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Manaus
DIA DO IDOSO

Conheça histórias inspiradoras de quem redescobriu a vida após os 60 anos

No Dia do Idoso, A CRÍTICA foi às ruas encontrar pessoas que já alcançaram a terceira idade, mas encontraram uma nova motivação para viver 30/09/2017 às 15:28 - Atualizado em 01/10/2017 às 15:17
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Enquanto filhos e netos ficam em casa, Ana “cai na folia” e no boi-bumbá (Foto: EuzivaldoQueiroz)
Isabelle Valois Manaus (AM)

Enquanto as filhas e netos ficam em casa assistindo televisão, “navegando” na internet ou dormindo, a aposentada Ana Lisboa de Souza, de 75 anos, acorda cedo todos os dias para dar conta da rotina agitada. A agenda é recheada com apresentações de teatro, aulas de dança e muitas viagens, sem contar as festas. E tudo isso depois dos afazeres domésticos. Nem mesmo a dificuldade de caminhar, ocasionada por uma hérnia de disco, faz com que Ana fique parada.

A rotina dela tem sido assim nos últimos 13 anos. O avançar da idade também não aplacou a animação de Ana, que desde jovem frequenta todos os festivais onde se apresenta o boi bumbá Corre Campo. E não precisa nem de acompanhante: se ninguém da família quiser ir à festa, ela vai sozinha. “Não conto conversa: me arrumo e mando que um dos meus filhos vá me levar e depois me buscar. Eles sabem que sempre fui assim e não é agora que vou mudar. Estão todos criados e o que eu quero agora é curtir a vida. Não é a idade que vai me fazer ficar em casa, muito pelo contrário”, comentou.

Renascimento

Assim como Ana, a aposentada Aldilia Maia Fernandes, 69, descobriu, na terceira idade, uma paixão que a afastou de uma possível depressão e mudou totalmente os dias dela: a dança do ventre.

A aposentada, que ficou viúva há oito anos, conta que tem uma rotina tão agitada que até os encontros familiares precisam ficar para os domingos, que ela reservou para os filhos e netos. De segunda a sábado, ela participa de diversas atividades no Parque Municipal do Idoso, que fica na Zona Centro-Sul.

Foi lá, inclusive, que ela se apaixonou pela dança do ventre, após as filhas a incentivarem a frequentar o espaço para “fugir” da depressão, após a morte do marido.  Lá ela passou a praticar diversas atividades esportivas, mas foi a dança que a conquistou e a fez mudar de estilo de vida. “Depois que resolvi voltar a viver me encontrei no meio da dança. Sou apaixonada pelo boi, por carimbó, mas o que gosto mesmo é da dança do ventre. Onde me chamarem para dançar, pode ter certeza que vou”, disse.

A dança também proporcionou à aposentada conhecer uma nova “família”, como ela chama as amizades que fez no Parque do Idoso. “Fiz amizades incríveis, com pessoas maravilhosas. Uma se preocupa com a outra, marcamos um cinema, saímos para passear, conhecer novos lugares e vamos juntas às festas, pois amamos dançar”.

Uma nova vida no esporte

Após sofrer uma lesão na coluna após uma queda, há 6 anos,  Antônio Caporazzo, 64, decidiu mudar de vida.  Ele ficou 23 dias sem andar e outros 30 andando com ajuda de muletas e, quando finalmente recebeu alta médica, resolveu retomar uma prática da infância: pedalar.

Assim que saiu do hospital, ele foi a uma loja e comprou seis bicicletas, que mudaram não só a rotina dele, mas de dos filhos e netos: todos viraram adeptos das pedaladas.  Acompanhado dos “herdeiros”, Antônio passou a se envolver nos movimentos de ciclismo da capital e, hoje, ele é um dos membros mais ativos, pedalando quase que diariamente pelas ruas da capital.

Em 2015, chegou a participar de um duathlon (correr e pedalar) na capital e, no ano seguinte, ele se consagrou  campeão amazonense e, depois, brasileiro na categoria entre 60 e 64 anos, em uma competição nacional em Porto Alegre.

E ele não é o único que descobriu, depois dos 60, a paixão pelo esporte.  O tênis é o melhor companheiro da aposentada Carmen Lúcia Guedes de Carvalho, 70, que diariamente pratica uma série de atividades físicas, da caminhada à dança, passando pelo teatro e sessões de hidroginástica. “Sem contar as atividades na igreja, que não deixei de frequentar. Gosto de me manter em movimento”.

Dia Mundial do Idoso

O Dia Mundial do Idoso foi instituído em 1991 pela Organização das Nações Unidas (ONU) para sensibilizar a sociedade sobre o envelhecimento e da necessidade de proteger a população mais idosa. Até 2006, o Dia do Idoso era comemorado no dia 27 de setembro. Isso porque, em 1999, a Comissão pela Educação, do Senado Federal, havia instituído tal data para a reflexão sobre o tema.

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