Segunda-feira, 21 de Outubro de 2019
perigo nas ruas

Condutores e pedestres temem tráfego de carretas em ruas de Manaus

Entre 2018 e este ano, pelo menos 19 acidentes envolvendo esse tipo de veículo foram registrados na capital. Na última segunda-feira, o passageiro Fábio Borges, 35, morreu após o veículo em que ele estava ter sido atingido por uma carreta



carreta_5633B2FC-2602-406B-B91C-0466CB766707.JPG Foto: Divulgação
08/09/2019 às 07:58

Deveria ser algo meramente simples passar ao lado de uma carreta que transporta contêineres com mercadorias para um condutor ou passageiro que vive na cidade de Manaus. Entretanto um ato comum tornou-se sinônimo de medo para quem transita próximo a esses veículos pesados em decorrência aos constantes acidentes que têm ocorrido com eles nos últimos anos.

O temor fica ainda maior quando os “grandões” percorrem em alta velocidade vias estreitas de bairros, muitas vezes até ocupando duas mãos, desrespeitando cruzamentos, semáforos e faixas de pedestres.



Nem sempre há quem consiga desviar das manobras dos veículos de carga pesada. Na última segunda-feira, por exemplo, o passageiro Fábio Borges, 35, morreu após o veículo em que ele estava ter sido atingido por uma carreta no trecho da avenida Rodrigo Otávio de esquina com a Base Aérea de Manaus (BAMN), no bairro São Lázaro, Zona Sul.

O caso revoltou os moradores da região que, às 16h30 de amanhã, protestarão pela segunda vez em frente ao local do acidente, solicitando que quebra-molas sejam colocados ao longo da via para diminuir o número de acidentes, relatado por eles como sendo algo recorrente para quem vive ali.

Perdas e danos

Durante o acidente que ocasionou a morte de Fábio, a casa do empresário Roger Arrais, 44, foi atingida. Ele conta que teve um prejuízo de R$ 15 mil, pois no local havia computadores e vários eletrônicos e móveis de seu trabalho. “Graças a Deus as crianças que costumam brincar sempre no local que foi atingido não estavam aqui, porque senão teria sido um dia trágico para mim. Nem gosto de imaginar o que poderia ter acontecido. Por isso que agora estamos indo para as ruas protestar por melhorias”, diz o morador, que ainda afirma que o cunhado chegou a ralar o braço por estar no mesmo cômodo atingido pelos veículos.

Lucilo Renilson, 29, que é dono de uma oficina na avenida, diz que basta uma pessoa ficar por 10 minutos no local para ver alguma infração por parte dos condutores de carretas.

“Temos três escolas ao longo desta via, mas eles não respeitam nada. Quando descem a via, vem em alta velocidade. A situação é ainda pior após as 23h, pois, como não tem muita movimentação na via, eles chegam até mesmo a correr acima de 100 km por hora. Ficamos revoltados por conta disso, eles são muito imprudentes”, afirmou o morador.

Imprudência recorrente

Neste ano, o Núcleo Especializado em Operações de Trânsito (Neot) do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM) já realizou mais de 20 fiscalizações por meio da operação “Carga Pesada”, na qual, segundo o coordenador, David Fernandes, afirma ser recorrente encontrar carretas irregulares.

“A irregularidade destes veículos é gigante. Durante as operações sempre é comum encontrarmos carros com mal estado de conservação, pneus carecas e até mesmo condutores sem habilitação”, ressalta David.

Não há registros do Neot voltados somente para as carretas, entretanto, entre os dias 11 de janeiro de 2018 e 3 de setembro deste ano, A CRÍTICA divulgou 19 casos de acidentes envolvendo os veículos que transportam cargas, sendo seis só este ano e 13 no ano passado.

David Fernandes afirma que em breve haverá um fiscalização específica para estes tipos de veículos e que estudos já estão sendo realizados para combater as estatísticas negativas de acidentes.

“Possivelmente iremos atuar em pontos estratégicos onde elas (as carretas) percorrem. Como nas proximidades do Porto Chibatão, da Avenida do Turismo e entre os Distritos 1 e 2”, destacou o coordenador.

