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Conferência Municipal de Saúde inicia discutindo a própria essência do sistema público

Representante do Ministério da Saúde afirma que a principal dificuldade da rede pública do Amazonas é o fato do Estado ser cortado por rios, o que dificulta o deslocamento de pessoas e profissionais 28/07/2015 às 21:30
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Conforme dados do IBGE, 87% da população do Amazonas usa o sistema público de saúde e, com isso, a superlotação das unidades, que tem de usar macas nos corredores, acaba sendo inevitável.
Oswaldo Neto Manaus (AM)

A importância da saúde pública foi o primeiro tema tratado na abertura  da 7ª Conferência Municipal de Saúde (Comus). No Amazonas, a estimativa é que 87% da população utilize o sistema para tratamentos médicos.

O evento reuniu diversas autoridades, entre elas o assessor especial do gabinete do Ministério da Saúde, Alfredo Boa Sorte Júnior, que falou sobre os avanços e problemas do Sistema Único de Saúde (SUS).  A solenidade de abertura da Comus ocorreu na tarde de ontem no auditório Nina Lins, na Universidade Nilton Lins, Zona Centro-Sul.

Após a leitura do regimento da conferência, realizada pelo conselheiro municipal da Zona Leste, Elton de Jesus Correa de Souza, a palestra magna do primeiro dia foi dada  pelo assessor especial Alfredo Boa Sorte, do Ministério da Saúde.

Médico clínico e sanitarista, Boa Sorte destacou a importância da conferência municipal para discutir melhorias na rede pública do Amazonas. A agenda em Manaus é preparatória para a 15ª Conferência Nacional de Saúde, que acontece entre os dias 1º e 4 de dezembro, em Brasília (DF).

“Esse momento das conferências é um momento privilegiado porque você repassa toda a política, verifica problemas e dificuldades, mas principalmente colhe propostas para melhorar a saúde. Nós também revisitamos tudo o que foi construído no SUS, apesar de ele ser um jovem de 25 anos. Em geral a democracia dá trabalho, porém é fundamental para gestores públicos”.

Dificuldade

A principal dificuldade da rede pública do  Amazonas, segundo Boa Sorte, está justamente no fato do Estado ser cortado por rios, o que dificulta o deslocamento de pessoas e profissionais. Para ele, a discussão sobre saúde na região Norte deve ser diferente da que é praticada em outras cidades.

“Na região Norte ‘todo perto’ fica longe. Você tem que pensar primeiro em atendimento de urgência, mas tem que pensar nas UBSs na cidade, e também nas unidades de barco, pois aqui há mais hidrovias do que rodovias”, afirmou. “E quando digo embarcar não é só médico e enfermeiro, mas principalmente unidades mais complexas”, disse ele.

Semsa

Servidores da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) receberam, ontem,  informações sobre as regras de aposentadoria voltadas para eles.

SUS é gigante

O Sistema Único de Saúde (SUS) é considerado um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo. Criado em 1988 pela Constituição Federal, o sistema atende, segundo o Ministério da Saúde, mais de 180 milhões de brasileiro.

O SUS pretende abrange desde o simples atendimento ambulatorial até o transplante de órgãos, garantindo acesso integral, universal e gratuito para a população. Entre os dados comemorados pelo SUS estão os transplantes de órgãos, pois segundo o Ministério, 98% dos procedimentos são realizados na rede pública.

Maioria dos atendimentos

De acordo com última pesquisa do Intituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 87% da população amazonense busca atendimento na rede pública de saúde, que inclui hospitais, policlínicas, UBSs e Unidades de Pronto Atendimento. A porcentagem é vista como um aspecto animador para autoridades do Estado.

O dado foi informado pelo secretário-adjunto de Atenção Especializada da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), Wagner William de Souza. Ainda segundo ele, mais da metade da capital é atendida por meio de UBSs. Ele acredita que apesar de vários aspectos precisarem avançar, os números mostram que o SUS possui credibilidade.  

“O sistema tem uma série de ações que são desenvolvidas dentro do SUS, como vigilância sanitária e ensino e pesquisa. Os dados da pesquisa são bastante estimulante. Isso mostra que a confiança da população é grande”.

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