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Manaus
FISCALIZAÇÃO

Condutores e passageiros arriscam a vida em ‘festival de infrações’ nas ruas de Manaus

Passageiros pegando “carona” em carrocerias e caçambas são alguns dos principais flagrantes da reportagem 09/02/2018 às 05:30 - Atualizado em 09/02/2018 às 08:51
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Quatro homens pegam carona em veículo da PMM no Distrito Industrial. Foto: Evandro Seixas
Álik Menezes Manaus (AM)

Apesar de ser uma prática ilegal e perigosa, que pode render infrações de trânsito e até resultar em acidentes graves, a imprudência ainda é uma rotina presente no trânsito de todas as zonas da cidade. Diariamente pessoas ignoram o perigo e colocam suas próprias vidas - e a de terceiros também - em risco. Nos casos “mais corriqueiros”, motoristas dirigem enquanto falam ao celular e não usam cinto de segurança, enquanto motociclistas transportam duas, até três pessoas nas motos, inclusive crianças, sem capacete. Mas irregularidades mais ousadas também são comuns nas ruas da cidade, como o transporte irregular de passageiros que pegam “carona” em carrocerias,  caçambas e até nos parachoques de caminhões, sem qualquer tipo de segurança. 

Nos últimos dois dias, A Crítica flagrou diversas irregularidades, inclusive um caso em que a vida de “caronas” foi colocada em risco na avenida General Rodrigo Otávio, no bairro Crespo, Zona Sul. Um caminhão “pipa”, de placa PHB-2625, que estava a serviço da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), dava carona a quatro homens, que estavam em pé no parachoques do veículo. Além de infração, os homens corriam risco de cair a qualquer manobra mais brusca.


Criança é transportada sem capacete na Bola do Produtor. Foto: Jair Oliveira 

Enquanto isso, crianças menores de 10 anos são transportadas em motocicletas entre o condutor e o carona, todos sem capacete. Na Bola do Produtor, no Jorge Teixeira, Zona Leste da cidade, esse tipo de infração pode ser vista a qualquer momento. Na manhã de ontem, a reportagem de A Crítica chegou às 9h e ficou por 15 minutos próximo à rotatória. Foi o suficiente para registrar cinco casos em que motociclistas e passageiros andavam sem capacete e ainda levavam crianças como o terceiro passageiro.

Em um dos casos, na Zona Leste, um homem levava uma criança que ele segurava na cintura, mas sem segurança, correndo o risco de cair e ser atropelada na pista. Isso porque a Bola do Produtor tem fluxo de carros intenso, motoristas trafegam em alta velocidade e a área já foi palco de diversos acidentes envolvendo, principalmente, motociclistas. “Não tem lei, ninguém respeita o próximo, imagina as leis de transito”, disse o cobrador de ônibus Jurandir da Silva, 25.

Zonas Norte e Oeste

Nas avenidas Max Teixeira, na Zona Norte, e Brasil, na Zona Oeste, crianças transportadas sem capacete também fazem parte da rotina de infrações, que não são barradas pela fiscalização. Em um dos casos flagrados pela reportagem, quatro pessoas estavam em uma única moto, duas delas crianças: uma ia na frente do condutor e outra entre o condutor e uma passageira. As crianças estavam vestidas com farda escolar.

Na Max Teixeira, que estava com o trânsito lento por volta das 12h30 de ontem, um motoqueiro levou uma mulher e um garoto na garupa da moto por vários quilômetros na avenida. “Esse tipo de coisa é normal por aqui, aliás é comum ver em qualquer zona da cidade”, disse o entregador Caio Alves, 27, que trabalha no bairro Cidade Nova há sete anos e disse ter testemunhado vários acidentes, alguns com vítimas graves.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade informou que os veículos que prestam serviço de carro-pipa para o órgão pertencem à empresa terceirizada Reche & Galdiano, que deve se responsabilizar por quaisquer  irregularidades supostamente cometidas por funcionários.


Na av. Brasil motociclista levava mulher e duas crianças, todas sem capacete. Foto: Jair Oliveira 

Infrações são rotina na Cidade Nova

O mototaxista Márcio Carvalho, 34, que trabalha na Cidade Nova há nove anos, contou que as infrações de trânsito relatadas na matéria são comuns e disse que  já testemunhou pelo menos três acidentes, dois deles em avenidas principais do bairro. 

“Não é difícil ver pessoas levando crianças em motos sem capacete, não. Se você for para frente das escolas em horários de entrada e saída de alunos você vai confirmar isso. Já cheguei a ver mais de quatro pessoas em uma moto. Na última vez vi dois adultos e três crianças. Tem gente que se assusta, eu até me acostumei a ver esse tipo de situação já, mas é muito triste, principalmente porque tenho filhos e imagino eles no lugar daqueles transportados de qualquer maneira”, contou.

Motos em 66% dos acidentes

Levantamento da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), revela que 66,1% das vítimas de acidentes de trânsito socorridas em 2017 nos prontos-socorros e Serviços de Pronto Atendimento (SPA) de Manaus se envolveram em ocorrências com motocicletas. 

Ainda conforme o relatório, no ano passado, as unidades da rede estadual na capital atenderam 18.695 vítimas de acidentes de trânsito. Deste total, 12.371 (61,1%) participaram de acidentes com motocicleta.

Conforme dados  do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), apenas em 2017 foram registradas, só na capital amazonense, aproximadamente 107 mortes de pessoas envolvidas em acidentes com motocicletas. No interior do Amazonas ocorreram 32 mortes.

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