Segunda-feira, 22 de Julho de 2019
Manaus

Congestionamentos no trânsito complicam vida dos manauenses

Motoristas gastam até 30 minutos para percorrer 150 metros em vias que, na teoria, deveriam estar desafogadas



1.jpg Djalma Batista é um dos gargalos do trânsito em Manaus; avisos sobre retenção no tráfego nas duas vias são constantes, principalmente na hora do rush
13/03/2012 às 07:35

Motoristas e passageiros de ônibus coletivos que precisam circular, em horário de pico, em vias consideradas desafogadas, devido à construção de viadutos e passagens de nível, continuam sofrendo a cada dia para fazer trajetos que, em teoria, poderiam ser feitos em segundos.

Em trechos como o da Torquato Tapajós, no bairro de Flores, Zona Centro-Sul, e Rodrigo Otávio, no Coroado Zona Leste, motoristas gastam até 30 minutos para percorrer 150 metros.

Há 15 anos como motorista de táxi, Francisco Marques faz o percurso Cidade Nova-Zona Leste-Centro todos os dias.

“Com a construção dos viadutos você pensa que os gargalos no trânsito vão desaparecer e que vai ter mais fluidez nas ruas e avenidas. Mas não é verdade. Você passa o viaduto e aí está o maldito engarrafamento”, disse ele, dizendo, também, que as administrações públicas não prepararam a cidade para ser uma metrópole.

“Levamos o nome de metrópole, mas esqueceram de ampliar as ruas, de fazer novos projetos urbanos e de estruturar melhor a cidade. Dessa forma, as autoridades vão transferindo os problemas”.

Em outros trechos como o da André Araújo, bairro Aleixo, Zona Sul, próximo ao viaduto Gilberto Mestrinho alguns condutores procurados pela reportagem de A CRÍTICA disseram que os semáforos não estão coordenados.

“Você leva muito tempo esperando o semáforo ficar verde, e quando passa o semáforo seguinte está vermelho. Então, os veículos da avenida principal e os que estão no retorno se juntam todos em um mesmo quarteirão, provocando congestionamento, justamente porque o semáforo seguinte está fechado”, conta o dentista Nelson Lima.

Na avenida Mário Ypiranga (antiga Recife), em Adrianópolis, Zona Centro-Sul, a psicóloga Nayara Gusmão, disse que a saída de caminhões de uma fábrica de refrigerantes ajuda a congestionar: “Você só vê marronzinhos no semáforo. Eles parecem que ignoram o conjunto do problema, vendo somente quem avança o sinal ou fala ao celular”.

Outro fato que a incomoda é que os agentes de trânsito não chamam a atenção dos pais de alunos que estacionam em filas duplas na avenida Djalma Batista: “Você passa a passagem de nível da Darcy Vargas e tem que parar, porque há duas filas de carros. Ninguém diz nada, ninguém multa, não se faz coisíssima nenhuma”.

Sem projetos para o futuro
Para o especialista em Planejamento de Transporte e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Geraldo Alves de Souza, vários fatores contribuem para o aumento dos problemas no trânsito.

“A frota de veículos não para de crescer porque o transporte público não atende à população e nem é prioridade para o poder público. Então, as pessoas preferem migrar para o transporte individual”, afirmou.

Segundo ele, o problema vai continuar. “Querem mudar o transporte com frotas de ônibus novas, mas sem consertar o trânsito. O resultado disso é frota nova engarrafada”, enfatizou.

Ele frisa que não há projetos pensados para o futuro, e sim eleitoreiros, que tentam passar uma ideia de organização nas vias.

Definição
Metrópole é o termo empregado para se designar as cidades centrais de áreas urbanas formadas por municípios ligados entre si, fisicamente, ou através de fluxos de pessoas e serviços ou, ainda, que assumem importante posição econômica, política e cultural na rede urbana da qual fazem parte.

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