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Manaus
ADOLPHO LISBOA

Confusão reina absoluta na região da Manaus Moderna, no Centro de Manaus

Subida das águas do rio Negro potencializou os problemas de trânsito, a falta de mobilidade de pedestres e o comércio ilegal em embarcações 14/06/2017 às 05:00 - Atualizado em 14/06/2017 às 09:34
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Carga e descarga e ambulantes complicam a mobilidade. Foto: Winnetou Almeida
Isabelle Valois Manaus

A cada dia que passa o trânsito nas imediações do Mercado Municipal Adolpho Lisboa e da feira Manaus Moderna tem ficado mais intenso e sem boas condições de tráfego, um reflexo da falta de educação dos motoristas de caminhões, de veículos particulares que param em qualquer lugar e de qualquer jeito, bem como a presença de pedestres no meio da pista.

Para piorar, a falta de fiscalização da Prefeitura de Manaus também é um motivos a mais, bem como o desrespeito dos lojistas que espalham as mercadorias pelas calçadas e, por conta disso, empurrarm os pedestres para  transitar no meio das vias. Assim, eles  disputam espaço com vendedores ambulantes e carregadores.

Quem precisa ir semanalmente a esta região para realizar compras afirma que a situação piorou  após a chegada das águas do rio Negro na lateral do mercadão. Por conta disso, as embarcações ficam ancoradas bem próxima à avenida Lourenço Braga e facilita ainda mais o comércio irregular de peixes, verduras e demais utensílios.

“Não há fiscalização de nada por aqui. Os motoristas andam na contramão, estacionam em qualquer lugar e de qualquer jeito, até mesmo no meio da rua e ligam o pisca alerta. Cheguei a presenciar até mesmo esses caminhões da carga  fazendo isso. Falta sinalização nas vias, as calçadas são todas ocupadas por mercadorias e por conta disso os pedestres precisam transitar nas vias. Com o resto que sobra da via somos obrigados a compartilhar entre veículos e pedestres, a cada dia essa situação só piora”, reforçou o confeiteiro João da Silva, 77.

Barão de são domingos
A confusão é ainda mais crítica na rua Barão de São Domingos. Além de todos os  problemas relatados pelo confeiteiro, nesta via há diversos vendedores com carrinhos de frutas, verduras e  vendas de outros utensílio  ocupando a pista, sem contar com um fluxo intenso de carregadores. “Não sei como ainda não teve nenhum acidente por aqui, pois quase não há espaço para trânsito. Nos últimos dias tem piorado e a confusão desta rua, deixa as adjacentes totalmente congestionadas. Mas, isso só tem piorado por não haver fiscalização. Nunca mais presenciei nenhum agente da prefeitura fiscalização esta redondeza”, disse a comerciante, Andrea de Lima Cruz, 46.

Conforme a comerciante, além da falta de fiscalização existe muita falta de educação das pessoas que trabalham nesta área central da cidade. “Tem muito comerciante aproveitando das calçadas, tem muito vendedor ambulante trabalhando de forma irregular, sem contar com os carregadores que acham que são donos da rua e transitam na marra, mesmo quando há um fluxo intenso de veículos por aqui, isso tudo complica ainda mais o trânsito nesta área”, comentou Andrea de Lima Cruz.

Muretas de segurança
Por conta das embarcações atracarem na frente da pista da avenida Manaus Moderna, a mureta de segurança  está totalmente prejudicada. Em alguns pontos é possível encontrar só a parte de ferro da estrutura, pois o cimento está todo destruído.

 As estruturas estão assim, segundo frequentadores da área,  por conta da ação do tempo, além da falta de manutenção e o fato de os barqueiros quebrarem a estrutura para amarrar as embarcações. O problema é encontrado em todo o trecho da beira-rio, desde a região do  mercado municipal Adolpho Lisboa, até o bairro de Educandos, no fim  avenida Lourenço da Silva Braga, Zona Sul.

Em quase  todo este trecho é possível encontrar parte das muretas danificadas e até quebradas. No caso dos trechos quebrados é possível encontramos muitas escadas, implantadas pela própria população usuária desta área.

De acordo com o carregador, Luíz Ferreira, 54, o problema fica pior no período da  noite, quando esse trecho da beira-rio  fica completamente escuro por falta de iluminação pública. “Para encurtar caminho, o povo dos barcos abriram esses buracos nas muretas e colocaram escadas, mas não há nenhuma segurança. De dia já é um risco, a noite nem se fala”, comentou Ferreira.

Há também pessoas que moram em flutuantes que usam estas aberturas.

Fiscalização insuficiente na região
A Prefeitura de Manaus informou que atua com diversos órgãos na região da Manaus Moderna a fim de manter a organização e segurança.

De acordo com a prefeitura, o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans),  por exemplo, realiza diariamente fiscalizações na área do Mercado Municipal Adolfo Lisboa com um efetivo de 10 agentes de trânsito que, por turno, fazem o monitoramento da rua Barão de São Domingos e outras ruas do entorno do ‘mercadão’.

 Sobre os vendedores ambulantes, a prefeitura informou que a Subsecretaria Municipal de Abastecimento, Feiras e Mercados (Subsempab) atua, constantemente, na abordagem e fiscalização das ações desses trabalhadores, orientando-os e retirando-os do local.

 Entretanto, o órgão reconhece que o número de ambulantes é muito superior ao de fiscais, por isso o trabalho tem sido insuficiente para coibir a prática.

 Diante dessa constatação, conforme a prefeitura, há em estudo a criação da Feira do Imigrante, que irá abrigar de maneira digna, garantindo o sustento de haitianos, bolivianos e cubanos, que buscaram em Manaus uma nova oportunidade de vida e hoje ocupam em grande quantidade as ruas do centro da cidade no comércio ambulante. “A Subsempab já está em tratativas com os interessados, para definir o local e modelo de estrutura que melhor irá atender às suas necessidades”, disse.

Apesar destes esforços não é difícil ver a ausência dos agentes públicos nas ruas. Na avenida Manaus Moderna, por exemplo, nas duas horas que A CRÍTICA ficou lá não apareceu um agente para colocar em ordem o trânsito de caminhões de cargas fazendo operações ilegais.

Tendência de descidas do rio
Nesta terça-feira (13) foi o oitavo dia consecutivo de descida das águas do rio Negro em frente de Manaus. Com a descida de mais  um centímetro, o  Negro atingiu  a cota de 28,89 metros. Desde o dia 6 de junho até ontem, o nível da água desceu 11 centímetros. Por enquanto, a cota máxima registrada na cheia deste ano foi os 29 metros, registrada no dia 4 de junho na régua do porto privatizado de Manaus.

 

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