Terça-feira, 11 de Agosto de 2020
PLEITO

Congresso avalia nesta terça-feira (23) adiamento de eleições

Nova data para a escolha de prefeitos e vereadores deve ser votada hoje; opção mais provável é que aconteça em novembro



vota__o_D7C993A4-086B-4E27-A083-B50CBCE68AFA.JPG Foto: Divulgação
23/06/2020 às 06:49

O Senado Federal avalia nesta terça-feira a proposta de emenda à Constituição (PEC) que deve adiar as eleições municipais de outubro para novembro de 2020. A proposta, cujo relator é o senador Weverton Rocha (PDT-MA), tem apoio de líderes comunitários consultados por A Crítica.

Um dos líderes comunitários do bairro Jorge Teixeira, situado na Zona Leste de Manaus, Anderson Santos é a favor do adiamento da data das eleições, porém que sejam realizadas ainda em 2020. “Nesse momento precisamos pensar primeiramente na saúde, na vida das pessoas, sabemos que o coronavírus deu uma estabilizada em nossa cidade, mas é muito cedo para termos uma real situação da pandemia”, disse.



O líder do Jorge Teixeira acredita que o momento é de união, para continuar o enfrentamento à Covid-19. “Com o adiamento das eleições, teremos um pouco mais de tempo para analisar o controle da pandemia”, acrescentou.

Antônio Sena, presidente da Associação dos Moradores do Bairro da Betânia, na Zona Sul, é mais radical. Ele acredita que o ideal mesmo seria que as eleições fossem adiadas para o ano de 2021, ainda que os mandatos fossem de apenas 3 anos, para manter calendários eleitorais futuros.

“Este dinheiro que vai ser gasto com campanhas partidárias poderia ser revertido na economia do Brasil, ajudando as pessoas que estão desempregadas e as que estão se recuperando desta doença que vai deixar sequelas na sociedade”, afirmou.

Antônio defende que não haja eleição para nenhum tipo de gestão, neste momento. “Nós estamos saindo de uma pandemia. A economia está totalmente dilacerada e vamos ter que nos reinventar, reerguer muitas pessoas desempregadas. Na minha humilde opinião, não é o momento para eleição”, pontuou. 

Liderança feminina

Representante da liderança de motoristas femininas de aplicativo, Gleyde Lima, também é a favor do adiamento. “Acho que é necessário ser transferido a data para darmos maior atenção à eleição. Estamos num caos de administração pública, por isso precisamos ter ainda mais cautela para as próximas escolhas”, contou.

Inevitável

Vejo que trata-se de um pauta que não sofrerá grandes resistências entre os partidos que hoje compõem o Congresso Nacional, além de tratar-se evidentemente, de uma pauta absolutamente inevitável”, disse coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL) Manaus, Bryan Dolzane.

Esta, inclusive,  é uma das missões do novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Roberto Barroso, ouvir os políticos, autoridades médicas, para que todos juntos, cheguem a um calendário razoável para a situação sanitária que vivemos. 

“Mesmo que a pauta seja inevitável, não creio que seja simples, ao contrário, é uma questão delicadíssima. Vivemos em  tempos de profundas desconfianças políticas e jurídicas, e os instituições da República precisarão passar a confiança devida à sociedade, sem passar a impressão que a mudança constitucional acontecerá por interesses escusos, e sim, somente, pela proteção do Estado Democrático de Direito”, afirmou.

Esperamos que o TSE consiga desenhar uma estratégia que atenda as particularidades da nossa região e que a fiscalização seja eficiente para assegurar que o calendário eleitoral transcorra sem que pessoas abusem de poder econômico durante esse período de aguda necessidade”, acrescentou a pré-candidata a vereadora pela Bancada Coletiva do Psol Manaus e produtora cultural, Michelle Andrews.

“Estamos conscientes de que ainda vivemos em um contexto de pandemia, e é fundamental combatê-la, mas para isso precisamos montar estratégias para assegurar que a população não fique a mercê de novas ondas de contaminação”, disse.

Saiba mais

No Twitter, alguns eleitores se manifestam contra a PEC. “Sou contra o adiamento das eleições, pelo visto, o Congresso Nacional está protelando tudo: Enem, volta ao trabalho,  volta às aulas, estendendo o  auxílio e por aí vai... O Congresso Nacional parou”, tuitou a usuária da rede social Maria Célia Garcia.

Senado

 O presidente do Senado, Davi Alcolumbre declarou na última quinta-feira que já está sendo preparado um estudo para subsidiar a decisão. Davi explicou que, com base no parecer científico, profissionais que estudam a pandemia no Brasil e no mundo, sugeriram ao Congresso Nacional o adiamento das eleições.

Data

Segundo Davi Alcolumbre, o primeiro turno está quase conciliado e poderá ocorrer em 15 de novembro, o que corresponderia 15 ciclos da doença (a Covid-19) por se estender a data original, de 4 de outubro, em 42 dias. E assim também seriam alongados os prazos de desincompatibilização, convenções e propaganda.

Blog: Francinézio Amaral, sociólogo, professor e doutorando

O adiamento das eleições  que deve se efetivar nos próximos dias, com a votação da PEC no Congresso Nacional, é uma medida importante e necessária, tomada em conjunto com o TSE. A pandemia do novo coronavírus expôs toda fragilidade das políticas públicas de Saúde e Saneamento Básico do país e que foram agravada pela total incompetência do governo federal, que optou por adotar uma política genocida. Resta saber, se tanto o TSE, quanto o Congresso Nacional conseguirão dar conta da complexidade dessa operação, especialmente em relação à regiões como a Amazônia e suas peculiaridades. Além disso, se trata de algo muito mais amplo do que garantir material de proteção adequado para a população e um efetivo controle para evitar aglomeração e, se não for bem pensado, pode agravar ainda mais o cenário de pandemia. Exemplo disso é que, até agora, o TSE não sinalizou nenhuma discussão sobre alterações nas regras das campanhas eleitorais, como as atividades de campanha nas ruas, uma vez que, em relação ao jogo eleitoral entre os partidos, não deveremos ter alterações significativas. De certo mesmo, é que uma pandemia altera, inevitavelmente, a vida em sociedade e, não será diferente, nas eleições de 2020.

Repórter de A Crítica

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