Condutores e pedestres reclamam

Quem dirige ou transita próximo aos veículos de carga pesada prefere manter a distância por medo.  O funcionário público Gerson Freitas, 38, por exemplo, afirma ser um ato de irresponsabilidade que as carretas que transportam cargas transitem em horário comercial na cidade. “Nunca sabemos se os contêineres que elas transportam estão realmente presos de uma maneira segura. Por isso, quando eu avisto uma, reduzo a velocidade ou ultrapasso logo, porque nunca sabemos quando um acidente vai acontecer então o melhor ainda continua sendo a prevenção”, acrescentou.

O medo vai além de quem conduz um veículo, a administradora Any Branco, 30, por exemplo, conta que a experiência de pedestre também não é nada fácil, principalmente quando ela está em calçadas ou vai atravessar uma via no mesmo momento que uma carreta está transitando. “Eu sinto muito medo porque os próprios motoristas parecem não ter consciência de como dirigir, principalmente nas ruas de Manaus que tem ruas muito estreitas, esburacadas, com relevos nas vias ou quando não totalmente destruídas  e mesmo assim eles dirigem em alta velocidade, com risco de virarem e danificarem outros veículos e até mesmo residências”, declarou.

Há restrições de tráfego

Pouca gente sabe, mas existe horário e restrições em algumas vias de Manaus para o trânsito de carretas que transportam contêineres. Segundo o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), o condutor de  veículo de carga que não seguir as medidas pode levar uma infração média, com multa no valor de R$ 130,16, além de 4 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Nas avenidas Humberto Calderaro entre Marciano Armond e Efigênio Sales, por exemplo, veículos com carga de 8 a 16 toneladas são proibidos de circular no horário de 17h às 20h e acima de 16 toneladas é proibido circular entre 6h às 20h.

Na avenida Mário Ypiranga Monteiro, Efigênio Sales e no boulevard Álvaro Botelho Maia, entre 8 e 16 toneladas é proibido circular no horário de 6h às 9h da manhã; acima de 16 toneladas é proibido a circulação entre 6h às 20h.

Veículos com carga acima de 16 toneladas são proibidos de circular entre 6h e 20h as avenidas Maceió, Efigênio Sales e Av. Álvaro Botelho Maia com carga acima de 16 toneladas.

No Centro da cidade, entre os trechos das avenidas Leonardo Malcher, Floriano Peixoto, Sete de Setembro, Joaquim Nabuco e as ruas Luiz Antony, Governador Vitório, Tamandaré e Marquês de Santa Cruz: veículos com carga acima de 8 toneladas não podem circular de segunda a sexta-feira, no horário das 6h às 20h, e nos sábados de 6h às 17h.

Já entre as ruas Marquês de Santa Cruz, Avenida Lourenço da Silva Braga (Manaus Moderna), rua dos Andradas,avenida Joaquim Nabuco – trecho entre as ruas dos Andradas e Quintino Bocaiúva e avenida Floriano Peixoto, caminhões acima de 16 toneladas, tem restrição de circulação entre segunda e sexta-feira, no horário das 6h da manhã às 20h e nos sábados de 6h da manhã às 17h.

Apenas a avenida Lourenço da Silva Braga e alças adjacentes à Ponte de Educandos, ficam livres para veículos com tonelagem superior à estabelecida na Portaria municipal, para entrada e saída no Porto de Manaus, independente dos horários de restrição.

Na avenida Constantino Nery são proibidos de circular no período das 6h às 9h e das 17h às 20h os veículos com Peso Bruto Total (PBT) acima de oito toneladas. Já os veículos com PBT acima de 16 toneladas só poderão circular no período de 20h às 6h.

Na avenida Djalma Batista são proibidos de circular de segunda à sexta-feira, no horário de 6h às 9 h e das 17h às 20 h, os veículos acima de oito toneladas. Nos mesmos dias da semana, no horário entre 9h às 17h, estão proibidos de circular os veículos acima de 16 toneladas.

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Repórter do Caderno A do Jornal A Crítica

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