza do Matupiri, São Pedro, Trindade, Ituaquara e Boa Fé estão lutando para manter a floresta, lutando contra o avanço de fazendeiros”.



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