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Manaus
RISCO

Condições da ponte Juscelino Kubitschek preocupam moradores do bairro Educandos

Inaugurada há quase 60 anos, a estrutura que deve receber maior fluxo de veículos com a interdição de outra ponte, a Antônio Plácido de Souza, apresenta rachaduras 23/05/2018 às 07:03
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Foto: Jander Robson
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Construída em 1959, na administração do ex-governador Gilberto Mestrinho, a ponte Presidente Juscelino Kubitschek, no prolongamento da avenida Leopoldo Péres, no Educandos, Zona Sul, está em condições ruins e moradores do bairro acreditam que ela possa estar com a estrutura comprometida.

A preocupação maior é que outra importante ponte, a Antônio Plácido de Souza, a “Ponte Nova”, construída em outubro de 1975 e que liga o bairro ao Centro, será interditada totalmente para o trânsito no próximo dia 30, conforme decisão judicial por motivo de perigo de desabamento. Assim, a interdição da “Ponte Nova” pode agravar a situação da obra mais antiga, sobrecarregando-a com o fluxo de veículos.

Formado em Edificações e projetista de arquitetura, o também radialista e artista plástico Erasmo Amazonas, morador de Educandos, alerta que uma tragédia de graves proporções pode acontecer se não for inteditada primeiro a ponte Juscelino Kubitschek, que liga a avenida Leopoldo Péres, no Educandos, à avenida Castelo Branco, no bairro Cachoeirinha, sobre o Igarapé do 40.

“Essa ponte mais antiga apresenta problemas mais graves e é ela quem deveria ser interditada, pois corre risco de desabar. A obra foi construída em 1959 por Gilberto Mestrinho, mas foi projetada para receber toneladas menores de peso que a da Antônio Plácido, iniciada na gestão do prefeito Frank Lima e inaugurada por Jorge Teixeira. No entanto, na ponte antiga continuam trafegando gigantescas carretas. E a orla de Educandos está cheia de depósitos de contêineres”, ressalta ele.


Erasmo acredita que maior fluxo de veículos na ponte pode agravar os problemas. Foto: Jander Robson

“Imagine que, se nesse momento, sem interdição da ponte o trânsito é terrível desde que construíram um grande supermercado na avenida Leopoldo Péres e não houve planejamento de trânsito a área já fica parada, imagina agora com a interdição. Isso aqui vai virar um inferno”, diz ele, que é a favor da demolição da estrutura da “JK”, a exemplo da que foi construída na rua Maués, no bairro Morro da Liberdade. 

Guiado por Erasmo, a reportagem do Portal A Crítica constatou que a estrutura da ponte “JK” tem fissuras e rachaduras na sua parte inferior, além das juntas de dilatação estarem corroídas, com parte metálica enferrujada, ferros rompidos, infiltrações e bueiros sem tampa. Na pista da obra, há perceptíveis desníveis causados pelo afundamento do asfalto. 

“A pista é estreita demais e todos os dias acontecem acidentes graves por conta disso. E quando construíram o Prosamim o tráfego aumentou no local. É preocupante pois a ponte pode desabar”, afirmou Erasmo Amazonas.

Sem prazo, Prefeitura promete fazer vistoria

A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) informou que fez, no fim de 2016, o levantamento das pontes em concreto da capital que estão precisando de manutenção. A equipe de engenharia responsável pelo levantamento identificou aproximadamente 10 pontes como objeto de manutenção ou reforma. “Algumas já foram totalmente reformadas, caso das localizadas na Loris Cordovil, Nilton Lins e Nova Esperança”, ressaltou a Seminf em nota.

“Outras seguem com obras emergenciais: Nova República, avenida Brasil, Cecília Meireles, Mutirão e já está no cronograma a ponte da avenida Grande Circular e mais duas em concreto no bairro Redenção. Essas são as pontes identificadas e classificadas como emergenciais. Qualquer outra ponte, até o momento o laudo não mostrou riscos para a população”, completou a Seminf.


Vigas que ficam fora da água  também estão com a armação de ferro exposta. Foto: Jander Robson

Na manhã dessa terça-feira (22), o secretario da Seminf, Kelton Aguiar, junto ao superintendente do órgão Orlando Holanda e o subsecretário de obras públicas, Madson Lino, esteve vistoriando as edificações da ponte Antônio Plácido de Souza para acompanhar os estudos que estão sendo realizados para o laudo que será expedido nos próximos dias. A secretaria informou que a ponte Juscelino Kubitschek também será vistoriada, mas não divulgou data.

'Ponte Nova' interditada

A interdição da ponte Antônio Plácido obedece decisão do juiz Paulo Fernando de Britto Feitoza, titular da 1ª Vara da Fazenda Pública Municipal e de Crimes contra a Ordem Tributária, devido à estrutura apresentar risco de desabamento.

A determinação proíbe a circulação de veículos pesados e suas combinações. Conforme o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), a partir da meia-noite do dia 30 de maio a interdição passará a abranger também o trânsito de pessoas e de veículos de qualquer porte e classificação, até o cumprimento integral da recuperação da ponte pelo Município de Manaus. O juiz Paulo Feitoza arbitrou multa diária de R$ 1 milhão, sem limite de dias, em caso de descumprimento da decisão.

Reclamações

A interdição atende a uma ação civil ajuizada pelo Ministério Público (MP-AM) e divide opiniões entre moradores e quem precisa passar pela estrutura.

“O problema dessa ponte é grande, mas não está na pista e nas vigas, mas sim nos pilares, principalmente no segundo, no sentido Centro/Educandos: devido à força da água, houve um desbarrancamento intenso e a destruição da grade de proteção que protegia a estrutura contra a força da água. Mas esse trabalho de recuperação só pode ser feito  com o rio seco, na vazante, e não agora. Não há, portanto, como os trabalhadores perceberem a gravidade do problema atualmente. É uma questão de bom senso, e nem de engenharia”, defende Erasmo Amazonas, alertando sobre o prejuízo para as pessoas que transitam pelo local.

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