Sábado, 11 de Julho de 2020
É DA TERRA

Conheça a história de vida do permissionário mais antigo do Mercado Adolpho Lisboa

Com quase 92 anos de idade, José Francisco da Costa, conhecido carinhosamente como o 'José do Mercado', conta como sustenta sua família há 67 anos no famoso Mercadão



1586350_0BDE6348-1FAE-416C-A1C5-977E32FE090B.jpg Foto: Junio Matos
14/03/2020 às 10:49

A sessão ‘É da Terra’ desta semana vai contar a ilustre história do mais antigo permissionário do Mercado Municipal de Manaus Adolpho Lisboa. Nascido em 1928,  José Francisco da Costa está gozando de boa saúde e uma memória de dar inveja.  Mesmo beirando os 92 anos, ele falou ao A Crítica coisas da sua infância e sobre como sustentou a família durante os 67 anos no famoso mercadão.

“Nasci no Cambixi, na época municipio de Careiro da Várzea, eu e minha família trabalhávamos na roça. Com 18 anos fui ferrado por uma arraia, fiquei doente, não podia mais trabalhar, então fui vender juta (fibra usada para fazer sacos). Mais tarde, meu pai comprou um flutuante aqui na beira, e eu fui trabalhar de sócio com meu primo. Vendíamos peixe frito, caldo de cana, era uma praia linda que tinha aqui, passei dois anos no flutuante, vi que não ia dar certo e comprei um box aqui. Comecei vendendo banana,  não deu certo, passei a vender estivas, passou um tempo bom, depois piorou e passei pra outra coisa, até chegar no que vendo hoje. Minha mãe já havia me falado: Meu filho quando ao tiver ruim, não se desespera, quando uma porta se fecha, logo se abre outra”, contou ele



O senhor José falou da satisfação que tem em trabalhar no mercado. Lá ele  casou e sustentou os filhos dessa forma. Foto: Junio Matos.

“Se me dar pelo menos um pouco de trabalho, já é lazer. Aqui eu vendo cuia, bolsa, chapéu, mel, copaíba, cesta, semente, as mandingas da região e tudo que eu vendo é pra viver, não é pra ficar rico.  Esse mercado pra mim é o celeiro de Manaus, tudo que você inventa pra vender, vende. Fui casado toda a vida com a mesma mulher, tivemos sete filhos, cinco meninos e duas meninas. Minha velha morreu tem um pouco mais de uma ano, morreu nova, com 86 anos. Era uma mulher boa, sabe, costurava como ninguém”, lembrou com os olhos cheios de lágrimas.

Fonte da juventude

Perguntamos ao seu José qual a receita para chegar aos 92 anos com essa vontade de trabalhar.

“Eu já tive doente, sem poder fazer muita coisa. Deus não quis ainda me levar, então tenho que me mexer, se ficar em casa, deitado ou em uma cadeira de balanço, vou ficar todo entrevado. Me aposentei já faz muito tempo, mas eu gosto de tá aqui me sentindo útil. Hoje meus filhos e netos vem pra cá, aqui é nossa segunda casa”, relatou.

O filho de José, Jorge Wallace, 60 anos fez questão de falar sobre a figura do pai e o que o mercado representa pra a família. “Meu pai é um guerreiro, sustentou a família e está aqui trabalhando com 91 anos, ele ama o que faz e a vida dele é aqui, o mercado. Na verdade nem conseguimos imaginar ele em outro lugar, nós sentimos que estar aqui faz bem pra ele”, afirmou o filho.

 José é um homem muito lúcido, divertido e um contator de histórias, um homem agradável de estar perto, sempre com mensagens positivas e demonstrando muito orgulho pela família que tem. Em meio a conversa, ele citava muito a mãe e os princípios ensinados por ela.

“Eu tinha 5, 6 anos e minha mãe estava conversando com meu tio e eu passei no meio deles. Quando meu tio foi embora, ela disse: José vem cá, você vai apanhar pra nunca mais passar no meio de ninguém sem pedir licença. Apanhei e aprendi a lição, quando passo por alguém, peço licença e lembro da minha mãe. Minha mãe foi uma mulher boa, morreu nova com 53 anos e meu pai com 64 e eu, Deus tá deixando viver aí”, concluiu ele.

Repórter

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.