Quinta-feira, 02 de Abril de 2020
PROTEÇÃO

Confirmação do coronavírus no Brasil provoca ‘corrida’ por máscaras em Manaus

Grande demanda pelo acessório pode acabar deixando as farmácias e drogarias de Manaus sem estoque



mascara_257010D5-C704-4FAE-BE37-448ADD6292D5.JPG Foto: Junio Matos/freelancer
27/02/2020 às 07:04

O primeiro caso confirmado do novo coronavírus (Covid-19) no Brasil tem movimentado as drogarias e lojas especializadas de produtos médicos em Manaus. Isso porque muita gente tem procurado máscaras como forma de se proteger do contágio. O produto não esta disponível em todos os lugares e já esta com vendas limitadas em alguns estabelecimentos, que temem a falta do material.  

A reportagem de A Crítica percorreu algumas drogarias e lojas, nesta quarta-feira (26), e constatou que em muitas delas o produto está sendo bastante procurado. Na Instrumental Técnico, localizada na avenida Ayrão, no Centro, muita gente procurava o produto no início da tarde.  No local, que vende tanto no varejo quanto no atacado, as vendas estão sendo limitadas devido à falta do material disponibilizado pelo fornecedor. 



“As pessoas já estão procurando as máscaras há algum tempo, desde quando surgiu o vírus. Tanto as pessoas físicas como as indústrias, empresas em geral. Está difícil conseguir manter a oferta, por isso estamos limitando o número de vendas por cliente. Isso está sendo feito devido à procura. Tem muita gente procurando e, se formos vender só para uma pessoa, complica, vai faltar”, explicou a gerente do estabelecimento, Suelda Rebelo. 

Segundo ela, a falta de máscaras atinge os próprios fornecedores. “Já teve cliente que chegou a pedir 150 mil mascaras. Não dá para a gente conseguir atender, porque os próprios fornecedores já estão limitando as vendas. Um desses nossos fornecedores disse, inclusive, que não poderia mais nos atender porque pegou uma demanda da china. Alguns já nem têm mais e, se continuar desse jeito, talvez no fim do mês a gente não tenha mais o produto para vender”, afirmou Suelda.   

Já temendo a escassez do material, a enfermeira Daniele Monassa se preveniu e resolveu comprar um estoque de máscaras e álcool para toda a família. “Eu sou enfermeira e, na época da H1N1, a gente teve dificuldade de adquirir esses insumos. Então, achei melhor me antecipar e levar para mim e para a minha família. Eu fiz isso com medo da falta de insumo em Manaus, porque as fábricas são no sudeste e até chegar aqui ou vai vir mais caro ou vai demorar e faltar. Por isso já estou levando o álcool também, porque, caso comece a ter casos em Manaus, a questão da higienização das mãos com álcool em gel e a máscara vão ser fundamentais”, disse. 

 Estoque de máscaras em loja de Manaus. Foto: Junio Matos

Na drogaria Santo Remédio do bairro Coroado, Zona Leste, muita gente tem procurado as mascaras cirúrgicas, segundo a consultora de vendas do estabelecimento, Lene Farias. “Sempre vem gente e procura. Antes, a gente não vendia, as drogarias não vendiam esse material por uma questão da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância em Saúde], mas hoje (26) a gente já tem o produto para vender. Até estava em falta há umas semanas atrás, mas compramos mais material e agora temos bastante no estoque de todas as nossas lojas. Hoje mesmo já vieram algumas pessoas comprar por conta do corona vírus ter sido confirmado no Brasil”, explicou. 

Na Manausfarma localizada na avenida Djalma Batista, Zona Centro-Sul, a procura também tem sido intensa, segundo os funcionários do estabelecimento. “Hoje (26) mesmo já veio muita gente procurar. A gente ainda inaugurou faz pouco mais de um mês e desde então sempre tem gente em busca de mascara. Mas aqui a gente vende essa mais simples e sempre têm pessoas procurando outros tipos mais específicos também”, disse a farmacêutica Keise Rodrigues.  

Orientações

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que as máscaras são eficazes se forem combinadas com lavagens frequentes das mãos. 

Para A Crítica,  o diretor de Assistência Médica da Fundação de Medicina Tropical (FMT), infectologista Antônio Magela, explicou que só o uso da máscara não protege do contágio do corona vírus e quem deve de fato usar o produto.  “A máscara deve ser usada, primeiramente, por quem está com sintomas respiratório, já que não protege dos transmissores assintomáticos. Ela, quando usada, deve ser  trocada e descartada adequadamente, pelo menos duas ou três vezes ao dia. É importante também o seu uso pelos profissionais de saúde” , ressaltou.

Reunião no Amazonas

Em virtude da confirmação do primeiro caso  Covid-19 no País, o Amazonas, assim como os demais estados brasileiros está em alerta. Por isso nesta quinta-feira (27), uma reunião do Comitê Interinstitucional Ampliado de Gestão de Emergência em Saúde Pública para Resposta Rápida aos Vírus Respiratórios, será feita para a atualização do Plano de Contingência para enfrentamento do vírus, conforme orientações do Ministério da Saúde (MS).

No encontro, que vai acontecer na sede da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS), os especialistas vão falar também sobre a ampliação da lista de novos países com transmissão do vírus e divulgar o novo boletim de Síndrome Respiratória Aguda Grave do Amazonas (SRAG).

Já durante a noite, os profissionais de saúde vão participar de um treinamento, na Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT), voltado para manejo clínico de possíveis casos de Covid-19. Na próxima semana, haverá um novo treinamento por videoconferência voltado para os profissionais do interior do estado.

Segundo o secretário de Saúde do Amazonas, Rodrigo Tobias, o Estado já vem se preparando desde novembro e intensificando as ações em função da Síndrome Respiratória Aguda Grave que costuma aumentar no período de chuva.

“Criamos o Comitê com ênfase no coronavírus, que é um vírus novo, mas as medidas de controle são basicamente as mesmas. Então, diante da entrada de um novo vírus, a gente mantém o controle do que já vem sendo feito e fica atento às novas recomendações do Ministério da Saúde”, disse o representante da Secretaria de Estado de Saúde (Susam).

Já a diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Rosemary Costa Pinto, disse que o Estado se antecipou às medidas e que a rede estadual e municipal de saúde estão preparadas se algum caso de coronavírus surgir no Amazonas. “A gente se antecipou, porque ano passado tivemos uma situação grave com SRAG, incluindo H1N1, com óbitos. Então, intensificamos as ações com campanha de prevenção e preparação da rede de saúde e depois atualizamos o Plano de Contingência para incluir o coronavírus”, explicou.

Se algum caso de coronavírus for registrado no Estado, o Hospital Pronto-Socorro Delphina Rinaldi Abdel Aziz será a unidade de referência para os atendimentos no Estado.  Os casos clínicos identificados serão encaminhados para a unidade e tratados no local. Porém, segundo a Susam, as demais unidades da rede estão preparadas para atender as outras síndromes gripais, como Influenza caso a população busque atendimento.

News 67871831 2375776725837034 8549020935401766912 n b8a48296 b506 45ea 8ef1 41a701c3e456
Repórter de Cidades
Formada em 2010 pela Uninorte, é pós-graduada em Assessoria de Imprensa e Mídias Digitais pela Faculdade Boas Novas. Repórter de Cidades em A Crítica desde 2018.

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.