Sexta-feira, 15 de Novembro de 2019
Manaus

Comunidades ribeirinhas do AM estão assustadas com a violência

Violência sai da área urbana e chega até as então pacatas comunidades ribeirinhas. Moradores reclamam da fraca resposta da Polícia Militar aos casos registrados



1.jpg Em uma das ocorrências os policiais do Batalhão Ambiental chegaram ao local 4h depois e em outra 24h após o fato
11/12/2012 às 21:16

Acostumados com a calmaria que as comunidades instaladas às margens do Rio Negro ofereciam, ribeirinhos vizinhos à capital Manaus estão assustados com o avanço da criminalidade para esses locais.

Na Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Negro, as comunidades Santa Maria e Jaraqui registraram desde a semana passada casos graves de violência cometidos por homens fortemente armados e preparados para atacar os moradores.



A situação mais recente aconteceu na tarde dessa segunda-feira (10) quando três homens assaltaram uma balsa pertencente à empresa Brita Amazonas que estava atracada entre as comunidades Dourado e Jaraqui.

O agente de endemias Márcio Teixeira Ferreira, 34, disse que também foi alvo dos bandidos quando se aproximou da balsa, em uma voadeira, sem saber que o lugar estava sendo assaltado.

"Me aproximei da balsa por que fui chamado pelos homens que pensei serem trabalhadores da empresa. Quando subi a bordo eles anunciaram que se tratava de um assalto. Eles me amarraram e me levaram para um dos camarotes onde já estavam presos os tripulantes da embarcação, quatro homens e uma mulher. Roubaram nossos pertences e objetos como rádio amador", lembrou.

Os assaltantes teriam fugido em direção ao município de Novo Airão na voadeira de Márcio e em outra lancha que os esperava no local. O agente de endemias registrou o caso na manhã desta terça-feira (11) no 19º Distrito Integrado de Polícia (Dip).

"Não temos apoio da Polícia Militar que, quando não aparece, demora muito a chegar. Eles foram avisados do assalto às 5h e só chegaram à balsa às 21h porque o Batalhão Ambiental não tinha lancha para vir até aqui. Pelo que fiquei sabendo eles tiveram que emprestar um bote para atender a ocorrência", ressaltou.

Espancamento
Na última quarta-feira (5) o pescador e comunitário, Cláudio Góes Costa, 63, foi abordado por homens que se identificaram como "policiais" e espancado até perder a consciência.

O pescador disse que familiares denunciaram a ocorrência para o Batalhão Fluvial da Polícia Militar, que é responsável pela segurança da área, mas, só às 21h da quinta-feira (6) um grupo de policiais foi ao local.

Cláudio explicou que foi abordado por quatro homens e uma voadeira de cor azul por volta das 20h quando retornava de mais um dia de trabalho. Ele afirmou que ao chegar à margem do rio avistou outro comunitário sendo espancado e amarrado dentro de uma canoa, no momento em que tentou socorrer o conhecido também foi agredido.

"Eles estavam batendo no rapaz. Fui ajudar e também acabei sendo espancado. Há todo o momento eles diziam que eram policiais e que estavam à procura de maconha e dinheiro. Como não tínhamos nada eles foram embora", ressaltou.

Para o trabalhador, a falta de um policiamento frequente pelas comunidades ribeirinhas é o que tem motivado as ações de violência.

Atendimento

De acordo com o major Ronaldo Brito, responsável pelo Batalhão Ambiental, a 'prioridade é a orla de Manaus, onde há a maior concentração de embarcações'. Ele informou ao Portal acritica.com que na área fluvial atuam 15 policiais em regime de escala, onde três trabalham diariamente. "Tentamos atender a população da melhor maneira possível. Estamos estudando uma 'manobra' para sair durante o dia e voltar pela noite", declarou.




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