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Manaus
VENEZUELANOS

Conselheiros tutelares tentam recolher crianças indígenas da rodoviária

Durante a vistoria, uma equipe da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh), se fez presente e foi totalmente contra a ação dos conselheiros 11/03/2017 às 19:16 - Atualizado em 11/03/2017 às 21:42
Show venezuelanos
Conselheiros tentam tirar crianças da rodoviária de Manaus. Foto: Jander Robson
Isabelle Valois Manaus

Uma ação entre os Conselheiros Tutelares de Manaus deve recolher as crianças indígenas Venezuelanos que estão vivendo nos últimos meses na rodoviária da capital.  De acordo com o conselheiro da Zona Centro-Sul, Marcelo Medeiros, diariamente denúncias de maus-tratos chegam até eles. No caso deste sábado (11), o conselheiro foi informado que um bebê recém-nascido, com pneumonia, não está recebendo tratamento.

Por causa disso, o conselheiro foi até a rodoviária, conferir de perto a situação das crianças indígenas venezuelanas e afirma ter se assustado com o que viu. "As crianças estão em uma situação precária. Todas sujas e com sintomas de doenças. Comem no chão, passam a comida no chão e colocam na boca, uma situação totalmente preocupante", disse.

Após comprovar a denúncia, Medeiros acionou os demais conselheiros que atuam nas outras zonas de Manaus para buscar uma solução. "Nós só iremos sair daqui quando essas crianças forem para um abrigo. Sei que eles são indígenas de outro país, mas como estão aqui em território brasileiro é o nosso dever cumprir com a lei e dar um conforto maior para essas crianças", comentou o conselheiro.

Durante a vistoria, uma equipe da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh), se fez presente e foi totalmente contra a ação dos conselheiros. A diretora do departamento de direitos humanos da secretaria, Vera Queiroz, afirmou que eles já tentaram conduzir os venezuelanos para um abrigo, porém, eles não quiseram ir para o local. "Não somos a favor de levarem essas crianças, pois é a cultura deles viver assim  e precisamos respeitar. Em outra situação tentamos levá-los ao abrigo, mas eles não aceitaram, então não podemos fazer muita coisa. Depois disso a responsabilidade é do poder federal", reforçou.

Os conselheiros tentaram conversar com os indígenas para informar que neste sábado, as mães e crianças precisavam se dirigir ao abrigo. Durante a conversa, um dos indígenas, Osvaldo Ardufs, que entende o português e consegue se expressar melhor, contou que  eles chegaram a ir para o abrigo, mas foram maltratados por uma funcionária do local. "Ela nos expulsou de lá e disse que índio não era gente", revelou durante a conversa.

Os conselheiros buscam solução para o caso. Até o momento nada foi acertado. Os conselheiros estão buscando meios de conseguir contato com o próprio secretário Elias Emanuel para ver o que pode ser feito.

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