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Conheça a dura rotina dos mototaxistas de Manaus

A mais nova profissão do setor de transportes têm alegrias, renda “mais ou menos”, estresse e alguns riscos com bandidos 24/10/2015 às 14:55
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Faça sol sou chuva, enfrentando o perigo se ser assaltado e o estresse do trânsito caótico, o serviço do mototaxista continua sendo um dos meios de transporte mais rápido
paulo andré nunes Manaus (AM)

Já são vários anos convivendo com o calor do asfalto, a educação por um lado e a indiferença do outro, de parte da população. E ainda tem o estresse do trânsito. Mas nada disso tira a vontade e a dedicação que Guilherme Gadelha, 40, tem como mototaxista nas ruas de Manaus.

Há 10 anos atuando nesta profissão - antes atuava como consultor de vendas, estoquista, caixa de lojas, office-boy, motoboy, analista de expedição e em várias outras profissões – o amazonense tem o ensino superior incompleto em Administração, mas teve que deixar a faculdade em face das dificuldades financeiras.

Hoje, não sente falta dos tempos em que era empregado, e “faz” seu próprio horário de segunda a segunda. E é mais um dos mototaxistas que já fazem parte, há anos, do conturbado trânsito manauense. E muitos deles com a história de vida parecida com a de Guilherme.

“Meu último emprego antes de ser o mototaxista que sou hoje foi em um mercantil, também com motocicleta. Mas fui demitido e, como fiquei sem trabalho, passei a atuar com o mototáxi. E gostei, pois hoje tenho mais horário para a minha família, diferente do tempo em que eu ficava ‘preso’ no emprego”, conta ele que sai de casa às 5h para trabalhar, ao meio-dia retorna, volta em seguida às 16h e fica até 22h diariamente.

Esse corre-corre só dá uma trégua quando seu filho, Thiago Gabriel, de 7 anos, vai às sextas-feiras à noite para a casa dele. “Tenho guarda alternada com minha ex-esposa, e uma sexta sim, outra não, fico com ele e só volto a trabalhar aos domingos”, afirma ele, que mora no bairro Nossa Senhora das Graças, Zona Centro-Sul, há cinco anos, e que fixou “ponto” entre a rua Pico das Águas e avenida Djalma Batista.

O dia a dia nas ruas fez Guilherme Gadelha ter problemas de saúde como pressão alta e tri triglicerídeos.

Corrida e ‘causos’

E dá pra viver como mototáxi? Ele diz que dá pra sobreviver: “Com esse tumulto todo de mototaxistas, não posso dizer que dá, ou não dá, mas eu sobrevivo. Pago a pensão do meu filho, minha faculdade, antes pagava aluguel. Há períodos em que o mototáxi dá, na quinzena e final de mês. Já fechei a semana com R$ 700. Em outras eu faço apenas R$ 100 ou 200.

Mas eu tenho que estar todos os dias nas ruas porquê em casa eu não vou ganhar dinheiro. Dezembro é o melhor mês pois as pessoas estão mais dispostas a gastar, pra pegar corrida. Em um trânsito desse, se você quer chegar na Cidade Nova, a motocicleta é o melhor veículo, o mais rápido, tem mais acessibilidade.

Do ponto em que fica aguardando os passageiros até o Amazonas Shopping, por exemplo, a corrida varia entre R$ 7 a R$ 10.

Requisitos

Há um total de 1.632 mototaxistas atuando regularizados em Manaus, com prazo de concessão de 10 anos concedido pela prefeitura seguindo exigências como maioridade, dois anos de Carteira Nacional de Habilitação.

Estresse

Andar no trânsito de Manaus é estressante, garante ele, reclamando dos condutores de transporte de quatro rodas que “não tem um pingo de respeito e nem bom senso”.

O mototaxista recorda até hoje do momento mais marcante para ele nestes 10 anos na profissão. E ela foi perigosa: a abordagem de um criminoso armado com um revólver.

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