Sábado, 24 de Agosto de 2019
DIA DA MULHER

Conheça histórias de amazonenses exemplos de força, amor à família e superação

Homenageadas no Dia Internacional da Mulher, elas usaram adversidades como verdadeiras oportunidades de crescimento pessoal e profissional



raimundamota1.JPG Dona Raimunda Mota completa 90 anos com uma vida marcada por superação (Foto: Rebeca Mota)
07/03/2018 às 21:41

A data de hoje é especial para todas as mulheres do mundo, que celebram seu florido dia maior sendo homenageadas de diversas formas. Mas, em cada 8 de março a comemoração é em dobro para dona Raimunda Mota, que faz aniversário: nesta quinta ela completa 90 anos de uma vida marcada por uma linda história de superação e amor pela vida e família.

A história desta amazonense é um grande exemplo de como podemos fazer das adversidades verdadeiras oportunidades de crescimento. Na sua vida sempre teve muitas perdas e dramas, mas esta guerreira traz lições valiosas para outras mulheres.

Raimunda Pereira da Mota nasceu em 8 de março de 1928 no seringal Cubiu, do Município de Itamarati (a 983 quilômetros da capital), sendo pertencente a uma família de pais seringueiros de origem do Ceará.

A amazonense nunca teve uma vida tão fácil. Aos sete anos de idade seus pais se separaram. E numa madrugada qualquer, sua mãe escolhe apenas dois de oito filhos para ir junto com ela - e Raimunda não foi escolhida. Seu pai era seringueiro e trabalhava muito. Enquanto isso, Raimunda era maltratada cruelmente por outras crianças, dizem seus familiares. Seu pai, decidido a dar uma vida melhor para seus filhos no tempo que trabalhava, recebeu uma proposta de entregar eles para uma família, chamada Batista, cuidar. Indeciso e triste ao mesmo tempo, decidiu aceitar.

A menina passou a viver longe do pai e da mãe. E foi crescendo. Casou-se aos 16 anos e aos 20 perdeu seu esposo, dias antes de perder seu pai em um acidente de trabalho. Ela já tinha um filho de dois anos e já estava grávida de outro.

A vida de luto chegou aos ouvidos do seu irmão Otávio, que trabalhava no regatão e descobriu onde sua mãe estava, levando Raimunda para conhecê-lo. O reencontro de mãe e filha após 13 anos de separação foi de muita emoção. Mais tarde, Otávio recebeu uma proposta de trabalho em Manaus e Raimunda o acompanhou.

Em Manaus, o sofrimento de Raimunda ainda não acabou. Com dois filhos para sustentar, fica muito doente, passa fome, sem conhecer ninguém, longe dos parentes, tímida, sem marido e morando alugado.

“Eu passei dias acamada, uma febre e um frio que não acabavam mais. Queria poder fazer algo para dar de comer aos meus filhos, mas estava sem forças e não tinha ninguém para me ajudar. O meu irmão tinha recebido uma proposta de emprego em outro município e eu estava só”, explica.

Apesar de todo o sofrimento e fome, Raimunda tinha algo que lhe sustentava em pé, convicta que o amanhã seria melhor. Sua fé em Deus mostrava que os dias fome e de tristeza estavam acabando.

“Ouvi uma voz, que não sei explicar de quem, que me avisou que no Centro de Manaus estaria um americano ofertando vagas de empregos. E fui, hesitei em deixar meus filhos a sós, e fui mesmo com muita febre e dor”, conta. No local, vozes de desestímulo e afronta vinham de outras mulheres que também estavam em busca de emprego. Zombavam de sua aparência física: magra e frágil. Mesmo assim, Raimunda Mota permaneceu na fila e foi aprovada para o cargo.

Raimunda trabalhou por vários anos na primeira turma de limpeza pública da prefeitura de Manaus. Encontrou Manuel, homem trabalhador, sério e elegante que soube da boa fama de Raimunda: mulher trabalhadora, que vivia para sustentar os dois filhos. E isso chamou a atenção dele. Logo, ambos se conheceram, tornaram-se amigos e casaram. Juntos, batalhavam para dar o melhor para os filhos e construíram o que ficou conhecida como “a casa mais linda e bem elogiada na Beira Mar de São Raimundo”.

Depois, moraram em outros bairros como: Centro e Santo Antônio. Ambos tiveram 12 filhos. Mas o coração de Raimunda nunca via obstáculos e limitações. Algumas mães na década de 80 abandonavam seus filhos ou os filhos ficavam órfãos e Raimunda sempre com o coração piedoso acolheu. No total foram oito filhos “do coração”.

