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Manaus
(IN) SEGURANÇA PÚBLICA

Conheça os ‘segredos’ de quem nunca foi assaltado em Manaus

Em um mundo violento como o atual, quem não foi vítima de crimes conta o que faz para continuar ‘invicto’ 05/12/2016 às 05:00
Paulo André Nunes Manaus

Em um mundo cada vez mais violento como o em que vivemos, não ter sido uma única vez vítima de crime é, numa total inversão de valores, um fato cada vez mais raro. A  reportagem de A CRÍTICA constatou, numa rápida passagem por algumas ruas da cidade, que a grande maioria das pessoas já sofreu um assalto, furto ou roubo.

Como que bafejados pelo destino, apenas cinco de um universo de 15 pessoas abordadas pelo matutino disseram nunca ter passado pelo constrangimento de serem abordados por um criminoso, seja com arma branca, de fogo ou por intimidação em troca da obtenção dos seus suados bens materiais.

Para alguns desses “invictos”, se apegar à religiosidade é uma das saídas para ter aquela proteção a mais nas movimentadas e perigosas ruas da capital. Um deles é o vendedor Djavan Pereira, 51. “Sou morador do Centro e tenho cuidados em face dos problemas de segurança. Não exponho o que eu tenho, vou na simplicidade. Mas a proteção divina é a principal para o homem e a mulher. Me benzo quando saio de casa e peço a proteção da luz do Espírito Santo”, relata ele. 

Prestes a completar em dezembro 1 ano no Amazonas, o maranhense Francisco de Assis Souza Costa, 62, também aposta na religiosidade e diz ser um agraciado. “Agradeço a Deus e à nossa grande mãe Maria Santíssima. Eles são nossos protetores, a ressurreição e a glória”, conta ele, morador do Grande Vitória e professor universitário, filósofo e pedagogo. Ele também prega a humildade, que os faz ser respeitado e amado até pelos criminosos do bairro. “Até os ‘meninos teimosos’ ou desobedientes lá do bairro gostam de mim. Dou conselhos para eles, converso, oriento e vou me embora”, conta ele.  

A universitária Elisângela Paixão, 36, moradora de Educandos, disse que uma das estratégias contra a criminalidade é “não se expor tanto e usar da simplicidade para não chamar muito a atenção; me considero uma sortuda por nunca ter sofrido um crime”.

Por sua vez, o segurança Kedson Rodrigues, 33, morador do Japiim, não se acha um sortudo, mas prevenido. “Acho que nunca sofri nenhum crime justamente pela razão de ter trabalhado muito na área de segurança, no meu primeiro emprego, e eu não facilito para o bandido. Não me considero sortudo. Acho que a gente faz isso para que não aconteçam os crimes. Eu me previno, não ostento e nem ando falando com o celular na rua. Jamais, pois isso está chamando ladrão”, disse ele, que é proprietário de motocicleta e de um carro. “Não se pode dar mole para o bandido”, declarou ele, que se benze e sempre pede para voltar são e salvo para casa. “Sou devoto de São Jorge”, disse ele, sobre o Santo Guerreiro para enfrentar o dia a dia.

Raissa Batista, 27, assistente Social
“Sou daqui de Manaus e me considero uma sortuda, e também felizarda por nunca ter sofrido um crime. Normalmente a gente têm relatos de amigos sendo assaltados. Tenho a espiritualidade bem desenvolvida, mas não ligada a alguma religião. Mas a gente pede a Deus para nos dar proteção. E está dando certo até agora. Quando você abre o Facebook vê três, quatro relatos de pessoas que também foram. Eu acho que é mais sorte e não questão de segurança porque mesmo que você tome todos os cuidados, não sair com bolsa, mexer no celular na rua, usar joias, mas você acaba sendo assaltado de qualquer jeito, você corre esse risco. Pra andar aqui no Centro de Manaus eu tento andar desse jeito: de sandália Havaianas, com pouca coisa mesmo porque, se por um acaso eu sofrer um crime, o prejuízo será menor”.

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