Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

Conheça histórias de pessoas que superaram os malefícios do alcoolismo

Grupos de apoio são alternativas reconhecidas de controle da doença, que atinge até 3% da população brasileira



AAA.JPG Grupos de Alcoólicos Anônimos se reúnem semanalmente. Foto: Jair Araújo
04/02/2018 às 15:26

Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde revelam que cerca de 3% da população brasileira acima de 15 anos de idade sofre com problemas decorrentes do uso excessivo de álcool. Apesar de esse número assustar, é preciso lembrar que o alcoolismo possui diversos tipos de terapias e tratamentos. As reuniões feitas por grupos de alcoólicos anônimos (A.A) são algumas dessas alternativas.

A Crítica conta hoje histórias de pessoas que passaram por problemas com o álcool, mas que com a ajuda de grupos de apoio conseguiram contornar essa situação.

A vida de Lúcio* foi destinada ao álcool até seus 38 anos de idade. Hoje, com quase 27 anos sem beber, ele diz que mudou sua vida quando entrou em um grupo de A.A. “Durante a época em que consumia álcool, perdi empregos, mentia, faltava ao trabalho por conta de ressacas. O importante para mim era beber”, relata.

A vida de Lúcio mudou quando teve seu último momento de embriaguez: durante a volta para sua casa, bêbado e dirigindo, ele se envolveu em um acidente de trânsito com um taxista. “Fui pego pela polícia, que me confundiu com alguém importante do cenário local, e me levou para casa. No outro dia, não me recordava de nada. Tive um caso de amnésia alcoólica. Foi ali que vi que precisava de ajuda. Aproveitei a segunda chance que tive e procurei um grupo de ajuda”. Lúcio ressalta que durante muito tempo a vontade de beber permaneceu. Mas a ansiedade sumiu e hoje ele só conta as histórias para lembrar que há um jeito de se tratar.

A história de Roberto* também tomou rumos bem diferentes depois que largou o consumo de álcool. Ele diz que, antes de se dar conta que sofria com problemas com álcool, chegava a brigar com quem o chamasse de alcoólatra. “Eu dizia que o dinheiro era meu, que bebia quando eu queria e parava quando eu queria, mas a realidade não foi essa. Eu não tinha noção das coisas, oportunidades passavam e eu não enxergava por conta da bebida”.

Roberto conta que teve a sorte de conhecer os A.A antes de perder sua família. Quando conheceu o grupo pôde enxergar o que estava fazendo com sua vida. “Vi que aquela pessoa que bebia exageradamente e sem controle não era um viciado, e sim  um doente que precisava de tratamento”, ressalta.

No caso de Antônio* o álcool foi a porta de entrada para drogas mais pesadas. “Depois de um tempo no álcool, comecei a utilizar maconha e cocaína. Estava prestes a me separar quando minha esposa, em uma última tentativa de me salvar, me levou para conhecer o A.A. A partir dali minha vida mudou”.

*Nomes fictícios

Horários e endereço do A.A do Grupo Coroado

 As reuniões do Grupo Coroado de Alcoólicos Anônimos acontecem toda terça e sexta-feira, das 19h30 às 21h30, e aos domingos, das 17h às 19h. A sede do grupo funciona na rua Ouro Preto, bairro Coroado, na Zona Leste de Manaus, por onde passam ônibus coletivos das linhas 001, 002 e 515.

Apoio mútuo é a filosofia da irmandade

Segundo a Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil (Junaab), os membros de A.A são chamados de alcoólicos. O uso da expressão “alcoólatra” é evitado por denotar que quem sofre com esse mal escolhe estar assim. “Eles não dizem que estão ‘curados’. O alcoolismo é, em nossa opinião, uma doença física, mental e espiritual, progressiva, incurável e de término fatal. Uma vez que a pessoa tenha perdido a possibilidade de controlar a bebida, nunca mais é possível beber controladamente, em outras palavras, ele nunca pode tornar-se um ‘antigo alcoólico’ ou um ‘ex-alcoólico’. Mas pode tornar-se um alcoólico sóbrio, um alcoólico em recuperação”, ressalta Roberto.

Conforme a Junnab, todos que fazem parte do A.A são  parte de uma irmandade mundial de homens e mulheres que se ajudam mutuamente a permanecerem sóbrios. “Eles oferecem a mesma ajuda a qualquer um que tenha um problema com a bebida e queira parar de beber. Por serem todos alcoólicos, eles têm uma compreensão mútua especial. Sabem como essa doença os atinge”, frisa Roberto.

Os personagens ouvidos nesta reportagem frequentam o Alcoólicos Anônimos do Grupo Coroado, na Zona Leste de Manaus. Com 29 anos de atuação, o grupo já ajudou dezenas homens e mulheres a se recuperarem dos malefícios causados pelo consumo excessivo de bebidas alcoólicas. 

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