Mas os momentos tristes e as frustrações na vida de Raimunda não acabaram. Aos 56 anos de idade a rainha perde novamente o esposo. Com 18 filhos para cuidar, mesmo assim, Raimunda não se abalou, permaneceu firme e constante. Com isso, terminou de criar todos os filhos. Entretanto, quando a idade chegou trouxe consigo doenças e não foi fácil para a Raimunda. Ela desencadeou doenças como diabetes, colesterol e hipertensão.

Aos 70 anos de idade desenvolveu uma enfermidade muito grave nos pés gerando sofrimento e dor para a guerreira. Os médicos lhe desenganaram afirmando que teria que amputar a perna e mesmo assim seria uma cirurgia em que ela podia não voltar mais. Entretanto Raimunda persistiu acreditando que o amanhã seria melhor e que ela voltaria viva. E aos 84anos de idade ela amputou a perna e passou a ser cadeirante. Mas mesmo de cadeira de rodas isso nunca abalou seu emocional, sempre forte, persistente. Fez fisioterapia em busca de andar e hoje mostra para todos nós que não é uma cadeira de rodas, não são as perdas de entes queridos, não é a fome, não é a doença que derruba uma mulher, pois a determinação, a força e a fé sempre existirão dentro dela.

“Acredite em Deus sobre todas as coisas e nunca desista. Foi apenas isso que foquei. Cuidei de todos os filhos, perdi filhos, maridos, pais, irmãos, a perna, mas não perdi a fé em Deus”, enfatiza a guerreira.

Projeto "Marias do Bairro" 

Descobrir talentos outrora escondidos dentro das casas das mulheres é um dos objetivos principais do projeto Marias do Bairro, que surgiu em 2014 pelas mãos da artesã Bara Feltros. No início, o foco era homenagem a mãe da própria Bara, Vanda Menezes da Silva, que também era uma profissional do artesanato e que veio a falecer naquele ano.

Com o fato, lançar o projeto virou uma terapia para que a própria Bara enfrentasse a dor da ausência da genitora, ao passo que outras mulheres começaram a integrar a iniciativa, revelando talentos e fazendo parte da economia solidária.

“A mamãe sustentava a casa com o artesanato. Ela era uma grande artesã. E eu vi, nesse exemplo dela, uma forma de poder ajudar a outras mulheres”, explica ela.

A associação Marias do Bairro conta atualmente com 600 mulheres, informa a fundadora.

Uma dessas “Marias” é a artesã Andréa Viana, 38, moradora do bairro Terra Nova 1, Zona Norte, que viu no projeto uma espécie de terapia para superar a morte do irmão vítima de latrocínio há cerca de três anos na Compensa, Zona Oeste.

“Esse projeto é maravilhoso e ensina as mulheres a ter uma renda. Além disso, veio como uma terapia após a morte do meu irmão. Foi uma válcula de escape após a tristeza que eu sofri”, disse ela, que é casada e mãe de três filhos.

Instituição discute ‘presença de princesas’

As Escolas Idaam vão comemorar o Dia Internacional da Mulher com um evento diferente, sexta-feira, dia 9, no Teatro Manauara horário. De 15h às 17h acontece o “Chá de Princesas Idaam”. Será um aulão em forma de bate-papo com os alunos da instituição para conversar com os meninos e meninas sobre as mulheres, a tendência de ‘escola de princesas’, o resgate de valores tão tradicionais frente a uma mulher que busca cada vez mais a modernidade, um posicionamento diferente e conquistando cada vez mais espaço na sociedade.

“Vamos confrontar os meninos e fazer com que eles reflitam sobre várias coisas que estão sendo discutidas a favor e contra”, explica a diretora do Ensino Médio das Escolas Idaam, professora Ludmyla Gonçalves. Ela ressalta que o nome do evento é uma ironia ao conceito de chá de princesas.

“Esse é um conceito retrógrado e que não faz mais parte do nosso dia a dia. As nossas meninas não batalham e estudam pra isso, é preciso remodelar esse conceito".

A educadora ressalta que o aulão também vai trabalhar o papel do homem na vida dessa mulher. “O príncipe também deve ser repensado”, frisa Ludmyla Gonçalves.

O “Chá de Princesas Idaam” também contará com a participação de todas as professoras do Ensino Médio da instituição da cadeira de linguagens, informa a organização.

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